domingo, 8 de julho de 2012


A POESIA BRASILEIRA ESTÁ EM CRISE, CARA-PÁLIDA?

Uma literatura que tem poetas como Augusto de Campos, Décio Pignatari, Ferreira Gullar, Manoel de Barros, Armando Freitas Filho, Claudio Willer, Glauco Mattoso, Josely Vianna Baptista, Duda Machado, Claudia Roquette-Pinto, Alice Ruiz, Arnaldo Antunes, Ricardo Aleixo, Donizete Galvão, Frederico Barbosa, Ademir Assunção, Rodrigo Garcia Lopes, Horácio Costa, Simone Homem de Mello, Ricardo Corona (para não citar dezenas de poetas jovens talentosos) está em crise? Só na cabeça de críticos da Escola do Ressentimento.

GALERIA: AUGUSTO DE CAMPOS


UMA CONVERSA COM AUGUSTO DE CAMPOS



A crise do verso anunciada por Mallarmé, a seu ver, aponta para o fim da poesia como arte verbal, com a adoção dos meios eletrônicos, ou ainda é possível a experimentação no poema-texto?

Augusto de Campos: Não acho que a crise do verso aponte para o fim da poesia como arte verbal, mas para um redimensionamento estrutural do poema. Essa reestruturação começou a ser trabalhada de vários modos pelas vanguardas do início do século, mas foi interrompida pela intervenção de duas grandes guerras e de duas ditaduras, a nazista e a stalinista, que perseguiram tenazmente os artistas experimentais e retardaram a evolução. Retomada, sob a inspiração de Mallarmé, pela poesia concreta, na segunda metade do século, essa abertura estrutural continha em germe os pressupostos das linguagens que iriam encontrar o seu "habitat" natural no contexto das novas tecnologias eletrônicas. Nesse contexto, a palavra não deixa de ter lugar, mas tem que ser reciclada, entrando em contato direto com a dimensão não-verbal, as imagens e os sons, e passa a ser interdisciplinar, intertextual e muitas vezes interativa, além de projetar-se em parâmetros materiais mais amplos, que devem levar em conta critérios de forma, cor, espaço e movimento. Não há porque excluir o livro ou outros suportes matéricos e textuais, que seguem o seu curso e até se beneficiam da tecnologia digital no processo de sua feitura. O que ocorre é a abertura insopitável para o universo virtual, em situações em que a palavra, potencializada em todos os seus parâmetros, já não cabe no livro. Suponho que haverá ainda, por muito tempo, lugar para aqueles que prefiram trabalhar exclusivamente as poéticas do texto fora do contexto das novas mídias eletrônicas. Por outro lado, insisto em sublinhar, o mero domínio do computador não transforma ninguém, só por só, em grande poeta, e as facilidades da engenharia digital devem preocupar sempre aqueles que a usam. Acima de tudo, a grande arte é sempre difícil. "Sem presumir o que sairá daqui, nada ou quase uma arte", dizia Mallarmé, há um século, no prefácio do Lance de dados, que antecipou todos os lances. E Pound, inventor de tudo: "Beauty is difficult". E Schoenberg, mestre de todos, aos seus alunos: "Eu vim aqui para tornar impossível a vocês compor música". Daí surgiram Anton Webern, Alban Berg e John Cage.

(Trecho de uma entrevista que fiz com Augusto de Campos, publicada em 1998 no Suplemento Literário de Minas Gerais. O texto integral está aqui, http://www.elsonfroes.com.br/acampos.htm)

sábado, 7 de julho de 2012

GALERIA: HAROLDO DE CAMPOS


BARROCO, NEOBARROCO, TRANSBARROCO

                                                                                                                                   Haroldo de Campos

O grande poeta e romancista cubano José Lezama Lima, em ensaio famoso, definiu o barroco americano como “a arte da contraconquista”. A concepção de Lezama foi, recentemente, retomada em suas implicações por Carlos Fuentes, em O espelho enterrado: “O barroco é uma arte de deslocamentos, semelhante a um espelho em que, constantemente, podemos ver a nossa identidade em mudança.” (...) “Para nossos maiores artistas --, prossegue Fuentes, invocando a proposta de José Martí, de uma ‘cultura totalmente inclusiva’ --, a diversidade cultural, longe de ser um embaraço, transformou-se na própria fonte da criatividade.”1 Considerando, ademais, o fenômeno do hibridismo indo-afro-ibérico na arquitetura e nas artes plásticas do Novo Mundo, Fuentes assevera, convergindo com Lezama: “O sincretismo religioso triunfou e, com ele, de algum modo, os conquistadores foram conquistados.”2 Antes do cubano, em seu A marcha das utopias, Oswald de Andrade, teórico e prático da “antropofagia” como devoração crítico-cultural, já ressaltara, quanto ao barroco americano, o seu característico “estilo utópico”, “das descobertas” que resgataram a Europa do “egocentrismo ptolomaico.”3

