sábado, 30 de julho de 2022

 







URUTAU

 

Para o Carvalho Junior

 

ave da noite

olho da noite

em nãos

de nunca mais

olho amarelo

nos fumos da noite

lua amarela

em nuncas

de nada mais

emenda-toco

de unhas curvas

uruvati, urutaguá

canta os pedaços de mim.

 

 

dito kuá kuá

dito pássaro-

princesa

canto de arame

e arranha-tripa

se acaso

se entremostrasse

no último infinito

do fim

esfumado

entre agapantos

e alamandras

entre os pedaços de mim.

 

 

uruvati

come-morcegos

urutaguá

come-lagartos

onde está

o meu eu

oh mãe-da-lua?

onde está

a minha ela

oh pássaro-

fantasma?

no último

fim de mim?

 

 

O que canta

no galho

transforma-se

em galho

o que canta

no tronco

transforma-se

em tronco

canto tonto

nos entornos

do sem fim

repercorre ângulos

no mais rascante de mim.

 

(Poema de meu livro Cantigas do Luaréu, publicado neste ano pela editora Arribaçã)

 

 

 

 

segunda-feira, 4 de julho de 2022

PALESTRA SOBRE O FAUSTO DE GOETHE

 



 







No próximo sábado, dia 09 de julho, das 12h às 13h, realizarei uma palestra online, via Zoom, sobre o Fausto de Goethe. A aula será gravada em vídeo e publicada no Youtube. Quem tiver interesse em obter mais informações ou se inscrever pode entrar em contato comigo pelo e-mail claudio.dan@gmail.com ou pelo Whatsaapp (11) 9 48768 2488.

quarta-feira, 1 de junho de 2022

CURSO ONLINE DE POESIA VISUAL

 












A partir do dia 09 de junho, iniciarei o curso online Poesia Visual e Sonora, que acontecerá sempre às quintas-feiras, das 18h30 às 19h30, via Zoom.

A duração do curso é de três meses e a mensalidade, de R$ 80,00.

Vamos estudar a Poesia Experimental Portuguesa, a Poesia-Processo, a Poesia Semiótica, a Poesia Eletrônica, entre outras tendências de vanguarda da segunda metade do século XIX e início do século XX.

 

Informações pelo Whatsapp (11) 9 4878-2488 ou pelo e-mail claudio.dan@gmail.com

terça-feira, 17 de maio de 2022

TRÊS POEMAS DE JULES LAFORGUE

 












LITANIES DES PREMIERS

 QUARTIERS DE LA LUNE

 

Lune bénie

Des insomnies,

 

Blanc médaillon

Des Endymions,

 

Astre fossile

Que tout exile,

 

Jaloux tombeau

De Salammbô,

 

Embarcadère

Des grands Mystères,

 

Madone et miss,

Diane-Artémis

 

Sainte vigie

De nos orgies,

 

Jettatura

Des baccarats,

 

Dame très-lasse

De nos terrasses,

 

Philtre attisant

Les vers luisants,

 

Rosace et dôme

Des derniers psaumes,

 

Bel oeil-de-chat

Que nos rachats,

 

Sois l'Ambulance

De nos croyances!

 

Sois l' edredon

Du Grand-Pardon!

  

Jules Laforgue

 

LITANIAS DOS QUARTOS

CRESCENTES DA LUA

  

Lua sublime,

Nos ilumine!

 

É o medalhão

De Endimião,

 

Astro de argila

Que tudo exila,

 

Tumba milenar

De Salambô lunar,

 

Cais etéreo

Do alto mistério,

 

Madona e miss,

Diana-Artemis,

 

Santa vigia

De nossas orgias,

 

Jetaturá

Dos bacarás,

 

Dama tão pálida

De nossas praças,

 

Vago perfume

De vagalumes,

 

Rosácea calma

Dos últimos salmos,

 

Olho-de-gata

Que nos resgata,

 

Seja o auxílio

A nossos delírios!

 

Seja o edredão

Do Grande Perdão!


Tradução Claudio Daniel_ 

 

 LITANIES DES DERNIERES

QUARTIERS DE LA LUNE

 

Eucharistie

De l' Arcadie,

 

Qui fais de l' oeil

Aux coeurs en deuil,

 

Ciel des idylles

Qu' on veut stériles,

 

Fonts baptismaux

Des blancs Pierrots,

 

Dernier ciboire

De notre Histoire,

 

Vortex-nombril

Du Tout-Nihil,

 

Miroir et Bible

Des Impassibles,

 

Hôtel garni

De l' infini,

 

Sphinx et Joconde

Des défunts mondes,

 

O Chanaan

Du bon Néant,

 

Néant, la Mecque

Des bibliothèques,

 

Léthés, Lotos

Exaudi nos!

