domingo, 26 de outubro de 2014

POEMA INÉDITO DE CLAUDIO DANIEL



UMA CHAMA QUE COMEÇA NO PUNHO[1]

(Poema para celebrar a vitória de Dilma)

I

estupor,
algo que cresce
por dentro
do punho
até as estrelas;

tinge o céu
noturno
de vermelho,

cor-
tumultuária

ou facho
de luz

com seu dialeto
açafrão,

com sua astúcia
de minério
e de flor.

II

música estranha
que invade
os ossos
e a pele,

se espraia
da nuca
aos tornozelos

COM A MAIS TONITRUANTE EUFORIA,

de fogo-fátuo
ou íbis
totêmico,

amor amarelo
ou explosão
do sol.

Claudio Daniel



[1] O título deste poema é uma linha da narrativa poética Nadja, de André Breton.  

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

COM A FORÇA DO POVO, É DILMA DE NOVO!


VAMOS COMPARAR?


REMÉDIO DE AÉCIO NEVES PARA A ECONOMIA SERÁ CATASTRÓFICO, DIZ PROFESSOR DA UNICAMP



Em artigo publicado no site Brasil Debate, o economista Eduardo Fagnani, que é professor do Instituto de Economia da Unicamp, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho (CESIT) e coordenador da rede Plataforma Política Social, diz que o remédio já divulgado por Aécio Neves (PSDB) para o Brasil será catastrófico para a economia do país.

Para ele, o conhecido “culto da austeridade” penalizou o Brasil nos anos 90 e a Europa sofre deste problema desde 2008. Fagnani também ressalta que  redução da inflação, ajuste fiscal e abertura comercial entre outros recursos da receita liberal amentarão as desigualdades sociais e o desemprego.

O professor também relembra a herança de Armínio Fraga, economista cultuado pelo PSDB e que deverá ser o ministro de Aécio Neves: “É bom lembrar aos mais jovens que Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no segundo mandato de FHC, deixou o Brasil (2002) com inflação quase três vezes acima da meta (12,5%), juros Selic superiores a 23% ao ano, dívida líquida quase duas vezes maior que a atual (em proporção do PIB), vulnerabilidade externa preocupante (reservas cambiais equivalentes a cerca de 10% do patamar de 2014) e taxa de desemprego mais que o dobro da vigente”, anota.

Veja abaixo o artigo:

Retrocesso conservador, Estado Mínimo e “desinformados” 

A volta do Estado Mínimo é apenas um dos retrocessos previsíveis no projeto neoliberal e anti-desenvolvimentista de Aécio Neves. Não há nada mais velho e antissocial do que o enganoso “culto da austeridade”, remédio clássico seguido no Brasil dos anos de 1990 e aplicado na Europa desde 2008 com resultados catastróficos.

Política econômica e política social são faces da mesma moeda. Não há como conciliar política econômica que concentre a renda e política social que promova a inclusão social.

O projeto de Aécio Neves é neoliberal, anti-desenvolvimentista e antissocial. Armínio Fraga (ministro da Fazenda de um eventual governo do PSDB) partilha da visão de que “a atual meta de inflação é muito alta”.

Prega a redução gradativa da meta atual (4,5% ao ano), Banco Central independente, gestão ortodoxa do “tripé macroeconômico”, forte ajuste fiscal, desregulação econômica, abertura comercial e câmbio flutuante. Essa opção aprofundará as desigualdades sociais.

A redução da meta de inflação requer juros elevados (no governo FHC, atingiu mais de 40% ao ano). A primeira consequência é a recessão econômica, afetando a geração de emprego e a ampliação da renda do trabalho – a mais efetiva das políticas de inclusão social e redução da desigualdade.

O ajuste recessivo implícito ampliará o desemprego e inviabilizará o processo em curso de valorização gradual do salário mínimo, reduzindo a renda dos indivíduos, o que realimentará ciclo perverso da recessão.

A segunda consequência da alta dos juros é a explosão da dívida pública (como ocorreu nos anos de 1990, quando passou de 30% para 60% do PIB em apenas oito anos). Os gastos para pagar parte dos juros poderão retornar para patamares obscenos (chegou a 9% do PIB nos anos de 1990), exigindo ampliação do superávit primário, o que restringirá o gasto social, agravando o ajuste recessivo.

Essa receita clássica é incompatível com políticas sociais universais que garantam direitos de cidadania, cujo patamar de gastos limita o ajuste fiscal. Promessas de campanha não serão cumpridas e novas rodadas de reformas para suprimir esses direitos voltarão para o centro do debate. A única “política social” possível é a focalização nos “mais pobres”, cerne do Estado Mínimo.

Para essa corrente, o “desenvolvimento social” prescinde da geração de emprego, renda do trabalho, valorização do salário mínimo e políticas sociais universais. Sequer o crescimento da economia é necessário. Apenas políticas focalizadas são suficientes para alcançar o “bem-estar” social.

Essa suposta opção pelos pobres escamoteia o que, de fato, está por trás de objetivos tão nobres: políticas dessa natureza são funcionais para o ajuste macroeconômico ortodoxo. As almas caridosas do mercado reservam 0,5% do PIB para a promoção do “bem-estar”.

Para os adeptos do Estado Mínimo, ao Estado cabe somente cuidar da educação básica (“igualdade de oportunidades”) da população que se encontra “abaixo da linha de pobreza”, arbitrada pelos donos da riqueza. Os que “saíram da pobreza” devem buscar no mercado privado a provisão de bens e serviços de que necessitam.

Essa “estratégia única” abre as portas para a privatização e mercantilização dos serviços sociais. Não causa surpresa que um conhecido economista do PSDB defenda que a universidade pública deve ser paga.

A volta do Estado Mínimo é apenas um dos retrocessos facilmente previsíveis. Não há nada mais velho e antissocial do que o enganoso “culto da austeridade”, remédio clássico seguido no Brasil dos anos de 1990 e que está sendo aplicado na Europa desde 2008 com resultados catastróficos (na opinião de Paul Krugman, crítico insuspeito).

Tem razão o economista Ha-Joon Chang (Cambridge University) quando afirma que a “a crise financeira global de 2008 tem sido um lembrete brutal que não podemos deixar a nossa economia para economistas profissionais e outros tecnocratas.”

É bom lembrar aos mais jovens que Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no segundo mandato de FHC, deixou o Brasil (2002) com inflação quase três vezes acima da meta (12,5%), juros Selic superiores a 23% ao ano, dívida líquida quase duas vezes maior que a atual (em proporção do PIB), vulnerabilidade externa preocupante (reservas cambiais equivalentes a cerca de 10% do patamar de 2014) e taxa de desemprego mais que o dobro da vigente.


Na primeira década do século 21, o Brasil logrou importantes progressos sociais. Os fatores determinantes para alcançar aqueles progressos foram o crescimento da economia e a melhor conjugação entre objetivos econômicos e sociais.

Após mais de duas décadas, o crescimento voltou a ter espaço na agenda macroeconômica, com consequências na impulsão do gasto social e do mercado de trabalho, bem como na potencialização dos efeitos redistributivos da Seguridade Social fruto da Constituição de 1988.

Essa melhor articulação de políticas econômicas e sociais contribuiu para a melhora dos indicadores de distribuição da renda do trabalho, mobilidade social, consumo das famílias e redução da miséria extrema.