Esses parâmetros referenciais sinalizam a importância do barroco em sua transplantação na Ibero-América, onde se miscigenou ao contributo indígena e africano.

Recentemente, em texto que me foi encomendado pelo Guggenheim Museum para figurar no monumental catálogo da exposição Brazil: Body and Soul, cujo carro-chefe era a arte barroca em nosso país, tive a oportunidade de rastrear os fios dispersos desse estilo em nossa literatura (sobretudo na poesia, mas também na prosa), a partir do barroco histórico da Colônia, projetando-o, todavia, no presente de criação.4

Entre outras considerações, procurei mostrar a “pervivência” (Fortleben, W. Benjamin) transmigratória desse estilo no Brasil, fora do estrito marco histórico dos Seiscentos/Setecentos (Gregório de Matos, Botelho de Oliveira, Padre Vieira, e no plano das artes plásticas, o Aleijadinho, o escultor-arquiteto de Ouro Preto/Vila Rica, que faz pendant com o índio José Kondori, arquiteto das igrejas de Potosí, no Peru, e encontra uma réplica atual no barroquismo de Oscar Niemeyer).

Duas linhas, dois veios percorrem o barroco histórico: o “sério-estético” (lírico,encomiástico, religioso) e o “joco-satírico” (aliado, na prosa, ao “picaresco”, gênero este que deu, entre nós, com variantes e características próprias, o “romance malandro”, estudado por Antonio Candido).5

Na primeira dessas linhas, lembrei as “Cartas chilenas”, longo poema atribuído ao árcade mineiro Tomás Antônio Gonzaga; o romântico Bernardo Guimarães, dos pornopoemas paródicos e dos abstrusos “bestialógicos” pré-sonoristas; Luiz Gama, outro romântico, o poeta negro, ex-escravo, da virulenta e desmistificadora “Bodarrada”; o Sousândrade do “Tatuturema” e do “Inferno de Wall Street”, um romântico excepcional, não-canônico, que prefigurou a poesia moderna e de vanguarda, internacionalmente falando.

No veio “sério estético”, lembrei os árcades tardo-barroquistas Cláudio Manoel da Costa e Alvarenga Peixoto; o “pai-rococó” Odorico Mendes, precursor de certo Sousândrade, tradutor “monstruoso” (como o foram Voss e, acima de todos, Höelderlin) dos clássicos (Virgílio e Homero); o Sousândrade “preciosista” de O guesa e de O novo Éden, entre barroquista e simbolista; Cruz e Sousa, o “cisne negro” que liderou o nosso Simbolismo (e que não por acaso, num soneto antiescravista, celebrou a pompa da linguagem de Gôngora [“Eu quero em rude verso altivo adamastórico / vermelho, colossal, d’estrépito, gongórico”] como o fez, por seu turno, o pioneiro nicaragüense do Modernismo/Simbolismo hispano-americano, Rubén Darío, nos textos de estilo gongorino em que homenageou, sob a forma de sonetos dialogais, o enigmático cordovês ao lado de Velásquez)6; Augusto dos Anjos e Euclides da Cunha, barrocos “cientificistas”, na poesia o primeiro e na prosa o segundo; sem esquecer Raul Pompéia, de O Ateneu, “última e derradeiramente legítima expressão do barroco entre nós”, segundo opinou Mário de Andrade.7

Incursionando à vol d’oiseau pela Modernidade, lembrei o desigual e prolixo Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima (poema da predileção de outro barroquista, este de minha geração, o inolvidável Mário Faustino); os poetas Décio Pignatari (“O jogral e a prostituta negra”, “Périplo de Agosto a água e sal”, “Rosa d’amigos”, “Fadas para Eni”) e Affonso Ávila (Cantaria barroca). Na prosa, o excepcional Grande Sertão: Veredas (que corresponde em importância a Paradiso, de Lezama Lima); Catatau, a “barrocodélica” rapsódia de Paulo Leminski.

