domingo, 8 de julho de 2012
A POESIA BRASILEIRA ESTÁ EM CRISE, CARA-PÁLIDA?
Uma literatura que tem poetas
como Augusto de Campos, Décio Pignatari, Ferreira Gullar, Manoel de Barros, Armando
Freitas Filho, Claudio Willer, Glauco Mattoso, Josely Vianna Baptista, Duda Machado, Claudia Roquette-Pinto, Alice
Ruiz, Arnaldo Antunes, Ricardo Aleixo, Donizete Galvão, Frederico Barbosa, Ademir Assunção,
Rodrigo Garcia Lopes, Horácio Costa, Simone Homem de Mello, Ricardo Corona (para não citar dezenas de poetas
jovens talentosos) está em crise? Só na cabeça de críticos da Escola do
Ressentimento.
UMA CONVERSA COM AUGUSTO DE CAMPOS
A crise do verso anunciada por Mallarmé, a seu ver, aponta para o fim
da poesia como arte verbal, com a adoção dos meios eletrônicos, ou ainda é
possível a experimentação no poema-texto?
Augusto de Campos: Não acho que a crise do verso
aponte para o fim da poesia como arte verbal, mas para um redimensionamento
estrutural do poema. Essa reestruturação começou a ser trabalhada de vários
modos pelas vanguardas do início do século, mas foi interrompida pela intervenção
de duas grandes guerras e de duas ditaduras, a nazista e a stalinista, que
perseguiram tenazmente os artistas experimentais e retardaram a evolução.
Retomada, sob a inspiração de Mallarmé, pela poesia concreta, na segunda metade
do século, essa abertura estrutural continha em germe os pressupostos das
linguagens que iriam encontrar o seu "habitat" natural no contexto
das novas tecnologias eletrônicas. Nesse contexto, a palavra não deixa de ter
lugar, mas tem que ser reciclada, entrando em contato direto com a dimensão
não-verbal, as imagens e os sons, e passa a ser interdisciplinar, intertextual
e muitas vezes interativa, além de projetar-se em parâmetros materiais mais
amplos, que devem levar em conta critérios de forma, cor, espaço e movimento. Não
há porque excluir o livro ou outros suportes matéricos e textuais, que seguem o
seu curso e até se beneficiam da tecnologia digital no processo de sua feitura.
O que ocorre é a abertura insopitável para o universo virtual, em situações em
que a palavra, potencializada em todos os seus parâmetros, já não cabe no
livro. Suponho que haverá ainda, por muito tempo, lugar para aqueles que
prefiram trabalhar exclusivamente as poéticas do texto fora do contexto das
novas mídias eletrônicas. Por outro lado, insisto em sublinhar, o mero domínio
do computador não transforma ninguém, só por só, em grande poeta, e as
facilidades da engenharia digital devem preocupar sempre aqueles que a usam.
Acima de tudo, a grande arte é sempre difícil. "Sem presumir o que sairá
daqui, nada ou quase uma arte", dizia Mallarmé, há um século, no prefácio
do Lance de dados, que antecipou todos os lances. E Pound, inventor de tudo:
"Beauty is difficult". E Schoenberg, mestre de todos, aos seus
alunos: "Eu vim aqui para tornar impossível a vocês compor música".
Daí surgiram Anton Webern, Alban Berg e John Cage.
(Trecho de uma entrevista que fiz com Augusto de Campos, publicada em 1998 no Suplemento Literário de Minas Gerais. O texto integral está aqui, http://www.elsonfroes.com.br/acampos.htm)
sábado, 7 de julho de 2012
BARROCO, NEOBARROCO, TRANSBARROCO
Haroldo de Campos
O grande poeta e romancista cubano José Lezama Lima, em ensaio famoso, definiu o barroco americano como “a arte da contraconquista”. A concepção de Lezama foi, recentemente, retomada em suas implicações por Carlos Fuentes, em O espelho enterrado: “O barroco é uma arte de deslocamentos, semelhante a um espelho em que, constantemente, podemos ver a nossa identidade em mudança.” (...) “Para nossos maiores artistas --, prossegue Fuentes, invocando a proposta de José Martí, de uma ‘cultura totalmente inclusiva’ --, a diversidade cultural, longe de ser um embaraço, transformou-se na própria fonte da criatividade.”1 Considerando, ademais, o fenômeno do hibridismo indo-afro-ibérico na arquitetura e nas artes plásticas do Novo Mundo, Fuentes assevera, convergindo com Lezama: “O sincretismo religioso triunfou e, com ele, de algum modo, os conquistadores foram conquistados.”2 Antes do cubano, em seu A marcha das utopias, Oswald de Andrade, teórico e prático da “antropofagia” como devoração crítico-cultural, já ressaltara, quanto ao barroco americano, o seu característico “estilo utópico”, “das descobertas” que resgataram a Europa do “egocentrismo ptolomaico.”3
O grande poeta e romancista cubano José Lezama Lima, em ensaio famoso, definiu o barroco americano como “a arte da contraconquista”. A concepção de Lezama foi, recentemente, retomada em suas implicações por Carlos Fuentes, em O espelho enterrado: “O barroco é uma arte de deslocamentos, semelhante a um espelho em que, constantemente, podemos ver a nossa identidade em mudança.” (...) “Para nossos maiores artistas --, prossegue Fuentes, invocando a proposta de José Martí, de uma ‘cultura totalmente inclusiva’ --, a diversidade cultural, longe de ser um embaraço, transformou-se na própria fonte da criatividade.”1 Considerando, ademais, o fenômeno do hibridismo indo-afro-ibérico na arquitetura e nas artes plásticas do Novo Mundo, Fuentes assevera, convergindo com Lezama: “O sincretismo religioso triunfou e, com ele, de algum modo, os conquistadores foram conquistados.”2 Antes do cubano, em seu A marcha das utopias, Oswald de Andrade, teórico e prático da “antropofagia” como devoração crítico-cultural, já ressaltara, quanto ao barroco americano, o seu característico “estilo utópico”, “das descobertas” que resgataram a Europa do “egocentrismo ptolomaico.”3
Esses parâmetros referenciais sinalizam a importância do
barroco em sua transplantação na Ibero-América, onde se miscigenou ao
contributo indígena e africano.