De forma inédita, conciliou-se crescimento do PIB (e da renda per capita) com redução da desigualdade social. O Brasil saiu do Mapa da Fome e mais de 50 milhões de “desinformados” (na visão do ex-presidente FHC) deixaram a pobreza extrema.

Em suma, o que está em jogo é uma disputa entre: o retrocesso ou o aprofundamento das conquistas sociais recentes; a concentração da riqueza ou o enfrentamento das múltiplas faces da crônica questão social brasileira; os interesses dos gênios da política ou dos “desinformados”, historicamente deserdados. (Brasil Debate)

FONTE: http://cartacampinas.com.br/2014/10/para-professor-da-unicamp-remedio-de-aecio-neves-sera-catastrofico-para-a-economia/

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

POR QUE A CANDIDATURA DE AÉCIO NÃO CONVENCE NINGUÉM?



 
 
a) porque ele não apresenta nenhuma proposta concreta, apenas agressões

b) porque seu governo não investiu na saúde, demitiu professores, perseguiu jornalistas e está envolvido na corrupção do "mensalão mineiro" e na construção de um aeroporto na fazenda de seu tio

c) porque é um playbloy alcoólatra, que bate em mulher e vive em baladas no Rio de Janeiro

d) porque, quando foi senador, não apresentou NENHUM projeto no Congresso Nacional

e) porque votou a favor da "flexibilização das leis trabalhistas" durante a Assembleia Nacional Constituinte

f) porque é apoiado pelos setores mais atrasados do país -- racistas, homofóbicos, evangélico-fascistas, generais de pijama, banqueiros e reacionários em geral

g) porque Aécio Neves se resume ao antipetismo; não tem nenhum conteúdo relevante além de ser "oposição ao PT"

h) todas as alternativas anteriores

PROVAS DA COMPRA DE VOTOS NA REELEIÇÃO DE FHC ERAM "CABAIS", AFIRMA JORNALISTA



 

 Em vídeo, o jornalista Fernando Rodrigues, à época na Folha de S. Paulo, conta como coletou durante quatro meses dados sobre o esquema de corrupção envolvendo o governo tucano. Ele garante que as informações seriam suficientes para que as autoridades tomassem alguma providência. Ninguém foi sequer investigado


Fernando Rodrigues, em entrevista cedida à equipe do documentário O Mercado de Notícias, crava: existiam, sim, “provas cabais”, denunciadas pela Folha de S. Paulo, da compra de votos no Congresso para garantir a reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1997. “Isso era um fato. Vários jornalistas sabiam. (…) As provas eram incontestáveis. Os deputados diziam [em conversas gravadas] como recebiam o dinheiro, quem pagou e quanto foi”, acrescentou.

O jornalista responsável pela reportagem explica, no vídeo abaixo, como conseguiu juntar as informações que culminaram em um dos maiores escândalos da gestão de FHC. Segundo Rodrigues, a estratégia foi entrar em contato com os deputados que demonstravam ter mais caráter e que possivelmente não entrariam no esquema e pedir que eles gravassem as reuniões com os demais parlamentares. Esse processo levou quatro meses para ser concluído, mas resultou, de acordo com Fernandes, em uma coleta de dados que seriam o bastante para que as autoridades tomassem alguma providência.

“O que era necessário na época era que se abrisse um inquérito e um processo na Procuradoria-Geral da República. Mas a CPI não foi instaurada, pois a iniciativa da oposição foi abafada. Os deputados envolvidos imediatamente renunciaram ao mandato e desapareceram”, lembrou Rodrigues. Poucos meses depois de ajudar a enterrar a CPI, o PMDB conseguiu emplacar dois ministros no primeiro escalão de FHC: Iris Rezende, que virou titular da Justiça, e Eliseu Padilha, dos Transportes. “O procurador-geral de Justiça, Geraldo Brindeiro, disse que não havia indícios de nada e não abriu inquérito. Indícios não tinha, mesmo. Tinham provas!”

Apontar ganhador no debate da Record entre Dilma e Aécio no último domingo depende da filiação ou da simpatia partidária de cada um. Claro que cada lado terá seus argumentos sobre o que disse seu candidato para que fosse vencedor, mas, para o eleitor indeciso – que é o alvo dos debates e das campanhas neste momento –, não deve ter havido vencedor.

Este Blog, porém, tem opinião sobre o que viu. E, de tudo que foi visto, recolheu ao menos uma informação eloquente para que o leitor enxergue melhor quem se opõe a Dilma.

A numeralha e os termos técnicos são absolutamente inacessíveis para a população em geral. Isso sem falar que Aécio usa mentiras. Por exemplo, ao dizer que todos os indicadores sociais do Brasil vêm caindo. É mentira, vêm subindo há mais de uma década. Mas o tucano não pretende falar a verdade; seu objetivo é dar ares de verdade às próprias mentiras.
Aécio afirmou que Dilma não tem responsabilidade por investigações de corrupção, de modo que as milhares de operações da PF nos governos dela e de Lula, por exemplo, não seriam mérito dos dois. Mentiu de novo.

Sim, o governo pode permitir ou bloquear investigações. Como Dilma lembra sempre, no governo FHC chegava-se a transferir delegados da PF que investigavam “mais do que deviam”. E, ao nomear o primo do vice-presidente Marco Maciel como Procurador Geral da República, o ex-presidente tucano agiu para impedir “problemas” com o único órgão que poderia investigá-lo.

Contudo, além de manter um único procurador-geral da República em seu governo de 8 anos, e ainda um PGR que era parente de seu vice, FHC ainda tentou resguardar-se contra problemas futuros com a lei, pois nem ele acreditava que Lula assumiria e colocaria uma pedra sobre o passado.

Poucos se lembram disso, mas FHC tentou colocar no Supremo Tribunal Federal o homem que, durante oito longos anos, tratou de impedir toda e qualquer investigação sobre o governo federal, à diferença do que fariam Lula e, depois, Dilma, os quais nomearam para a Procuradoria sempre o nome indicado pelo Ministério Público.
E, repito, foram 3 PGR’s em 8 anos de Lula e 2 em 4 anos de Dilma contra 1 durante os 8 anos de FHC. É assim, como Lula e Dilma, que se combate a corrupção; é assim, como FHC, que se impede investigações de corrupção.

O ex-procurador-geral da República de FHC, Geraldo Brindeiro, primo do então vice-presidente Marco Maciel, livrou a cara de FHC várias vezes. Uma delas foi no caso da compra de votos para a reeleição do tucano, que o jornalista da Folha de SP Fernando Rodrigues considerou que foi inquestionavelmente corrupção envolvendo o governo tucano.

Veja, abaixo, vídeo em que Rodrigues fala sobre o caso.

Alguém foi sequer processado? Houve investigação? Nenhuma. Sabe por que, leitor? Porque FHC impediu. Ou melhor, o despachante que pôs na Procuradoria impediu.

O caso ao qual você viu o repórter da Folha se referir foi sumariamente engavetado por Geraldo Brindeiro. Se tivéssemos uma Procuradoria como as de Lula e Dilma, talvez o ex-presidente tucano estivesse saindo hoje da cadeia.