Tratava-se, evidentemente, dadas as limitações do espaço reservado aos colaboradores, de uma súmula apenas “exemplificativa”, não “exaustiva” e muito menos “taxativa”.

Do ponto de vista teórico, em meu artigo de 1955 “A obra de arte aberta”, que precedeu de mais de seis anos a Opera Aperta (1962) de Umberto Eco (embora, entre nós, quando se aborda o tema, se costume silenciar sobre essa circunstância antecipatória fatual), houve uma segunda precursão: nos seus parágrafos finais, enunciei, expressamente, o prospecto de um “barroco moderno” ou “neobarroco” (antes, portanto, de Severo Sarduy, querido e admirado amigo a cuja memória dediquei um poema em Crisamtempo; Sarduy veio a introduzir o conceito no campo hispano-americano em 1972, sem conhecer o meu texto de 55).8 É preciso, ademais, referir que, embora não empregassem a expressão “neobarroco”, tanto Lezama Lima (La expresión americana, 1. ed., 1957), como Alejo Carpentier, dois mestres cubanos influentes em Sarduy, já reivindicavam, em âmbito hispano-americano, o estilo barrroco e o barroquismo de impacto trans-histórico.9 Em minha prática poética, textos como Ciropédia e Claustrofobia, ambos de 1952, constituem, como já tenho afirmado, a pré-história barroquizante de minhas Galáxias (1963-76).

Hoje em dia, esse conceito de “neobarroco” parece derivar no sentido de um pervasivo “transbarroco” latino-americano (para só falar do que se passa na América Ibérica). Nessa direção apontam três antologias: Caribe transplatino, bilíngüe, organizada por Néstor Perlongher com traduções de Josely Vianna Baptista, Iluminuras, São Paulo, 1991; Transplatinos, organizada por Roberto Echavarren, El Tucán de Virginia, México, 1990; Medusario/Muestra de poesía latinoamericana, organizada por Roberto Echavarren, José Kozer e Jacobo Sefamí, México, Fondo de Cultura Económica, 1996. Jardim de camaleõesA poesia neobarroca na América Latina, a antologia organizada pelo jovem poeta Cláudio Daniel (ele próprio um dotado “neobarroquista”), com traduções dele e de Luiz Roberto Guedes, ora editada pela Iluminuras, torna acessível ao leitor brasileiro, de maneira bastante ampla (incluindo alguns nomes já bastante conhecidos, ao lado de outros mais jovens) essa deriva “transbarroca” que percorre o espaço textual de nossa América, não de modo homogêneo e uniforme, mas regendo-se por uma fascinante estratégia de nuanças.

São Paulo, março de 2002.

 (Prefácio de Haroldo de Campos a meu livro Jardim de Camaleões: A Poesia Neobarroca na América Latina. São Paulo: Iluminuras, 2004;)


1) Lezama Lima, José. La expresión americana. Madri, Alianza Editorial, 1969; 1. ed; 1957; tradução brasileira por Irlemar Chiampi, A expressão americana, São Paulo, Brasiliense, 1988.

2) Fuentes, Carlos. O espelho enterrado, traduzido por Mauro Gama, Rio de Janeiro, Rocco, 2001; título original: The buried mirror, 1992.

3) Andrade, Oswald de. A marcha das utopias, 1953, conjunto de artigos publicados em O Estado de S. Paulo e reunidos em livro na série “Cadernos de Cultura”, Rio de Janeiro, MEC/Serviço de Documentação, n. 139, 1996.

4) Sullivan, E.J. (org.). Brazil: body and soul. New York, Guggenheim Museum, The Salomon R. Guggenheim Foundation, 2001. Meu ensaio, que se ocupa também de outros aspectos, culturais e sociais, da questão, tem por título “Literary and artistic culture in modern Brazil”.

5) Antonio Candido. “Dialética da malandragem”, Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo, USP, n. 8, 1970.

6) Darío, Rubén. Cantos de vida y esperanza (“Otros poemas”, VII - Trébol, I a III), 1905; Buenos Aires/México, Espasa-Calpe, 1943.

7) Andrade, Mário de.Aspectos da literatura basileira (“O ateneu”). São Paulo, Livraria Martins Editora, s.d. (o ensaio remonta a 1941).