Recentemente, em texto que me foi
encomendado pelo Guggenheim Museum para figurar no monumental catálogo da
exposição Brazil: Body and Soul, cujo
carro-chefe era a arte barroca em nosso país, tive a oportunidade de rastrear
os fios dispersos desse estilo em nossa literatura (sobretudo na poesia, mas
também na prosa), a partir do barroco histórico da Colônia, projetando-o,
todavia, no presente de criação.4
Entre outras considerações,
procurei mostrar a “pervivência” (Fortleben,
W. Benjamin) transmigratória desse estilo no Brasil, fora do estrito marco
histórico dos Seiscentos/Setecentos (Gregório de Matos, Botelho de Oliveira,
Padre Vieira, e no plano das artes plásticas, o Aleijadinho, o
escultor-arquiteto de Ouro Preto/Vila Rica, que faz pendant com o índio José Kondori, arquiteto das igrejas de Potosí,
no Peru, e encontra uma réplica atual no barroquismo de Oscar Niemeyer).
Duas linhas, dois veios percorrem o barroco histórico: o
“sério-estético” (lírico,encomiástico, religioso) e o “joco-satírico” (aliado,
na prosa, ao “picaresco”, gênero este que deu, entre nós, com variantes e
características próprias, o “romance malandro”, estudado por Antonio Candido).5
Na primeira dessas linhas,
lembrei as “Cartas chilenas”, longo poema atribuído ao árcade mineiro Tomás
Antônio Gonzaga; o romântico Bernardo Guimarães, dos pornopoemas paródicos e
dos abstrusos “bestialógicos” pré-sonoristas; Luiz Gama, outro romântico, o
poeta negro, ex-escravo, da virulenta e desmistificadora “Bodarrada”; o
Sousândrade do “Tatuturema” e do “Inferno de Wall Street”, um romântico
excepcional, não-canônico, que prefigurou a poesia moderna e de vanguarda,
internacionalmente falando.
No veio “sério estético”, lembrei
os árcades tardo-barroquistas Cláudio Manoel da Costa e Alvarenga Peixoto; o
“pai-rococó” Odorico Mendes, precursor de certo Sousândrade, tradutor
“monstruoso” (como o foram Voss e, acima de todos, Höelderlin) dos clássicos
(Virgílio e Homero); o Sousândrade “preciosista” de O guesa e de O novo Éden,
entre barroquista e simbolista; Cruz e Sousa, o “cisne negro” que liderou o
nosso Simbolismo (e que não por acaso, num soneto antiescravista, celebrou a
pompa da linguagem de Gôngora [“Eu quero em rude verso altivo adamastórico /
vermelho, colossal, d’estrépito, gongórico”] como o fez, por seu turno, o
pioneiro nicaragüense do Modernismo/Simbolismo hispano-americano, Rubén Darío,
nos textos de estilo gongorino em que homenageou, sob a forma de sonetos
dialogais, o enigmático cordovês ao lado de Velásquez)6; Augusto dos Anjos e
Euclides da Cunha, barrocos “cientificistas”, na poesia o primeiro e na prosa o
segundo; sem esquecer Raul Pompéia, de O
Ateneu, “última e derradeiramente legítima expressão do barroco entre nós”,
segundo opinou Mário de Andrade.7
Incursionando à vol d’oiseau pela Modernidade, lembrei
o desigual e prolixo Invenção de Orfeu,
de Jorge de Lima (poema da predileção de outro barroquista, este de minha
geração, o inolvidável Mário Faustino); os poetas Décio Pignatari (“O jogral e
a prostituta negra”, “Périplo de Agosto a água e sal”, “Rosa d’amigos”, “Fadas
para Eni”) e Affonso Ávila (Cantaria
barroca). Na prosa, o excepcional Grande
Sertão: Veredas (que corresponde em importância a Paradiso, de Lezama Lima); Catatau,
a “barrocodélica” rapsódia de Paulo Leminski.