Devido a tão bons serviços prestados por Brindeiro, FHC tratou de tentar colocá-lo no STF, além de ter colocado Gilmar Mendes pouco antes para fazer o servicinho que vem fazendo para o PSDB ao longo dos anos. Porém, o tucano não conseguiu. Com a derrota de Serra para Lula, FHC tornou-se um “lame duck” e não teve força para dar sobrevida ao seu engavetador.

Abaixo, matéria do jornal O Estado de São Paulo de 2 de setembro de 2002 que mostra a manobra que FHC tentou para prolongar a vida útil do engavetador-geral da República, quem, ao lado de uma Polícia Federal manietada, impediu que qualquer das muitas falcatruas daquele governo fosse investigada.


TODOS OS HOMENS DO PROPINODUTO TUCANO



 

 Quem são e como operam as autoridades ligadas aos tucanos investigadas pela participação no esquema que trafegou por governos do PSDB em São Paulo

Alan Rodrigues, Pedro Marcondes de Moura e Sérgio Pardellas


Na última semana, as investigações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Ministério Público mostraram a abrangência nacional do cartel na área de transporte sobre trilhos. A tramoia, concluíram as apurações, reproduziu em diversas regiões do País a sistemática observada em São Paulo, de conluio nas licitações, combinação de preços superfaturados e subcontratação de empresas derrotadas. As fraudes que atravessaram incólumes 20 anos de governos do PSDB em São Paulo carregam, no entanto, peculiaridades que as diferem substancialmente das demais que estão sendo investigadas pelas autoridades. O esquema paulista distingue-se pelo pioneirismo (começou a funcionar em 1998, em meio ao governo do tucano Mário Covas), duração, tamanho e valores envolvidos – quase meio bilhão de reais drenados durante as administrações tucanas. Porém, ainda mais importante, o escândalo do Metrô em São Paulo já tem identificada a participação de agentes públicos ligados ao partido instalado no poder. Em troca do aval para deixar as falcatruas correrem soltas e multiplicarem os lucros do cartel, quadros importantes do PSDB levaram propina e azeitaram um propinoduto que desviou recursos públicos para alimentar campanhas eleitorais.

