sexta-feira, 8 de setembro de 2017

QUAIS FORAM OS CRIMES DE LULA?











1) nasceu em Guaranhuns, uma pequena cidade do interior de Pernambuco, no Nordeste, em uma família pobre;

2) migrou como "pau-de-arara" para trabalhar como operário nas indústrias do cinturão industrial do ABC paulista;

3) liderou, na década de 1970, uma grande greve metalúrgica no ABC, desafiando os patrões e a ditadura militar;

4) ganhou a consciência de classe necessária para liderar a criação do Partido dos Trabalhadores, para que a classe trabalhadora brasileira tivesse representação política e um projeto de poder;

5) foi um dos responsáveis pela criação do novo sindicalismo brasileiro, cujo maior representante hoje é a Central Única dos Trabalhadores, a CUT;

6) apoiou as lutas do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terras (MST) para a realização da reforma agrária no Brasil;

7) elegeu-se presidente da República por duas vezes seguidas, e nas duas eleições seguintes apoiou a eleição de Dilma Rousseff, derrubada num golpe de estado jurídico-parlamentar-midiático em 2016;

8) nos 13 anos de governos petistas, 32 milhões de brasileiros saíram da situação de miséria absoluta, segundo a Fundação Getúlio Vargas, graças a programas sociais como o Bolsa-Família, que tirou o Brasil do Mapa da Fome da ONU;

9) Lula e Dilma criaram 18 universidades federais, 400 escolas e programas como o ProUni, o FIES e o Ciência Sem Fronteiras -- este último responsável por 100 mil bolsas de estudo para mestrado e doutorado no exterior;

10) Lula e Dilma construíram 1,5 milhão de casas populares, com o programa Minha Casa Minha Vida;
11) durante os governos petistas, os direitos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores brasileiros foram mantidos e o salário mínimo, reajustado acima da inflação;

12) Lula e Dilma apoiaram a criação ou fortalecimento de instituições de integração regional latino-americana, como o Mercosul, a Unasul e a Celac, afastando-se da política externa dos Estados Unidos;

13) o Brasil integrou os BRICs, ao lado da Rússia, China, Índia e África do Sul, contribuindo p\ara a criação de um mundo multipolar, pós-hegemonia norte-americana;

14) Lula e Dilma defenderam o nosso pré-sal, ambicionado pelas companhias petrolíferas norte-americanas;

15) Lula e Dilma condenaram as agressões imperialistas norte-americanas contra a Líbia e o Iraque e defenderam a criação do Estado da Palestina, desafiando a política sionista de Israel;

Lula sonhou com um Brasil próspero, soberano, justo e independente, com distribuição de renda e igualdade de oportunidades para todos. 

A burguesia brasileira, lambe-botas do imperialismo norte-americano, nunca o perdoará por isso, mas nós jamais deixaremos de saudar e defender o maior heroi que o povo brasileiro já teve em toda a sua triste e trágica história. .

sábado, 19 de agosto de 2017

TANKAS DE SALVADOR
















1

vento de inverno:
casa, gatos, livros
ficam para trás.

nuvens brancas
sobre campos verdes.


2

chuva na praia:
mirante, mulher
de brinco azul.

cão de inverno
corre na areia.


3

algas nas rochas
filetes de água
na trilha de areia

nossos pés olham
um para o outro

 4

azul das águas
investe nas rochas
negras da praia:

pegadas na lama,
chuva de inverno.

5

nuvem de inverno,
não conte à falésia
o que disse o vento!

só o sol suspeita
deste momento.


6

mamilos da mulher
amada: amigos
de meus lábios.

lua de inverno
sobre a colcha verde.


7

gato branco
come presunto
debaixo da mesa.

chuva na praia,
despedida de inverno.


Tankas de Claudio Daniel, 2017



TANKAS DE SÃO PAULO















1

mulher negra,
cabelos brancos,
chora pelo neto.

vento de inverno,
onde está a lua?


2

menino de rua
morto a socos
por um pastel.

lua de qualquer tempo
em meu país sombrio.


3

posto de gasolina:
cão sem dono
coçando as pulgas.

chuva de inverno,
tão frágil é o mundo.


