sábado, 15 de abril de 2017

DOIS POEMAS INÉDITOS DE CLAUDIO DANIEL



















OTIM

Otim-Otim
moça da mata
fugiu, fugiu.

Otim-Otim
moça da mata
que virou rio.

Otim-Otim
filha de Oquê
cadê, cadê?

Otim-Otim
dona de Odé,
aqui-ali-além?

Otim-Otim
moça de ofá,
é água de mar?

Otim-Otim
filha de Otã
tinha segredo.

Otim-Otim
mana-oh-mana
era o segredo.

Otim-Otim
seu pai
é montanha.

Otim-Otim
sua pele
é de água.

Otim-Otim
sei o segredo:

que não direi
que não direi
que não direi.

  
 IKU

Aquele-aquela
que-vem
e-leva-
me-leve-
não-me-leve-
orixá-mais-
leve-
que-a-pluma-
de-pavão-
mais-leve-
que-o-vento-
de-Oiá.
Ikú-meu-avô-,
negro-
negrura-
mais-escuro-
que-a-noite;
mais-branco-
que-o-branco-
do-olho-
mais-branco-
que-o-miolo-
do-pão-
leve-o-Temer-
primeiro;
orixá-que-
tudo-come-
-o-grande-
glutão-
leve-o-Moro-
em-seguida;
leve-o-Gilmar-
depois-.
Senhor-dos-rios-
que-se-encontram,
permita-que-eu-
viva-um-pouco-
mais.

2017