Ao contrário do que afirmaram o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador José Serra na quinta-feira 15, servidores de primeiro e segundo escalões da administração paulista envolvidos no escândalo são ligados aos principais líderes tucanos no Estado. Isso já está claro nas investigações. Usando a velha e surrada tática política de despiste, Serra e FHC afirmaram que o esquema não contou com a participação de servidores do Estado nem beneficiou governos comandados pelo PSDB. Não é o que mostram as apurações do Ministério Público e do Cade. Pelo menos cinco autoridades envolvidas na engrenagem criminosa, hoje sob investigação por terem firmado contratos irregulares ou intermediado o recebimento de suborno, atuaram sob o comando de dois homens de confiança de José Serra e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin: seus secretários de Transportes Metropolitanos. José Luiz Portella, secretário de Serra, e Jurandir Fernandes, secretário de Alckmin, chefiaram de perto e coordenaram as atividades dos altos executivos enrolados na investigação. O grupo é composto pelos técnicos Décio Tambelli, ex-diretor de operação do Metrô e atualmente coordenador da Comissão de Monitoramento das Concessões e Permissões da Secretaria de Transportes Metropolitanos, José Luiz Lavorente, diretor de Operação e Manutenção da CPTM, Ademir Venâncio, ex- diretor de engenharia da estatal de trens, e os ex-presidentes do metrô e da CPTM, José Jorge Fagali e Sérgio Avelleda.
Segundo documentos em poder do CADE e Ministério Público, estes cinco personagens, afamados como bons quadros tucanos, se valeram de seus cargos nas estatais paulistas para atender, ao mesmo tempo, aos interesses das empresas do cartel na área de transporte sobre trilhos e às conveniências políticas de seus chefes. Em troca de benefícios para si ou para os governos tucanos, forneciam informações privilegiadas, direcionavam licitações ou faziam vista grossa para prejuízos milionários ao erário paulista em contratos superfaturados firmados pelo metrô. As investigações mostram que estes técnicos do Metrô e da CPTM transitaram pelos governos de Serra e Alckmin operando em maior ou menor grau, mas sempre a favor do esquema.
Um dos destaques do quinteto é José Luiz Lavorente, diretor de Operação e Manutenção da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Em um documento analisado pelo CADE, datado de 2008, Lavorente é descrito como o encarregado de receber em mãos a propina das empresas do cartel e distribuí-las aos políticos do PSDB e partidos aliados. O diretor da CPTM é pessoa da estrita confiança de Alckmin. Foi o governador de São Paulo que o promoveu ao cargo de direção na estatal de trens, em 2003. Durante o governo Serra (2007-2008), Lavorente deixou a CPTM, mas permaneceu em cargos de comando da estrutura administrativa do governo como cota de Alckmin. Com o regresso de Alckmin ao Palácio dos Bandeirantes, em 2011, Lavorente reassume o posto de direção na CPTM. Além de ser apontado como o distribuidor da propina aos políticos, Lavorente responde uma ação movida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que aponta superfaturamento e desrespeito à lei de licitações. O processo refere-se a um acordo fechado por meio de um aditivo, em 2005, que possibilitou a compra de 12 trens a mais do que os 30 licitados, em 1995 e só seria valido até 2000.
O ex-diretor de Operação do Metrô e atualmente coordenador da Comissão de Monitoramento das Concessões e Permissões da secretaria de Transportes Metropolitanos, Décio Tambelli, é outro personagem bastante ativo no esquema paulista. Segundo depoimentos feitos por ex-funcionários da Siemens ao Ministério Público de São Paulo, Tambelli está na lista dos servidores que receberam propina das companhias que firmaram contratos superfaturados com o metrô e a CPTM. Tambelli é muito próximo do secretário de Transportes, Jurandir Fernandes. Foi Fernandes que o alçou ao cargo que ocupa atualmente na administração tucana. Cabe a Tambelli, apesar de estar na mira das investigações, acompanhar e fiscalizar o andamento da linha quatro do metrô paulista, a primeira obra do setor realizada em formato de parceria público-privada. Emails obtidos por ISTOÉ mostram que, desde 2006, Tambelli já agia para defender e intermediar os interesses das empresas integrantes do cartel. Na correspondência eletrônica, em que Tambelli é mencionado, executivos da Siemens narram os acertos entre as companhias do cartel no Distrito Federal e sugerem que o acordo lá na capital seria atrelado “à subcontratação da Siemens nos lotes 1+2 da linha 4” em São Paulo. “O Ramos (funcionário do conglomerado francês Alstom) andou dizendo ao Décio Tambelli do metrô SP, que não pode mais subcontratar a Siemens depois do caso Taulois/Ben-hur (episódio em que a Siemens tirou técnicos da Alstom para se beneficiar na pontuação técnica e vencer a licitação de manutenção do metrô de Brasília)”, dizia o e-mail trocado entre os funcionários da Siemens.
Outro homem do propinoduto tucano que goza da confiança de Jurandir Fernandes e de Alckmin é Sérgio Avelleda. Ele foi nomeado presidente do Metrô em 2011, mas seu mandato durou menos de um ano e meio. Avelleda foi afastado após a Justiça atender acusação do Ministério Público de improbidade administrativa. Ele era suspeito de colaborar em uma fraude na concorrência da Linha 5 do Metrô, ao não suspender os contratos e aditamentos da concorrência suspeita de formação de cartel. “Sua permanência no cargo, neste atual momento, apenas iria demonstrar a conivência do Poder Judiciário com as ilegalidades praticadas por administradores que não respeitam as leis, a moral e os demais princípios que devem nortear a atuação de todo agente público”, decretou a juíza Simone Gomes Casorretti, ao determinar sua demissão. Após a saída, Avelleda obteve uma liminar para ser reconduzido ao cargo e pediu demissão. Hoje é consultor na área de transporte sobre trilhos e presta serviços para empresas interessadas em fazer negócios com o governo estadual.
De acordo com as investigações, quem também ocupou papel estratégico no esquema foi Ademir Venâncio, ex-diretor da CPTM. Enquanto trabalhou na estatal, Venâncio cultivou o hábito de se reunir em casas noturnas de São Paulo com os executivos das companhias do cartel para fornecer informações internas e acertar como elas iriam participar de contratos com as empresas públicas. Ao deixar a CPTM, em meados dos anos 2000, ele resolveu investir na carreira de empresário no setor de engenharia. Mas nunca se afastou muito dos governos do PSDB de São Paulo. A Focco Engenharia, uma das empresas em que Venâncio mantém participação, amealhou, em consórcios, pelo menos 17 consultorias orçadas em R$ 131 milhões com as estatais paulistas para fiscalizar parcerias público-privadas e andamento de contratos do governo de Geraldo Alckmin. Outra companhia em nome de Venâncio que também mantém contratos com o governo de São Paulo, o Consórcio Supervisor EPBF, causa estranheza aos investigadores por possuir capital social de apenas R$ 0,01. O Ministério Público suspeita que a contratação das empresas de Venâncio pela administração tucana seja apenas uma cortina de fumaça para garantir vista grossa na execução dos serviços prestados por empresas do cartel. As mesmas que Venâncio mantinha relação quando era servidor público.
A importância da secretaria Transportes Metropolitanos e suas estatais subordinadas, Metrô e CPTM, para o esquema fica evidente quando se observa a lógica das mudanças de suas diretorias nas transições entre as gestões de Serra e Alckmin. Ao assumir o governo em 2007, José Serra fez questão de remover os aliados de Alckmin e colocar pessoas ligadas ao seu grupo político. Um movimento que seria revertido com a volta de Alckmin em 2011. Apesar dessa dança de cadeiras, todos os integrantes do esquema permaneceram em postos importantes das duas administrações tucanas. Quem sempre operou essas movimentações e trocas de cargos, de modo a assegurar a continuidade do funcionamento do cartel, foram os secretários de Transportes Metropolitanos de Serra e Alckmin, José Luiz Portella e Jurandir Fernandes.
Homem forte do governador Geraldo Alckmin, Fernandes começou sua trajetória política no PT de Campinas, interior de São Paulo. Chegou a ocupar o cargo de secretário municipal dos Transportes na gestão petista, mas acabou expulso do partido em 1993 e ingressou no PSDB. Por transitar com desenvoltura pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Jurandir foi guindado a diretor do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) em 2000. No ano seguinte, aproximou-se do então governador Alckmin, quando assumiu pela primeira vez o cargo de secretário estadual de Transportes Metropolitanos. Neste primeiro período à frente da pasta, tanto a CPTM quanto o Metrô firmaram contratos superfaturados com empresas do cartel. Quando Serra assume o governo paulista em 2007, Jurandir é transferido para a presidência da Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano), responsável pela formulação de políticas públicas para a região metropolitana de São Paulo. Com o retorno de Alckmin ao governo estadual em 2011, Jurandir Fernandes também volta ao comando da disputada pasta. Nos últimos dias, o secretário de Transportes tem se esforçado para se desvincular dos personagens investigados no esquema do propinoduto. Fotos obtidas por ISTOÉ, no entanto, mostram Jurandir Fernandes em companhia de Lavorente e de lobistas do cartel durante encontro nas instalações da MGE Transporte em Hortolândia, interior de São Paulo. Um dos fotografados com Fernandes é Arthur Teixeira que, segundo a investigação, integra o esquema de lavagem do dinheiro da propina. Teixeira, que acompanhou a solenidade do lado do secretário Fernandes, nunca produziu um parafuso de trem, mas é o responsável pela abertura de offshores no Uruguai usadas pelo esquema. Outro companheiro de solenidades flagrado com Fernandes é Ronaldo Moriyama ex-diretor da MGE, empresa que servia de intermediária para o pagamento das comissões às autoridades e políticos. Moriyama é conhecido no mercado ferroviário por sua agressividade ao subornar diretores do Metrô e CPTM, segundo depoimentos obtidos pelo Ministério Público.
No governo Serra, quem exercia papel político idêntico ao de Jurandir Fernandes no governo Alckmin era o então secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella. Serrista de primeira hora, ele ingressou na vida pública como secretário na gestão Mário Covas. Portelinha, como é conhecido dentro do partido, é citado em uma série de e-mails trocados por executivos da Siemens. Num deles, Portella, assim como Serra, sugeriram ao conglomerado alemão Siemens que se associasse com a espanhola CAF em uma licitação para compra de 40 novos trens. O encontro teria ocorrido em um congresso internacional sobre ferrovias realizado, em 2008, na cidade de Amsterdã, capital da Holanda. Os dois temiam que eventuais disputas judiciais entre as companhias atrasassem o cronograma do projeto. Apesar de o negócio não ter se concretizado nestas condições, chama atenção que o secretário sugerisse uma prática que resulta, na maioria das vezes, em prejuízos aos cofres públicos e que já ocorria em outros contratos vencidos pelas empresas do cartel. Quem assinava os contratos do Metrô durante a gestão de Portella era José Jorge Fagali, então presidente do órgão. Ex-gerente de controle da estatal, ele teve de conviver com questionamentos sobre o fato de o seu irmão ser acusado de ter recebido cerca de US$ 10 milhões da empresa francesa Alstom. A companhia, hoje envolvida nas investigações do cartel, é uma das principais vencedoras de contratos e licitações da empresa pública.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O QUE FOI A PRIVATARIA TUCANA (PENSE NISTO ANTES DE VOTAR)



“Em 1996, a Companhia Vale do Rio Doce estava na lista das empresas a serem privatizadas, mas a descoberta de uma jazida de ouro no Pará ameaçava melar a futura negociação. Ficaria mais difícil torrar a segunda mineradora do mundo com 40 empresas e faturamento de US$ 2 bilhões / ano. Entrevistado, Serra mandou seu recado:

— A descoberta dessa mina não altera em nada o processo de privatização. Só o preço poderá ser maior – avisou o ministro do Planejamento de FHC.

(...)

 “O controle acionário da Vale foi vendido em maio de 1997, com direito a financiamento oficial subsidiado aos compradores e uso de moedas podres. Custou a bagatela de US$ 3,3 bilhões. Hoje, o mercado lhe atribui preço 60 vezes maior, ou seja, rondando os US$ 200 bilhões. A companhia foi privatizada de forma perversa, atribuindo-se valor zero às suas imensas reservas de minério de ferro, capazes de suprir a demanda mundial por 400 anos.”