  

Jules Laforgue

 

LITANIAS DOS QUARTOS

MINGUANTES DA LUA

 

Eucaristia

Da Arcadia,

 

Olho que seduz

Corpos sem luz,

 

Céu dos idílios

E dos martírios,

 

Pia batismal

Do Pierrot mortal,

 

Última hóstia

De nossa história,

 

 Vortex-orifício

Do Final-Início,

 

 Espelho do sóbrio,

Bíblia in folio,

 

 Hotel aflito

Do infinito,

 

 Sphinx-Gioconda

Das hecatombes,

 

 Ó Canaã

Do estéril afã,

 

 Do Nada _ Meca

Das bibliotecas,

  

Letes, Lótus

Exaudi nos!

 

 Tradução Claudio Daniel_ 

 

 PETITES MISERES DE MAI

 

On dit: l' Express
Pour Benarès!

La Basilique
Des gens cosmiques!...

Allons, chantons
Le Grand Pardon!

Allons, Tityres
Des blancs martyres!

Chantons: Nenii!
À l' infini,

Hors des clôtures
De la Nature!

(Nous louerons Dieu,
En temps et lieu.)

Oh! les beaux arbres
En candélabres!...

Oh! les réfrains
Des Pèlerins!...

Oh! ces toquads
De Croisades!...

- Et puis, fourbu
Dès le début.

Et retour, louche
- Ah, tu découches!

Jules Laforgue

 

 PEQUENAS MISERIAS DE MAIO

 

-- A Benares
Pelos mares!

A Basílica
Alquímica.

Eis a canção
Do Perdão.

O delírio
No martírio.

Não!, grito
Ao infinito,

Sem censura
Da vã Natura!

(Louvem a Deus
Até os ateus.)

Oh! castiçais
florestais!

Oh! os hinos
Dos peregrinos!

Oh! a ressaca
Das Cruzadas!

- É o início
Do comício.

Tiveste azia
Depois da orgia!

Tradução/paródia: Claudio Daniel

quinta-feira, 10 de março de 2022

BRASIL, URGENTE, LULA PRESIDENTE!

 







O Brasil precisa de democracia, educação, saúde, ciência e cultura.

O Brasil precisa ser uma pátria solidária que respeite os direitos dos índios, negros, mulheres, jovens, pessoas que cultivam todas as formas de afeto e orientação sexual.

O Brasil precisa ser uma nação que valorize toda a rica diversidade étnica e cultural de nossa população e proteja o meio ambiente e o patrimônio histórico e artístico.

O Brasil precisa de crescimento econômico com distribuição de renda, impostos sobre as grandes fortunas, justiça social, soberania e independência política.

O Brasil precisa estar ao lado de todas as nações que desejam construir um mundo multipolar, onde já não exista lugar para a hegemonia de nenhuma superpotência.

O Brasil precisa de um presidente comprometido com a erradicação da fome, da miséria, garanta os direitos trabalhistas e previdenciários de nosso povo. Que esteja ao lado dos movimentos sociais, das lutas estudantis, sindicais e dos trabalhadores sem terras. Que valorize a agricultura familiar e orgânica.

Por acreditarmos nesse ideário, nós, poetas, escritores e intelectuais brasileiros estamos com Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), unido a outras legendas de uma federação partidária, como o PCdoB e o PV.

Lula representa a esperança democrática, a ruptura radical com o neoliberalismo implementado após o golpe de estado de 2016, que depôs a legítima presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, e com a guinada neofascista que tanto sofrimento trouxe a nossa pátria.

Lula representa a democracia com participação popular e justiça social.

Brasil Urgente, Lula Presidente!

