terça-feira, 22 de junho de 2010

DO CADERNO DE ESTUDOS (II)

Somos dementes como a fera —
esqueléticas figuras musicais
que se entreespelham.

Ruídos ásperos
perseguem o tempo;
somos apenas figuras rotas,
moídas pelo medo.

* * *

Com a brutalidade
de uma caveira cantante.
Com um morto em cada linha,
e uma rosa para cada morto,
ela pergunta aos seus lagartos:
o que existe além da pele?

Mistério algum além da verde céspede numerável até o infinito.

(Esboços imaturos para um futuro poema)

5 comentários:

  1. Um esboço bem fiel da criação.

    Abraços.

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  2. Lara, é apenas um esboço, um fragmento de um poema longo que me dará muuuuuito trabalho...

    beso,

    Cld.

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  3. E a fera volta... Que sina, hein!

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  4. Claudio, acho céspede é uma palavra tão bonita e de uso tão raro... Este último verso, nossa, que força. Abçs.

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  5. Nydia, grato pelo comentário! Mar, é verdade, répteis, anfíbios e seres rastejantes em geral aparecem muito em meus poemas, não sei por quê... há besos,

    CD

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