“Na privatização da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), dos R$ 1,05 bilhão pagos pela maior siderúrgica da América latina e marco da industrialização nacional no pós-guerra, R$ 1 bilhão era formado por moedas podres. Nos cofres públicos só ingressaram, de verdade, R$ 38 milhões... e como se o incrível habitasse o inacreditável, as moedas podres foram leiloadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDS. Nesta matrioshka na qual as aberrações brotam uma a uma do interior da outra, o BNDS ainda financiou a aquisição das moedas podres com prazo de 12 anos para pagá-las.”


“Na privatização da Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa), o governo de São Paulo, sob o PSDB de Mário Covas, demitiu dez mil funcionários e assumiu a responsabilidade pelos 50 mil aposentados da ferrovia! No Rio, o também tucano Marcelo Alencar realizou proeza maior: vendeu o BANERJ para o Itaú por R$ 330 milhões, mas antes da privatização demitiu 6,2 mil dos 12 mil funcionários do banco estadual.”


“O resultado disso é que, em dezembro de 1998, quando já haviam sido leiloadas grandes empresas como Vale, Embraer, Usiminas, Copesul, CSN, Light, Acesita e as ferrovias, havia um descompasso entre a expectativa e realidade. Enquanto o governo FHC afirmava ter arrecadado R$ 85,2 bilhões no processo, o jornalista Aloysio Biondi publicava no seu best-seller O Brasil privatizado que o país pagara para vender suas estatais. Este pagamento atingira R$ 87,6 bilhões, portanto R$ 2,4 bilhões A MAIS do que recebera.”

(Amaury Jr., em A PRIVATARIA TUCANA)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

FALHA DE S. PAULO: NÃO DÁ PARA LER!



Estimad@s, como talvez vocês saibam, o colunista Xico Sá deixou o jornal Folha de S. Paulo – também conhecido como FALHA de S. Paulo – após ser proibido de expressar livremente a sua opinião, em apoio à candidatura de Dilma, numa clara violação à liberdade de pensamento imposta pela direção do jornal de propriedade da família Frias – aquela que apoiou a ditadura militar e emprestou seus veículos para as forças de repressão. Não é o primeiro caso de censura interna seguida de demissão, houve anteriormente caso similar com a Maria Rita Kehl, entre outros.

Tais fatos, de extrema gravidade, revelam a dimensão partidária assumida pela chamada “grande imprensa”, que procura impor à sociedade um pensamento único, que não admite a diversidade, seja nas páginas de cultura, seja nas de política nacional e internacional. A grande mídia funciona como um partido político – o Partido da Imprensa Golpista, ou PIG – alinhado com os interesses políticos e econômicos de seus acionistas, notoriamente ligados à grande propriedade fundiária, ao capital financeiro e a um partido político, o PSDB.

Em função de tais interesses, que não são os da maioria da população brasileira, a mídia veicula as informações de modo claramente tendencioso, quando não mentiroso, ocultando casos de corrupção relacionados aos tucanos – como a PRIVATARIA TUCANA, que custou R$ 2,4 BILHÕES aos cofres públicos, conforme diz Aloysio Biondi no livro O Brasil privatizado, ao mesmo tempo que ataca diariamente, há 12 anos, os governos petistas, com provas ou sem provas, valendo-se de informações, falsas ou verdadeiras, obtidas com apoio de sua rede de influência no interior do STF, da Polícia Federal e do Ministério Público. A própria Maria Judith Brito, executiva da FALHA e presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) declarou, expressamente, que a mídia brasileira funciona como um partido político, dada a fragilidade política da oposição (https://www.facebook.com/photo.php?fbid=956638964362608&set=a.295354107157767.92531.100000495404457&type=1&theater).

Nesta situação, a mídia deixa de cumprir o que deveria ser o seu papel – o de informar os acontecimentos com objetividade e distanciamento partidário – para ser um fator de instabilidade das próprias instituições democráticas. O jornalista Altamiro Borges, no livro A ditadura da mídia, mostra como os grandes jornais – empresas capitalistas – atuaram para desestabilizar os governos democráticos de Salvador Allende no Chile, Isabelita Perón na Argentina e João Goulart no Brasil, para não estendermos demais a lista, que poderia incluir o apoio da Globovisión na Venezuela à tentativa de golpe de estado contra o governo eleito de Hugo Cháves.

Diante desses fatos, proponho uma campanha de boicote ao jornal Folha de S. Paulo, num gesto político coletivo de repúdio, na forma de CANCELAMENTO DA ASSINATURA.

Se você não tem assinatura do jornaleco, mas conheça alguém que assine, em sua família, escola ou local de trabalho, convença-o(a) a cancelar a assinatura, sugerindo outros veículos, impressos ou eletrônicos, como a Carta Capital, Brasil de Fato, Portal Vermelho, Carta Maior, Opera Mundi etc.

Quem estiver de acordo com a campanha poderá também copiar o texto desta mensagem e transmitir aos seus amigos e contatos de e-mail.

FALHA DE S. PAULO: NÃO DÁ PARA LER!

Há braços,

Claudio Daniel

sábado, 11 de outubro de 2014

RETRATO DO ARTISTA

 

A POÉTICA DO CUTELO EM JORGE LÚCIO DE CAMPOS

 Jorge Lúcio de Campos realiza uma pesquisa poética que valoriza as imagens inusitadas. Os objetos, retirados do uso cotidiano, são redesenhados como entes do imaginário, em versos breves, recortados, numa sintaxe de silêncio, fratura e ruído. A fala assimétrica, áspera, estabelece relações de espelhismo com a face da história, regida pelos signos da cicatriz e do corte. Todos esses vetores conceituais estão presentes na jornada criativa do autor carioca desde os primeiros títulos publicados, Arcangelo (1991), Speculum (1993) e Belvedere (que reúne poemas do autor escritos entre 1988 e 1993). Nesta sua primeira lírica, comparece o diálogo consciente com a fotografia, o desenho e a pintura, como na composição intitulada O belo pássaro decifra o desconhecido para um casal de namorados, dedicada a Joan Miró: “já contorcido / o desenho / se devora / (andorinhas / disfarçadas) / luvas e funis / ensaiam uma / dança erótica”, de humor discreto e sutil. Em outra peça desse período, intitulada Forgerie, temos uma quase ars poetica: “um fio de navalha / ceifa a vida nas / palavras de Tzara / ‘nossos nervos / são chicotes / entre as mãos / do tempo...’ ”, que realiza, em apenas sete linhas, o entrecruzamento de vida, literatura e história, marcadas pelo emblema da incisão, mutilação de cutelo. A dor da linguagem, publicado em 1996, revela o amadurecimento do projeto literário do poeta, que mantém a estratégia da extrema concisão e desfazimento da previsibilidade do discurso lírico, numa dicção seca, “faca só lâmina”, que ecoa, por vezes, a fala pedrosa de João Cabral de Melo Neto: “Se tudo digo no / metal pintado em /que me sinto – eu / mesmo, sem vento / e de novo, em / queda rubra / desde o início” (As férias de Hegel) . O eu lírico não é abolido, mas redimensionado, sem eloquência ou efusão memorialística, como ser de linguagem, numa operação antinarcísica, conforme a tradição inaugurada pela poesia crítica de Jules Laforgue e Tristan Corbière. A ironia, que abala a presumida seriedade lírica, está presente em diversas peças do livro, como por exemplo em O cão, a chuva, dedicada ao poeta sérvio Vasko Popa: “nada quero propor -- / mesmo que não vá / a parte alguma / na verdade não / importa: mais ou / menos em torno / deveria latir e / ninguém ligaria”.  Em outra peça do volume, a aniquilação irônica do eu é ainda mais incisiva: “Mais do que uma / pedra lisa que aponta / para o que as partes / não completam / Emerge na planura / em que flutua / zero ele próprio / no infinito” (Vislumbre). Em À maneira negra, publicado em 1997, a dimensão plástica da poesia de Jorge Lúcio de Campos  atinge um grau mais elevado de tensão, em peças como Retrato de Regina num quimono preto: “Pouco a ver ou / a dizer daqueles / seios de Alechinsky -- / as coisas do mundo / a argila quente do dia. / Pouco a ver / ou a dizer daquele / queixo de Rodchenko / -- um eu-te-amo de / delírio reencontrado / (um pouco a língua e / a nuca por completo) / Ao redor daquelas / patas de Tanguy / só cabeça, tronco / e membros”, verdadeiro strip-tease poético construído a partir de relações imaginárias entre o corpo humano e um museu pessoal construído por obsessões. A ênfase metalinguística e o diálogo com outras linguagens artísticas não excluem a reflexão crítica sobre a realidade, o que notamos especialmente em Prática do azul, publicado em 2009, onde a tensão entre arte e vida ganha contornos quase expressionistas, como acontece no poema King Kong: “Naco de carne da noite / com seus dentes podres / (...) / Aos poucos, o / defeco / -- um gás / de guerra resfolega / em minhas ventas”.