8) A propósito, ver a introdução de Eco à edição brasileira de seu livro, Obra aberta, São Paulo, Perspectiva, 1968. Quanto à cronologia da noção de “neobarroco”, ver Andrés Sánchez Robayna Barroco de la levedad (Barroco da leveza), Revista da USP, São Paulo, jan.-fev. 1990-91, p. 139, nota 23.

9) De Carpentier, a obra mais extremadamente característica da tendência é, a meu ver, Concierlo barroco, 1974); o autor, que também se manifestou através de ensaios críticos (Tientos y diferencias), para o fim de definir o espírito latino-americano fundem as noções de barroco e de “real maravilhoso”, chegando, assim, à tese do creollismo (entendido como “mestiçagem”); cf. Dill, Hans-Otto. Geschichte der lateinamerikanischen Literatur im Überblick, Stuttgart, Reclam, 1999.

10) Refira-se que o argentino Perlongher, praticando uma sorte de barroquismo kitsch, define-se como “neobarroso”, aludindo ao livro lustral do Rio da Prata.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

GALERIA: RICARDO ALEIXO


FERVOR DE BUENOS AIRES

Caros, em dezembro de 2007 estive em Buenos Aires, participando de uma edição internacional do evento Encontros de Interrogação, promovido pelo Itaú Cultural, ao lado de poetas e escritores como Marcelino Freire, Nelson de Oliveira, Edson Cruz, Márcio-André e Ricardo Aleixo. Segue abaixo uma breve crônica que escrevi na época:

Fiz um passeio pelo bairro da Recoleta junto com Ricardo Aleixo, Márcio-André (editor da Revista Confraria) e sua esposa, Karina Alves Gulias. Um momento engraçado foi quando Ricardo resolveu gravar minha leitura de Versos Íntimos, de Augusto dos Anjos, dentro de um cemitério (“Vês? Ninguém assistiu ao formidável / Enterro de tua última quimera, / Somente a Ingratidão, esta pantera / Foi tua companheira inseparável”). Depois, ele gravou um depoimento meu, e outro de Márcio-André, sobre as relações entre poesia e sonorização (nada a ver com poesia e música, e sim com o trabalho harmônico e rítmico em cada palavra, frase, estrofe ou bloco de texto, bem como o diálogo entre a música natural das palavras e outros recursos sonoros, não necessariamente melódicos, ou sequer instrumentais.)

Ricardo perguntou-me como eu trabalhava os sons em meus poemas; respondi a ele que buscava tornar o idioma português estranho ao próprio português, pela incorporação de neologismos, arcaísmos, palavras de outros idiomas, como o sânscrito, sons abstratos, além de subverter o sentido habitual das unidades semânticas. Também penso a duração de cada linha como um acorde, e a sucessão das linhas como algo descontínuo, sem unidade rítmica, mas explorando a dissonância e a polirritmia, acentuadas pela diagramação do texto na página. Ele me perguntou como seria um CD de poesia feito por mim; disse a ele que não incluiria canções, ou música incidental, mas faria a declamação dos poemas, realçando o timbre e a duração de cada palavra. Ele fez várias observações interessantes (uma pena que não gravamos toda a conversa!), como a inclusão, nesse CD hipotético, de ruídos do ambiente externo, sons produzidos por objetos, entre outros, não como “acompanhamento”, mas sim como ruído e tensão. Se um dia eu produzir esse hipotético livro sonoro (também falamos sobre a necessidade de atualizar o conceito de “livro”, para além do objeto guttemberguiano), com certeza, vou chamá-lo para trabalhar comigo nesse projeto. Aliás, Ricardo, que apresentou uma bela performance poético-sonoro-visual em Buenos Aires, dará uma oficina sobre o tema na Casa das Rosas, em janeiro, aguardem informações sobre isso na Pele de Lontra.

Outro tema que conversei com ele foi sobre a profissionalização do trabalho do escritor, mas voltarei a isso em outra ocasião, pois merece um espaço à parte. Também tive ótimas conversas com o Márcio-André sobre a necessidade de critérios de qualidade para a seleção de autores e textos para publicação numa revista literária (e nesse aspecto a Revista Confraria está de parabéns); com o Claudiney Ferreira, do Itaú Cultural, com o Samuel León, da Iluminuras, com a Camila do Valle, da Funceb, com o Marcelino Freire e a Andréa Del Fuego, entre outros amigos e comparsas, que não irei reproduzir aqui, para não cansar vocês, mas uma coisa é certa: eventos como este são importantes, também para que os criadores possam se reunir e discutir idéias, projetos, parcerias; é desse fermento que surgem muitas realizações. Voltei a São Paulo no dia 07, e desci no aeroporto de Guarulhos já com saudades de tantos bons momentos. Não vou falar dos porres em Los Chilenos, de quem cantou na rua de madrugada, nem de outras questões comprometedoras; o fato é que trabalhamos, sim, e também nos divertimos muito! Besos, 

