quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

DOIS POEMAS DE ANDRÉ DICK

ONDE

onde a orquídea
se inscreve

cores desbotadas
papéis de parede
descascam

nenhuma claridade
janela aberta
para a rua

outra estação
à flor da pele
de outra chuva


NENHUM TRAÇO

riscar nenhum traço
vestígio de dias —

enquanto
olhos desenham
da janela

alguém que passa
sem fazer ruído

manhã de silêncio
entre lacunas

vaso que harmoniza
outra chuva de verão


(Do livro Grafias. Porto Alegre: Instituto Estadual do Livro, 2002)

Um comentário:

  1. "onde" me parece uma excelente execução. perfeito(a).

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