(Artigo publicado na edição de outubro na revista CULT, na coluna RETRATO DO ARTISTA.)

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

COM DILMA, PELA DEMOCRACIA E MUDANÇA SOCIAL



O Brasil escolherá o seu destino nas eleições de 26 de outubro.´

 Há dois projetos políticos em disputa: o primeiro, liderado por Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), em aliança com o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e outras forças políticas, representa a continuidade do processo de mudanças sociais iniciado no Brasil com a vitória de Luís Inácio Lula da Silva, em 2002.

 É o projeto do desenvolvimento econômico soberano com distribuição da riqueza e justiça social, que retirou 32 milhões de brasileiros da situação de miséria em apenas 12 anos e obteve resultados notáveis na erradicação da fome do país, ações reconhecidas internacionalmente.

 É o caminho da inclusão social, de programas educacionais como o Pronatec, Prouni, FIES, Ciência sem Fronteiras, de programas de saúde como o Mais Médicos e o Farmácia Popular e de programas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida.
 
É o caminho da soberania nacional e integração internacional, do fortalecimento de mecanismos de integração regional na América Latina, como o Mercosul, Unasul, Celalc, e da participação, ao lado da Rússia, Índia, China e África do Sul no bloco dos BRICs, rumo a uma nova ordem internacional, multipolar.

 O segundo projeto político que participa dessas eleições é liderado por Aécio Neves, do Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB), que apesar do nome é uma agremiação de direita, que representa os interesses do grande capital financeiro, da oligarquia rural, dos grandes veículos de comunicação e dos setores mais atrasados e reacionários da vida política nacional.

 É o projeto da PRIVATARIA TUCANA, que ao longo dos oito anos de desgoverno neoliberal de Fernando Henrique Cardoso transferiu para o capital estrangeiro algumas das mais lucrativas e estratégicas empresas estatais brasileiras, como a Companhia Vale do Rio Doce, a Companhia Siderúrgica Nacional, a Embraer e a Telebrás, a preços muito abaixo de seu valor de mercado. Os próximos alvos do PSDB é a Petrobrás (por isso mesmo a empresa é atacada diariamente na mídia), o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, os Correios e o BNDS, responsável por programas sociais como o Minha Casa Minha Vida e pelo apoio ao micro e pequeno produtor.
 
É o projeto do arrocho salarial, do desemprego, dos juros altos, da concentração de renda e do desmonte das políticas públicas para a saúde e a educação.

 É o projeto de subordinação dos interesses nacionais à agenda política e econômica dos grandes centros financeiros internacionais, sobretudo dos Estados Unidos, que lançaram uma nova versão da ALCA, a Aliança do Pacífico, com o mesmo propósito de criação de uma zona de “livre mercado” na América Latina, em benefício da indústria norte-americana. Aécio Neves já declarou, publicamente, seu interesse em colocar o Brasil na órbita da Aliança do Pacífico.

 É o projeto de apoio à política intervencionista dos Estados Unidos no Oriente Médio e em outras regiões do globo, de sustentação do apartheid sionista nos territórios ocupados do povo palestino e de afastamento da política independente e soberana adotada por nossa diplomacia nos últimos doze anos.

Por todas estas razões, apoio DILMA ROUSSEFF para presidente do Brasil, pois apenas ela representa hoje a continuidade das mudanças sociais de que o país necessita, do crescimento econômico com soberania e distribuição de renda.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

TREZE MOTIVOS PARA VOTARMOS EM DILMA




  1) Dilma criou quatro universidades federais no Norte e Nordeste do país: a do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), do Oeste da Bahia (Ufob), do Sul da Bahia (Ufesba) e do Cariri (UFCA), no Ceará. Lula criou outras 14 universidades federais e o “professor-doutor” FHC, em oito anos de desgoverno neoliberal, não criou nenhuma universidade.

 2) Dilma criou o programa Ciência sem Fronteiras, responsável por cem mil vagas de mestrado e doutorado em universidades europeias e norte-americanas.

3) Dilma criou o Pronatec, que oferece cursos técnicos profissionalizantes a milhares de jovens.

4) Com Dilma, 22 milhões de brasileiros saíram da situação de miséria (32 milhões desde o início do governo Lula) e o Brasil deixou de figurar no mapa da fome da ONU.

 5)  Dilma destinou 75% dos lucros do pré-sal para a educação e 25% para a saúde, além de destinar 10% do PIB para a educação.

 6)  Dilma é responsável por uma das menores taxas de desemprego de nossa história, 4,5%. Na França, o índice é de 10%, em Portugal, 14%, na Espanha, 26% e na Grécia, 27%.

7) Dilma manteve a inflação sob controle – cerca de 4,5% ao ano, contra 36% ao mês, na época do desgoverno neoliberal de FHC.

 8) Dilma valorizou os salários (“altos demais” para economistas do P$$$DB, como Armínio Fraga) e manteve a legislação trabalhista, que os tucanos querem “flexibilizar”.

9) Dilma interrompeu o ciclo de privatizações criminosas dos tucanos – a PRIVATARIA TUCANA --, manteve a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e outras empresas estatais que seriam leiloadas a troco de banana pelo P$$$DB.

 10) Dilma manteve o Brasil próximo aos países do Mercosul e dos BRICs rumo a uma nova ordem política multipolar, enquanto os tucanos defendem o alinhamento político e econômico com os EUA.

11) Dilma aprovou o Marco Civil da internet, que é referência internacional, e denunciou na ONU a espionagem norte-americana.