4

noite de inverno:
policiais ateiam
fogo no barraco.

pobres perdem tudo
menos a lua cheia.


5

sol de inverno:
folhas amarelas
na grama verde.

garoto negro
queimado vivo.


6

parque paulista —
folhas, gravetos,
latas, garrafas.

menino de inverno
dorme entre detritos.


Tankas de Claudio Daniel

terça-feira, 1 de agosto de 2017

CARTA ABERTA A JEAN WYLLYS
















Caro deputado federal Jean Wyllys,

A situação da Venezuela é realmente dramática, mas, no texto publicado em sua página no Facebook, você se limita a apresentar a versão estereotipada dos fatos veiculada pela mídia golpista brasileira, que reproduz os press releases das agências de notícias norte-americanas.

Você não buscou fontes alternativas de informação e acredita ingenuamente numa mídia atrelada aos interesses do grande capital.

Uma mídia que esconde a realidade dos campos de concentração mantidos pelos Estados Unidos em Guantánamo e em outros lugares no mundo para prisioneiros detidos sem direito a defesa ou mesmo acusação formal, que esconde os crimes de Israel na Faixa de Gaza, dos neonazistas na Ucrânia, do governo neoliberal de Macri na Argentina, e que considera “ditadores” todos os líderes que não são submissos ao Império norte-americano.

Esta tem sido, aliás, uma prática rotineira de seu partido, o P$OL – basta recordarmos o entusiasmo com que Luciana Genro saudou o golpe de estado na Ucrânia, as declarações de Marcelo Freixo em sua visita à FIERJ no Rio de Janeiro ou as suas próprias declarações de louvor ao sionismo e aos crimes do estado terrorista de Israel.

Porém, vou me ater, aqui, apenas às suas recentes declarações no Facebook sobre a Venezuela, que causam escândalo a todos os que se identificam com a esquerda, pelo seu explícito alinhamento com a política externa norte-americana.

O texto diz:

“A ditadura de Nicolás Maduro, cada dia mais descontrolada e sem limites, reprime as manifestações com uma violência inusitada, cercea as liberdades públicas e avança sobre os outros poderes, eliminando os poucos resquícios de institucionalidade que ainda restam no país.”

Por que você considera “ditadura” um governo que foi eleito nas urnas, com a participação de candidatos de partidos oposicionistas, com a presença de observadores internacionais e que realiza constantes plebiscitos para consultar a opinião pública? Um governo que convocou uma Assembleia Nacional Constituinte para que o povo decida com liberdade e soberania quais serão os rumos para o seu país? Isso é “ditadura”?

Quanto à suposta “repressão” e “autoritarismo” do governo Maduro: como você acha que um governo legítimo e democrático deveria agir em relação a “manifestantes” que usam bazucas e armas de fogo em protestos violentos, que matam policiais e parlamentares governistas e usam helicópteros armados para atacarem prédios públicos? Você considera legítima essa forma de “manifestação”?

Mais adiante, você escreve:

“90% da população decidiu não votar. E a resposta do governo foi ‘maquiar’ os resultados depois de horas sem saber o que dizer, mentir ao mundo e ameaçar com um processo de cassação contra a procuradora e com enviar os deputados da oposição para a cadeia!!”

Qual é a sua fonte de informação sobre isso? As declarações de parlamentares oposicionistas da direita venezuelana, cuja credibilidade é a mesma de Ronaldo Caiado? Aliás, você não se envergonha de compartilhar as mesmas opiniões sobre política internacional de gente como Caiado, Bolsonaro, Aécio Neves e Aloysio Nunes Ferreira, que fazem do discurso contra o “bolivarianismo” e o “Foro de São Paulo” uma versão atualizada do velho e surrado discurso anticomunista?

A seguir, você diz:

A ‘Constituinte’ de Maduro é (...) um jogo de cartas marcadas. O objetivo era substituir o atual parlamento, com maioria da oposição, que venceu por ampla maioria as últimas eleições que Maduro permitiu, porque as seguintes foram suspensas. Foi por isso que a imensa maioria da população não foi votar ontem nessa farsa de eleição com partido único, apesar das ameaças do governo contra servidores públicos e beneficiários de programas sociais.”