CD


quarta-feira, 4 de julho de 2012


A POLÍCIA DO PENSAMENTO DO JUIZ RÉGIS BONVICINO

Caros, não é segredo para ninguém que eu apóio a causa da emancipação palestina. É de conhecimento de todos os que acompanham a minha página no Facebook que eu me filiei ao Partido Comunista do Brasil (PC do B). Não escondo o meu pensamento, e não preciso invocar o capítulo da Constituição Federal que garante os direitos e deveres individuais e coletivos, entre eles o da liberdade de expressão (“é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”).

Também é do conhecimento dos que acompanham o meu mural de que há vários anos sou perseguido pelo juiz Régis Bonvicino (cujas “obras completas” foram publicadas, com dinheiro público, pela Imprensa Oficial do Estado), que visa atingir minha vida pessoal, familiar e profissional, seja via ofensas em sua revista publicada na internet, a “Sibila”, seja via telefonemas e cartinhas ao secretário municipal da cultura, solicitando a minha demissão do Centro Cultural São Paulo (do mesmo modo que tenta afastar, sem sucesso, Frederico Barbosa da direção da Casa das Rosas).

Não farei comentários sobre a condição moral ou psiquiátrica do referido magistrado, que são notórias nos círculos literários, onde é motivo de chacotas e gracejos. Se ele precisa agir desse modo para se autoafirmar, talvez tenha sérias dúvidas sobre o valor e permanência de suas obras poéticas, elogiadas hoje apenas por uns poucos autores iniciantes, desconhecidos e de talento duvidoso, que se satisfazem em fazer o serviço de “moleques de recado” na revista Sibila.

O fato que desejo destacar nessa nota é outro. Graças à sua insistente atividade de “dedo-duro” junto ao secretário municipal da cultura (atividade muito em voga na década de 1970, no auge da ditadura militar), fui advertido hoje de que não poderei mais publicar conteúdos de caráter político em meu mural, devido a uma lei municipal, que restringe a liberdade de expressão dos funcionários públicos municipais.

Para permanecer na curadoria, acatarei a norma – o que o juiz Régis Bonvicino menos deseja é a minha continuidade no CCSP. Porém, como tenho o direito constitucional de exercer a liberdade de pensamento, seguirei publicando o que bem entender, fora do horário de trabalho, num grupo fechado no Facebook, chamado Revista de Política. Quem quiser continuar a acompanhar minhas publicações sobre o tema – inclusive o fake do juiz e os seus meirinhos – basta solicitar admissão ao grupo. Os amigos, claro, serão adicionados por mim, ou podem deixar seus nomes aqui.

Há braços,

Claudio Daniel




SENADO APROVA PROJETO DO SENADOR INÁCIO ARRUDA QUE CRIA O "BOLSA ARTISTA"


“Artistas amadores e profissionais poderão receber bolsa de estudo para aperfeiçoar suas formações. A Comissão de Educação do Senado aprovou hoje (3), em caráter terminativo, projeto de lei que institui a chamada Bolsa Artista. A matéria segue para a apreciação dos deputados federais. A proposta é conceder uma ajuda financeira, bancada pelo Ministério da Cultura, para a formação profissional em áreas como artes literárias, musicais, cênicas, visuais e audiovisuais. A concessão da bolsa será prioritária aos artistas em processo de formação, “com ênfase ao pluralismo de ideias e à preservação da diversidade cultural”, ressaltou o senador Inácio Arruda (PC do B-CE), autor do projeto de lei. O candidato ao benefício deve ser maior de 12 anos. No caso de ser menor de 18 anos, a pessoa tem que estar matriculada em instituição de ensino pública ou privada, a não ser que já tenha concluído o ensino médio. O estudante também não poderá ser beneficiário de qualquer outro programa governamental de formação profissional nesta área. A Bolsa Artista será concedida por um ano, em 12 parcelas mensais. O autor da proposta não esclarece, entretanto, se o valor cobrirá integralmente ou de forma parcial o curso a ser realizado.” (Agência Brasil)

MOVIMENTO LITERATURA PARA TODOS


O vereador Jamil Murad (PC do B) protocolou na Câmara Municipal de São Paulo projeto de lei que institui o Programa Permanente de Incentivo à Leitura. A meta é estimular o hábito da leitura, aproximar os autores e editoras do público leitor, facilitar o acesso às obras literárias, estimular o surgimento de novos autores, contribuir para a preservação da língua e da cultura nacional e contribuir para a formação crítica e cultural da população paulistana.