Adalberto Monteiro, poeta e jornalista

Ademir Assunção, poeta, jornalista e escritor

Ademir Demarchi, poeta

Adriana Gama de Araújo, poeta

Adriana Zapparoli, poeta

Alexandre Bonafim, poeta e professor

Alessandra Soares Cantero, poeta

Amador  Ribeiro Neto, poeta, professor e crítico literário 

Ana Cristina Joaquim, poeta e professora

André Cintra, jornalista e escritor

André Giusti, escritor e jornalista

Anelito de Oliveira, poeta, editor e professor

Angela Vieira Campos, poeta

Angélica Torres Lima, poeta e jornalista

Antônio Mariano, poeta

Antônio Moura, poeta e tradutor

Armando Freitas Filho, poeta

Arnaldo Antunes, poeta, cantor e compositor

Assis de Melo, poeta e professor

Augusto de Campos, poeta, ensaísta, tradutor

Beatriz Galvão, atriz e declamadora de poesia

Celso Vegro, poeta

Claudia González Slaviero, poeta

Claudio Daniel, poeta, escritor e professor de literatura

Claudio Nunes de Moraes, poeta e tradutor

Contador Borges, poeta, ensaísta e tradutor

Cristiano Torres, jornalista

Daniel Abrão, professor

Delmo Montenegro, poeta

Dirce Carneiro, poeta

Dirce Waltrick do Amarante, escritora, tradutora e professora

Douglas Diegues, poeta

Edelson Nagues, poeta

Edir Pina de Barros, poeta e antropóloga

Eduardo Tornagui, artista

Edvaldo Santana, cantor, músico e compositor

Elson Fróes, poeta e tradutor

Ewaldo Schleder, poeta e jornalista 

Fabíola Ramon, psicanalista

Fabrício Marques, poeta e jornalista

Fátima Pinheiro, poeta e psicanalista

Fatima Ribeiro, cantora e declamadora de poesia

Fernando Ramos, poeta e compositor

Flaviano Maciel Vieira, poeta e professor

Francisco dos Santos, poeta, editor e artista plático

Gerusa Leal, poeta e professora

Guilherme Delgado, poeta e tradutor

Helena Dabul, artista plástica e professora

Henrique Duarte Neto, poeta e professor

Iolanda Costa, poeta e professora

Isabel Cristina Corgosinho, poeta e professora

Isadora Salazar, escritora

Ismar Lemes, escritor

Izabella Zanchi, artista plástica

Jade Luísa, poeta e atriz

Jorge Amâncio, poeta e professor

José Couto, poeta

Liana Cardoso Soares, artista plástica

Liana Timm, poeta e artista multimídia

Linaldo Guedes, poeta e jornalista

Líria Porto, poeta

Loreley Haddad de Andrade, professora

Lucas Zaparolli de Agustini, doutor em Estudos da Tradução (USP)

Luci Collin, escritora

Luciana Barreto, poeta e professora

Magdalena Maria de Almeida,historiadora

Marceli Andresa Becker, poeta e professora de filosofia

Marcelo Sahea, poeta

Marcelo Torres, poeta

Marcos Pamplona, escritor

Mari Quarentei, poeta, artista plástica, terapeuta corporal

Maria Marta Nardi, poeta e professora

Márcia Barbieri, escritora

Márcia Denser, escritora

Márcia Tigani, médica psiquiatra e escritora

Maria José Silveira, escritora

Mário Bortolotto, ator, diretor, dramaturgo

Marli Silva Fróes, poeta e professora

Mazé Leite, artista plástica

Myriam Ávila, professora e ensaísta

Nara Fontes, poeta e engenheira civil

Noélia Ribeiro, poeta

Nicollas Ranieri, poeta

Nilton Cerqueira, poeta

Ofélia Broch, pós-graduada em História e Geografia pela FFLCH da USP, funcionária pública aposentada

Paola Schroeder, poeta e artista visual 

Paulo Roberto Jesus, poeta e servidor público aposentado

Paulo Sandrini, poeta e professor

Rafffaela Sanches, professora

Ricardo Corona, poeta, editor, tradutor

Rita Coitinho, socióloga e escritora

Rodrigo Duarte, professor

Rodrigo Garcia Lopes, poeta, tradutor e romancista

Rogério Barbosa Silva, professor

Ronald Polito, poeta, tradutor e professor

Rosane Raduan, ecóloga

Sandro Silva, poeta

Sérgio Medeiros, poeta, tradutor e professor 

Tadeu Braga, médico e poeta

Vânia Soares de Magalhães, historiadora e poeta

Vera Malaco, professora

Ziul Serip, poeta

Yonaré Barros, poeta e professor

domingo, 13 de fevereiro de 2022

APOIE A LUTA DO MST!

 










Os trabalhadores rurais do assentamento Ondina Dias, situado no município de Nova Venécia, na região norte do Espírito Santo, reúne 56 famílias e foi afetado de maneira severa pelas chuvas, que causaram a destruição de moradias, camas, lençóis, travesseiros e outras posses dos acampados. Para a aquisição de novas barracas, dar apoio material e prestar solidariedade a esses trabalhadores que lutam pela reforma agrária, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e as companheiras Elaine Dias Cruz e Luciana Bernardes, que iniciaram a campanha, solicitam que sejam feitas doações, conforme os dados bancários abaixo. Grato pelo apoio de todos e todas!