Sei que o nobre deputado tem pouco conhecimento de história e teoria política, ou até mesmo da simples realidade imediata, agora, você afirma que a Venezuela tem “partido único”, mesmo que, no atual Congresso venezuelano, os partidos de oposição tenham maioria (fato inusitado numa suposta “ditadura”)! Onde está a coerência, caro deputado?

Convido você a ler o que Alfredo Serrano Mancilla, doutor em Economia pela Universidade Autônoma de Barcelona e diretor executivo do Celag (Centro Estratégico Latino-americano Geopolítico), escreve sobre as eleições venezuelanas:

“O povo venezuelano saiu a votar sem medo; 8.089.320 venezuelanos deram seu visto à Constituinte (41,53%), muito próximo ao recorde histórico (que Chávez teve em 2012). Muitos o fizeram porque são chavistas e estão dispostos a dar seu voto em qualquer circunstância. Aí estão, seguramente, mais de 5 milhões e meio que já o fizeram nas eleições parlamentares de 2015, apesar das dificuldades econômicas. Mas também votaram todos aqueles que tiveram algumas críticas ao chavismo, ou que tinham certo descontentamento, mas que agora estão absolutamente fartos da violência da minoria opositora que está impedindo a vida cotidiana. (...) Sem dúvidas, esta eleição demonstra algo que a oposição, nacional e internacional, não quer aceitar: o chavismo como identidade política segue muito presente no país.”


Por sua vez, o Conselho de Especialistas Eleitorais Latino-americanos (Ceela), integrado por ex-presidentes e magistrados de órgãos eleitorais do continente, destacou em um relatório a “robustez e fiabilidade do sistema eleitoral venezuelano”, bem como “a necessidade de se respeitar a vontade expressa pelo povo nas eleições para a Constituinte, realizadas neste domingo (30)”. O relatório, que será entregue ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, reitera a necessidade de se respeitar a vontade do povo num processo que registou alta participação, para eleger 537 dos 545 constituintes.

Você reconhece que “parte da oposição à ditadura em que se converteu o governo de Maduro é composta de uma elite egoísta e irresponsável que, com o objetivo de controlar a principal riqueza do país (o petróleo) e privatizar sua exploração comercial, sabotou economicamente a Venezuela, precipitando o país no abismo em que hoje se encontra”, mas não diz que essa oposição golpista, aliás majoritária – assim como acontece no Brasil – é apoiada e financiada pelos Estados Unidos, em sua estratégia de derrubada de todos os governos progressistas na América Latina, para reconvertê-la à triste situação neocolonial. A “outra oposição”, que você menciona em seu texto, é formada por uma suposta “esquerda” trotsquista, que, assim como o P$OL e o P$TU no Brasil, cumpre o triste papel de ser linha auxiliar da extrema-direita golpista e do imperialismo (ou você se esquece da participação de seu partido nas “jornadas de junho” de 2013, em que vocês marcharam nas ruas lado a lado com os fascistas que derrubaram Dilma em 2016?).

A grave situação de desabastecimento nos supermercados venezuelanos é causada pelos grandes empresários desse país, numa operação de sabotagem econômica com objetivos golpistas, assim como aconteceu no Chile, na época de Salvador Allende. Tenho conhecimento que você e o seu partido foram corresponsáveis pela deposição da presidenta eleita do Brasil, Dilma Rousseff, mas procure se informar sobre as sabotagens realizadas pelos grandes capitalistas em nosso próprio país, como a redução de investimentos para prejudicar a economia, elevar o desemprego e provocar o descontentamento popular. Mesmo um ex-Big Brother Brasil de pouca inteligência política poderá compreender isso, com algum esforço e estudo.

Para concluir, sugiro ao nobre deputado: caso queira saber o que significa realmente autoritarismo, terrorismo de estado e violência policial, faça uma visita à Faixa de Gaza, onde os sionistas israelenses mantêm dois milhões de palestinos num imenso campo de concentração a céu aberto. Ah, claro! Lembrei-me agora! O seu partido, o P$OL, recebe doações de empresas com capital acionário israelense, como a Taurus e a Gerdau (ambas indústrias armamentistas) para financiar suas campanhas políticas! Desculpe-me pelo esquecimento! Finalizarei a minha carta aqui, declarando que não nutro o menor respeito pela sua pessoa e por seu partido, e sim o mais veemente desprezo que se possa ter por traidores quintas-colunas, lambe-botas do imperialismo norte-americano.