Segundo a proposta, as ações do programa incluirão o estímulo à realização de visitas dos autores junto à rede de ensine de bibliotecas municipais, de feiras literárias na rede de ensino municipal com participação das editoras e disponibilização de livros a preços módicos; de palestras e debates com escritores e poetas nas bibliotecas municipais; a elaboração de cursos e oficinas de criação literária nas bibliotecas municipais; a realização de festivais, concursos, exposição de textos e poesias na rede municipal de ensino e bibliotecas municipais e a edição e distribuição gratuita na rede municipal de ensino, bibliotecas municipais e veículos coletivos de livretos de poesia e contos de autores que estão em domínio público. Além disso, o Executivo poderá divulgar novos autores em seu sítio ou outras publicações oficiais.

Ao justificar seu projeto, Jamil colocou que a literatura é essencial para a formação da cultura de um país. “Ela colabora para o desenvolvimento das capacidades de imaginação, percepção, reflexão e criatividade; mantém vivos o idioma pátrio e os processos comunicativos e promove a formação crítica e histórica do cidadão”.

Para ele, “a literatura de um país é patrimônio valioso de todos os cidadãos. Facilitar o acesso à produção literária é fortalecer um direito da comunidade e contribuir para o desenvolvimento da sociedade”.

O projeto será votado na Câmara Municipal de São Paulo em novembro deste ano, após ser analisado em várias comissões. É muito importante que os poetas, escritores, intelectuais e professores se mobilizem em apoio a este projeto, para que os vereadores saibam que ele atende aos interesses de uma parcela significativa da sociedade. 

Quem apóia o projeto de Jamil Murad pode assinar uma petição on line na página http://www.peticaopublica.com.br/?pi=PCDOB12

terça-feira, 3 de julho de 2012

POESIA DOS 4 CANTOS: NOITE CUBANA


Poesia dos 4 Cantos (Noite Cubana) é um recital de música e poesia que acontecerá no dia 06 de julho (sexta-feira), às 20h30, na Praça Mário Chamie (Bibliotecas) do Centro Cultural São Paulo, rua Vergueiro, n. 1.000, com a poeta Lélia Maria Romero, que lerá poemas de Lezama Lima, Severo Sarduy, José Kozer e outros poetas cubanos, e os músicos Sidnei Ishara (Sidão), Jica, Jayme Lessa e a cantora Miriam Miràh. Entrada grátis, sem a necessidade de retirada de ingressos. 

domingo, 1 de julho de 2012


UM POEMA DE MARIA ALICE VASCONCELOS


POEMAS ENSIMESMADOS

olho por olho
negrume do meio dia
ensimesmado
não detém o tempo
pavimento incrustado de
crânios sisudos
olho por olho
passante pensante e desatento
pisoteia a paisagem
que se renova
verso e reverso
de várias moedas
estampadas no cosmo
 
corpo em rotação
quartel de pensamentos
ensimesmado
não se atém ao tempo
articula ideias:
-palavras-pétala
prenhes de lirismo 
vida e matiz
nas alamedas do ego
-palavras-pedra
embalam ventre mamute
lavram dentes na escritura
abstração – matéria – abstração
eixo do universo rotatório das ideias
painel circular de espelhos
ensimesmado
não paralisa o tempo
projeta imagens múltiplas
carro alegórico das ideias
ovulando fractais de oroboro
ovo a ovo
mantém o giro reflexo
fluxo contínuo de corpo e mente
alimentando o cosmo
ficção – ciência – ficção

UM POEMA DE CELSO VEGRO


SINISTRA DE OCUPAÇÕES

Comedores de caranguejos
tatuam
com memória da lama.

Encantadores de víboras,
toleram
oculto senso de horror.

Adestradores de elefantes,
rivalizam
pela potência das trombas.

Ensaiadores de golfinhos,
induzem
derruídas precipitações.

Mineradores da autenticidade,
ossificam
ressonâncias de vidas passadas.