12)  Dilma retirou o embaixador brasileiro de Tel Aviv durante a agressão sionista na Faixa de Gaza, condenou os ataques imperialistas à Síria, defendeu a soberania de Cuba e da Venezuela e manteve o Brasil fora da Aliança do Pacífico proposta pelos EUA como reedição da ALCA.

 13) O Brasil é hoje um país mais igualitário, com menos miséria, menos injustiças, mais solidário e soberano.

É Dilma presidente no primeiro turno, Suplicy no senado e Padilha governador!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

RETRATO DO ARTISTA


  
A VOZ INENFÁTICA DE RONALD POLITO

 Ronald Polito é um poeta raro em nossa literatura, capaz de traduzir um “sentimento de mundo” de náusea, desconforto e aturdimento numa lírica de pequenos gestos, inenfática, antirretórica, próxima a um voluntário silêncio. Solo (1996), seu primeiro livro publicado, revela a delicada ironia do autor no próprio título do volume, que faz um trocadilho entre o espaço geográfico e a solidão, entendida como a sensação de deslocamento num ambiente onde impera “o sem sentido / apelo do não”, como lemos na epígrafe de Carlos Drummond de Andrade. A negatividade é expressa em toda a sua dimensão de absurdo e perplexidade em uma notável composição intitulada Suporte: “São as aparências / (nem todo mundo vê) / (nem todo mundo fala) / (escuta) / (são as aparências) / (passa uma incógnita) / (está no ar) // (nunca estivemos aqui)”. Em oito linhas, num discurso fraturado, recortado, elíptico, o poeta comunica a sua incomunicabilidade, o desencontro com um outro não nomeado, evitando qualquer delimitação espacial ou temporal: o discurso é esvaziado ao mínimo possível de elementos, em reação a uma era em que impera o excessivo.  Em outra peça do volume, Ronald Polito representa o desencanto cético numa fala truncada que recorda as frases enigmáticas de uma pitonisa romana: “(um pouco porque sem saída) / passos quando não são pistas / (talvez como o fôlego falte) / janela aberta para o claustro / xadrez de pedras / poeira sobre a fruteira / (oh rosto roto) / uma cadeira / onde se sente / (ruga ranhura) / a ausência final / presente / (a parede em frente) / desapogeu.” Nesta composição, quase uma arte poética do autor, encontramos alguns de seus principais temas e procedimentos formais, entre eles o trocadilho irônico (“rosto roto”, “ruga ranhura”), o paradoxo (“a ausência afinal / presente”), o uso exclusivo da caixa baixa, a eliminação da pontuação e a mescla de elementos subjetivos e objetos prosaicos do cotidiano, que se entrecruzam em vários planos, à maneira cubista. 


Vaga (1997), seu segundo livro publicado, que apresenta na capa um trabalho da artista plástica Fani Bracher, é ainda mais concentrado, como se o poeta intentasse realizar, com palavras, algo próximo à música de silêncios de Anton Webern ou a pintura sem pintura de Kazimir Maliévitch: “silêncio sem fim / um grito em um estojo / -- para não esquecer -- / entre suspiros    afora / rumores de golpes / -- ruídos” (Muda). Este poema é construído a partir de oposições entre grito e silêncio, memória e esquecimento, ausência e presença, com economia de metáforas e imagens; a referencialidade é sugerida, de modo impreciso, por termos como rumores, suspiros, ruídos. Numa composição de apenas seis linhas (sugerindo a justaposição de dois haicais), o autor conseguiu criar uma atmosfera de tensão (sintetizada na linha “um grito em um estojo”) sem usar a voz em primeira pessoa e sem delimitar ações externas; é um poema altamente sugestivo, que faz pensar na concisão da poesia japonesa e na pintura de traços mínimos do sumi-ê. Intervalos (1998), terceiro livro do poeta, resume as tentativas anteriores de expressar as sensações de imobilidade (“é possível deter / o mecanismo dos relógios”), cansaço (“viver seria um jeito de desistir”) e solitude (“uma palavra e / dois silêncios”), mas há um elemento novo aqui: o poema Vão, com sua rica imagética e versos mais longos, quase descritivos (“Essa pele de luz que banha / as plantas, a varanda, e se arremessa / em espirais de fluxos”), elementos que serão desenvolvidos nos títulos mais recentes do autor, De passagem (2001) e Terminal (2006), onde o discurso se impõe não como simples concessão à narratividade ficcional e ao registro histórico, mas como experimento de dizer pelo avesso, fazendo-se outro, em poemas da mais notável fatura. Assim, por exemplo, o poema Bárbaro (do livro De passagem), que dialoga com o poeta Armando Freitas Filho: “Um tipo de bicho, / de vírus, vampiro, um clone / mix de ventríloquo / e mímico, sim, anjo / sardõnico (demasiado / humano), caracol / com cauterização e gana”. Nesta primeira estrofe, o autor constroi uma autêntica caricatura verbal, brutalista, misturando elementos da novela de terror, da teologia, da história em quadrinhos, do universo tecnológico, para compor um monstro híbrido. Na segunda estrofe do poema, o autor escreve: “É a hora / do monstro (meu nome é / multidão), do máximo / denominador comum. / Exaustivo mesmo / quando improvisa, no atropelo / desse instante de sangue / correndo solto, sem futuro, / que ele engole ou cospe / desavisado, unânime”. O tom retórico do poema recorda certas composições de Carlos Drummond de Andrade, em especial o CDA de Rosa do Povo, em que o eu lírico une-se à voz social no protesto contra o desconcerto do mundo; na composição de Ronald Polito, porém, o sujeito é um eu cético, para quem a retórica é apenas mais um instrumento de desilusão ou desconstrução da realidade, tão monstruosa quanto o Leviatã bíblico, cujo nome é multidão. 

Terminal (2006), livro mais recente do poeta, traz poemas reflexivos sobre o tempo presente, mais alegóricos do que lacunares, em tonalidades que oscilam entre a sátira e a melancolia. Nas linhas breves e incisivas do poema Emblema, o autor nos diz: “Esse tempo não é teu. / Nem nenhum. Capitula teu pacto unilateral. / A tua combustão espontânea acelera. /  Esta é a fronteira entre dois desertos.” O pessimismo do autor, assim como o de Schopenhauer, pressupõe uma leitura subjetiva de tempo e espaço, mas, ao contrário do autor da Metafísica do belo e do Mundo como vontade e representação, não encontramos, na mitologia poética de Ronald Polito, o diálogo místico com o budismo,o sufismo ou a tradição védica. Sua lírica não acena nenhuma fácil esperança supranatural, apenas sinaliza, com estupor, uma realidade árida, composta de “pedras inteiras e / aos pedaços, / palha para aparar / as pontas dos ossos, / além da reconhecida / voz diminuta do / caroço do crânio”. Estas linhas pertencem ao poema Um texugo autodidata, que integra a mais curiosa seção do volume, intitulada Minizoo, um bestiário alegórico onde encontramos um papagaio que medita em questões da metafísica, um tigre branco para quem repetir-se é o “único elo / com a necessidade / da eloquência” e um gorila cuja solenidade invejamos, entre outras surpreendentes feras (que podemos comparar, pela ironia refinada e riqueza de imaginário, aos bestiários do escritor paranaense Wilson Bueno, em particular o Manual de Zoofilia).  A dimensão irônica do poeta, evidente em todos os seus livros, alcança talvez maior sutileza no álbum intitulado Objeto, que reúne cartões de diferentes cores e formatos com poemas visuais elaborados entre 1991 e 1997, com projeto gráfico do autor, em parceria com Vicente Abreu. O diálogo com a Poesia Concreta, uma das referências essenciais em seu percurso poético, soma-se aqui à ressonância da poesia visual e da poesia-objeto do catalão Joan Brossa, que conciliou o construtivismo das vanguardas à irreverência e humor dos primeiros dadaístas e surrealistas (como podemos verificar nas curiosíssimas composições incluídas no volume Poesia vista, organizado e traduzido por Vanderley Mendonça). Nos poemas visuais de Ronald Polito, destacam-se os temas do desencontro, do desengano, do ruído e do equívoco, desde o plano das relações interpessoais até a própria linguagem, que materializa e multiplica o caos ruidoso que habitamos.   