PIX do Hudson

hudison.vialetto@gmail.com

Conta da Elaine Dias Cruz

Agência 0556

Operação  013

Conta 00015673-1 

CPF 132.304.367-50

O comprovante de depósito pode ser enviado para o e-mail elainemorena50@gmail.com.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

UM POEMA DE LAURA RIDING


 









ELEGIA NUMA TEIA DE ARANHA

O que dizer enquanto a aranha 

Dizer enquanto a aranha o que 

Enquanto a aranha a aranha o que 

A aranha faz que o que 

Faz que faz que morre não faz 

Não vive e então não 

Pernas pernas e então nenhuma 

Enquanto a aranha faz morre 

Morte aranha morte 

Ou não a aranha ou 

O que dizer enquanto 

Dizer sempre 

Morte sempre 

O morrer de sempre 

Ou viva ou morta 

O que dizer enquanto eu 

Enquanto eu ou a aranha 

Não eu e eu o que 

Faz o que faz morre 

Não enquanto a aranha morre 

Morte aranha morte 

Morte sempre eu 

Morte antes do sempre 

Morte depois do sempre 

Morta ou viva 

Agora e sempre 

O que dizer agora 

Agora e sempre 

O que dizer agora 

Agora enquanto a aranha 

O que faz a aranha 

A aranha o que morre 

Morre enquanto então enquanto 

Então sempre morte sempre 

O morrer de sempre 

Sempre agora eu 

O que dizer enquanto eu

Enquanto eu o que 

Enquanto eu digo 

Enquanto a aranha 

Enquanto eu sempre 

Morte sempre 

Enquanto morte o que 

Morte eu digo diga 

Morta aranha não importa 

Que meticulosa morte 

Viva ou morta 

Morta não importa 

Que meticulosa eu 

O que dizer enquanto 

Enquanto quem enquanto a aranha 

Enquanto a vida enquanto o espaço 

O morrer de oh que pena 

Pobre quão meticulosa morre 

Realidade não importa 

Morte sempre 

O que dizer 

Enquanto quem 

Morte sempre 

Enquanto a morte enquanto a aranha 

Enquanto eu quem eu 

O que dizer enquanto 

Agora antes depois sempre 

Quando então a aranha o que 

Dizer o que enquanto agora 

Pernas pernas então nenhuma 

Enquanto a aranha 

Morte aranha morte 

A gênia que não consegue parar de saber 

O que dizer enquanto a aranha 

Enquanto eu disser 

Enquanto eu ou a aranha 

Viva ou morta o morrer de 

Quem não consegue parar de saber 

Quem morte quem eu 

A aranha quem enquanto 

O que dizer enquanto 

Quem não consegue parar 

Quem não pode 

Não pode parar 

Parar 

Não pode 

A aranha 

Morte 

Eu 

Nós 

Os gênios 

Saber 

O que dizer enquanto a 

Quem não pode 

Enquanto a aranha o que 

O que faz morre 

Morte aranha morte 

Quem não pode 

Morte parar morte 

Para saber dizer o que 

Ou não a aranha 

Ou se eu disser 

Ou se eu não disser

Quem não pode parar de saber 

Quem conhecem os gênios.

Quem diz o eu

Quem ele nós não podemos

Morte parar morte

Para saber dizer eu

Oh pena pobre belezinha

Que meticulosos vida amor

Não importa espaço aranha

Que hórrida realidade

O que dizer enquanto

O que enquanto

Quem não pode

Como parar

O saber do sempre

Quem estes este espaço

Antes depois aqui

Vida agora minha cara

A cara amor a

As pernas reais enquanto

Que hora morte sempre

O que dizer então

Que hora a aranha

Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

sábado, 1 de janeiro de 2022

PRIMEIRO POEMA DE 2022

 








OSVALDÃO

 

Ele é vento;

pedra e vento

cobra e vento;

rio de tigres

ocelos de tigres

garras de tigres

invisíveis.

Ele é pássaro

canto de pássaro

tigre-pássaro

mais veloz

do que o vento

tigre-que-voa-

no vento.

Ele é preto,

assum-preto,

pássaro-tigre

mais preto

do que o vento.

Ele é chispa-

faísca que voa

no meio do mato;

voa-revoa no mato

no fundo do mato

pra longe dos longes

dos fundos do mato

como porco do mato.

Quem poderia

segurá-lo?

Quem poderia

prendê-lo?

Ninguém podia.

Ele é água

do rio;

ele é nuvem,

arco-íris,

dizem os ribeirinhos

em Xambioá.

Ele é santo?

Ele é demônio?

O negro forte

que dava conta

de vinte soldados

em cada mão;

ele é mágico?

Ele é Oxóssi,

atirador cuja flecha

sempre acerta

o alvo? Não.

Ele morreu, morreu?

Ele se encantou?

Ele esteve, está?

Ele foi um negro

pobre, como tantos

negros, tantos pobres;

ele foi um brasileiro, 

um comunista;

seu nome,

era o terror

de seus inimigos:

ele se chamava

Osvaldo, Osvaldão

do Araguaia.

 

2022