Claudio Daniel, poeta e militante comunista


domingo, 2 de julho de 2017

ZUNÁI, REVISTA DE POESIA & DEBATES / JULHO / 2017






















Entrevista com Chiu Yi Chih

Poemas: Antônio Moura, Jorge Lúcio de Campos, Chiu Yi Chih, Casimiro de Brito, Roman Antopolsky, Chus Pato, Priscila Rôde, Denise Bottmann, Rogério Barbosa, Beatriz Regina Guimarães Barboza, Morgana Adis, Herberth Emanuel, Rosana Banharoli, Jorge da Mata



Traduções: Chuang-Zi, Apollinaire, Emily Dickinson, Erin Moure, Marosa di Giorgio


Prosa de Yvette K. Centeno, Casimiro de Brito, Márcia Barbieri e Andréa Catrópa


Galeria: Assis de Melo


Especiais homenagem a Salette Tavares.


Ensaios:



Opinião / Cadernos da Palestina:


  
  
Zunái, Revista de Poesia & Debates, www. zunai.com.br

Preço: Inconcebível. Inefável.


Onde encontrar: no ciberespaço, essa “gran cualquierparte” (Vallejo).

quarta-feira, 17 de maio de 2017

40 HAIKUS DE CLAUDIO DANIEL




















1

sombra de árvore:
conto apenas a você
o que disse o vento



2

árvore inclinada
diz bom dia ao sol:
ele finge que não vê



3

corre feito rato
a sombra do gato:
cachorro de inverno



4

sabor de melão
ao sol da tarde:
festa de formigas.



5

chuva de maio:
lagarto se oculta
na fenda das rochas



6

louco de outono
chuta as pedras
até virarem estrelas



7

pequenas misérias de maio:
onde eu estou
é qualquer parte



8

primeiro dia do ano:
corpos sem nome
nas águas do rio



9

moça no metrô
borboleta de verão
tatuada nas tetas



10

jovem cega:
batom vermelho
no vagão do metrô



11

morador de rua
usa o sol como abajur
viaduto de verão



12

formiga na grama
passa sem pressa
ou telefone celular


13

monges carecas
aparam os cabelos
dos mendigos



14

lua de inverno
polícia retira
mantas de mendigos



15

meninos morenos
pousam as mãos no muro:
viatura de verão


16


chuva de outono
polícia espanca jovem
até abrir sua carne



17

chuva de vidro:
velho de joelhos,
olhos de vento.


18

sol de verão:
velho amarrado
num poste na rua.


19

velho cego:
lata de esmolas
pendurada no pescoço



20

cachoeira de verão
dois namorados
correm na chuva



21

banco da praça:
moça descalça
lendo poesia



22

pousada da lua:
chapéu e livro sobre
a mesa; e a saudade.



23

sabor de ameixa,
praça, mãos dadas,
há quanto tempo?



24

vestido azul,
mãos que acenam
para nunca mais




25

sol nenhum ilumina
essa lembrança
esse canteiro de flores



26

vida é viagem
uma só folha
é toda a paisagem



27

esse canto
é azul, azul, azul
quase branco



28

envelheço:
folhas amarelas
da poça da rua



29

o tempo? viagem
do pó ao pó — os pés,
os paus e pedras



30

após a chuva de inverno
a menina rega
o ipê amarelo



31

pombos bicam
pedaços de melancia
no banco da praça



32

galho seco; noite
escura; folhas e medos
amarelecendo



33

sombra no muro:
gato faz de conta
que é tigre



34

a lagarta
olha no espelho
a mariposa



35

praias de corais
— mulheres de água,
peixes de luz


36

fêmea tão-somente
negra quanto água
da cascata irreal



37

flor de finados
pétala branca, olho
branco, silêncio branco     


                
38

jogo que me comove
é o que faz barba
cabelo e bigode



39

vencer não é tudo
disse o cego
para o mudo


40

amarela é a cor da camisa
até o sol encheu a cara
de cerveja!