(Versão ampliada do artigo publicado na edição de setembro da revista CULT, na coluna RETRATO DO ARTISTA)

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

RETRATO DO ARTISTA


 TERRITÓRIOS MUTANTES: 
A POESIA DE MARCELO ARIEL

Marcelo Ariel é um estudioso de tradições filosóficas do Oriente, como o sufismo, o budismo, o taoísmo, e um leitor atento de autores considerados herméticos, como o romeno Paul Celan, o inglês William Blake e o português Herberto Helder, com quem compartilha o intenso lirismo amoroso e uma visão herética da espiritualidade, que celebra o corpo, a vida e o estar no mundo, com toda a sua beleza e crueldade. O autor, que vive em Cubatão, cidade industrial da Baixada Santista, pertence, cronologicamente, à chamada Geração 90, mas só começou a publicar os seus poemas em livro na década seguinte, sempre por pequenas editoras: Me enterrem com a minha AR15 saiu em 2007 pela Dulcineia Catadora, numa bem cuidada edição artesanal, e o Tratado dos anjos afogados saiu em 2008, pela Letra selvagem. Nessas obras, o poeta retrata um duro cotidiano de chacinas, favelas incendiadas e desastres como o conhecido episódio de Vila Socó, em 1984, provocado pelo vazamento numa das tubulações da Refinaria Artur Bernardes, que destruiu 500 moradias populares e causou centenas de mortes (o número permanece desconhecido até hoje). No poema Vila Socó libertada, por exemplo, o autor escreve: “(depois do fogo) / no outro dia / (sem poesia) / as crianças (sub-hordas) / procuram no meio do desterror / botijões de gás / para vender”. Em outra composição, intitulada O soco na névoa, Marcelo Ariel, utilizando técnicas de closes, cortes e montagens da linguagem narrativa do cinema, escreve: “No jardim esquizocênico, / Nas balas perdidas, / No perfume / das granadas / explodindo no bar / das Parcas: / Num Eclipse-invertido / seguido de uma chuva fina por dentro / do olhar / da criança recém-esquecida / nesse bar-iceberg para o ‘Bateau Ivre’ no sangue / dos amantes-kamikazes” (versos publicados no livro Tratado dos anjos afogados).

Insólitas sensações e paisagens

O desenho ácido da violência urbana, porém, é apenas uma das facetas da obra de Marcelo Ariel. O livro Retornaremos das cinzas para sonhar com o silêncio (São Paulo: Patuá, 2014), cujo lançamento aconteceu em maio no espaço cultural Hussardos, reúne boa parte da produção do poeta e é uma excelente oportunidade mergulharmos nesse universo de insólitas sensações e paisagens, construídas por um hábil artesão que sabe explorar a dimensão sonora, visual, quase tátil, das palavras, em composições como esta: “só o silêncio / intocado o enobrece, / mas não / queda-silêncio-esquecimento / do lugar-esquife, / ou queda-silêncio-equívoco / apenas / queda-símbolo / para o alto-fundo-horizonte-escuro / de seu Letes” (Sobre a morte de Paul Celan). O uso dos travessões e dos cortes sintáticos, além da estranheza com que revestem o discurso, confere agilidade ao ritmo prosódico das linhas e cria ideias pela inusitada associação de termos (lugar-esquife, queda-silêncio-equívoco). O poeta não deseja apenas despertar uma planejada reação emocional ou sensorial no leitor, à maneira de Álvaro de Campos, mas também convidá-lo à reflexão, à cumplicidade intelectual capaz de reconstruir o poema, descortinando outras possibilidades de leitura e interpretação. As imagens poéticas de Marcelo Ariel são altamente sugestivas, aproximando-se tanto da tradição barroca quanto do simbolismo e do surrealismo – relidos pelo poeta de maneira livre, pessoal e instigante. Fazendo um paralelo entre a linguagem poética de Marcelo Ariel e a de Herberto Helder, Claudio Willer observa: “Em comum com o extraordinário poeta português, a fusão ou hibridação de objetos e seres vivos, a ruptura de limites das coisas e dos corpos, as imagens luminosas como ‘osso do oceano’”. O misticismo profano de Marcelo Ariel, que não reconhece fronteiras entre homem e mundo, natureza e artifício, vida e linguagem, alia-se a uma ética de solidariedade que desconsidera dimensões temporais, geográficas ou culturais, aproximando-se de uma estética do furor miscigenado. Pouquíssimos poetas são capazes de construir um discurso crítico da realidade com tamanha expressividade e terrível beleza.

(Artigo publicado na edição de agosto da revista CULT, na coluna RETRATO DO ARTISTA)

ZUNÁI, REVISTA DE POESIA E DEBATES




Volume 1, n. 4, setembro de 2014

A viagem da palavra por tempos e espaços – última entrevista de Haroldo de Campos, concedida a Claudio Daniel (com fotocópia das respostas manuscritas do poeta).

Textos ensaísticos sobre Jorge Luis Borges, Edgar Allan Poe, Glauco Mattoso, Josely Vianna Baptista e a nova poesia da Dinamarca.

Galeria: poemas visuais de Gabriela Marcondes, Marcelo Sahea e exposição virtual com desenhos de Ana Paula Caixeta.

Prosa de Andréia Carvalho e Ivan Regina

Poemas de Arnaldo Antunes, Glauco Mattoso, Jomard Muniz de Brito, Jonatas Onofre, Lígia Dabul, Ana Cristina Joaquim, Marcela Cividanes Gallic, Coral Bracho (México), Lopito Feijoó (Angola), Lino Mukurruza (Moçambique).

Traduções de Vladimir Maiakovski (ex-União Soviética), Li T’ai Po (China), Oscar Hahn (Chile), Alfredo Fressia (Uruguai) e Niels Hav (Dinamarca).

Cadernos da Palestina: textos de Noam Chomsky, Robert Fisk, Eric Hobsbawm, José Saramago, Eduardo Galeano e outros autores sobre o conflito em Gaza, fotos do genocídio praticado pelos sionistas e os Poemas para a Palestina.

Zunái, Revista de Poesia & Debates: www.zunai.com.br

Preço: Inefável; inconcebível.

Onde encontrar: no ciberespaço, essa “Gran Cualquierparte” (Vallejo).