Tratava-se, evidentemente, dadas
as limitações do espaço reservado aos colaboradores, de uma súmula apenas
“exemplificativa”, não “exaustiva” e muito menos “taxativa”.
Do ponto de vista teórico, em meu
artigo de 1955 “A obra de arte aberta”, que precedeu de mais de seis anos a Opera Aperta (1962) de Umberto Eco
(embora, entre nós, quando se aborda o tema, se costume silenciar sobre essa
circunstância antecipatória fatual), houve uma segunda precursão: nos seus
parágrafos finais, enunciei, expressamente, o prospecto de um “barroco moderno”
ou “neobarroco” (antes, portanto, de Severo Sarduy, querido e admirado amigo a
cuja memória dediquei um poema em Crisamtempo;
Sarduy veio a introduzir o conceito no campo hispano-americano em 1972, sem
conhecer o meu texto de 55).8 É preciso, ademais, referir que, embora não
empregassem a expressão “neobarroco”, tanto Lezama Lima (La expresión americana, 1. ed., 1957), como Alejo Carpentier, dois
mestres cubanos influentes em Sarduy, já reivindicavam, em âmbito
hispano-americano, o estilo barrroco e o barroquismo de impacto
trans-histórico.9 Em minha prática poética, textos como Ciropédia e Claustrofobia,
ambos de 1952, constituem, como já tenho afirmado, a pré-história barroquizante
de minhas Galáxias (1963-76).
Hoje em dia, esse conceito de
“neobarroco” parece derivar no sentido de um pervasivo “transbarroco”
latino-americano (para só falar do que se passa na América Ibérica). Nessa
direção apontam três antologias: Caribe
transplatino, bilíngüe, organizada por Néstor Perlongher com traduções de
Josely Vianna Baptista, Iluminuras, São Paulo, 1991; Transplatinos, organizada por Roberto Echavarren, El Tucán de
Virginia, México, 1990; Medusario/Muestra
de poesía latinoamericana, organizada por Roberto Echavarren, José Kozer e
Jacobo Sefamí, México, Fondo de Cultura Económica, 1996. Jardim de camaleões – A
poesia neobarroca na América Latina, a antologia organizada pelo jovem
poeta Cláudio Daniel (ele próprio um dotado “neobarroquista”), com traduções
dele e de Luiz Roberto Guedes, ora editada pela Iluminuras, torna acessível ao
leitor brasileiro, de maneira bastante ampla (incluindo alguns nomes já
bastante conhecidos, ao lado de outros mais jovens) essa deriva “transbarroca”
que percorre o espaço textual de nossa América, não de modo homogêneo e
uniforme, mas regendo-se por uma fascinante estratégia de nuanças.
São Paulo, março de
2002.
(Prefácio de Haroldo de
Campos a meu livro Jardim de Camaleões: A Poesia Neobarroca na América
Latina. São Paulo: Iluminuras, 2004;)
1) Lezama Lima, José. La
expresión americana. Madri, Alianza Editorial, 1969; 1. ed; 1957; tradução
brasileira por Irlemar Chiampi, A expressão americana, São Paulo,
Brasiliense, 1988.
2) Fuentes, Carlos. O espelho
enterrado, traduzido por Mauro Gama, Rio de Janeiro, Rocco, 2001; título
original: The buried mirror, 1992.
3) Andrade, Oswald de. A marcha
das utopias, 1953, conjunto de artigos publicados em O Estado de S.
Paulo e reunidos em livro na série “Cadernos de Cultura”, Rio de Janeiro,
MEC/Serviço de Documentação, n. 139, 1996.
4) Sullivan, E.J. (org.). Brazil:
body and soul. New York, Guggenheim Museum,
The Salomon R. Guggenheim Foundation, 2001. Meu ensaio, que se ocupa
também de outros aspectos, culturais e sociais, da questão, tem por título
“Literary and artistic culture in modern Brazil”.
5) Antonio Candido. “Dialética da
malandragem”, Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo,
USP, n. 8, 1970.
6) Darío, Rubén. Cantos de
vida y esperanza (“Otros poemas”, VII - Trébol, I a III), 1905; Buenos
Aires/México, Espasa-Calpe, 1943.
7) Andrade, Mário de.Aspectos
da literatura basileira (“O ateneu”). São Paulo, Livraria Martins Editora,
s.d. (o ensaio remonta a 1941).
8) A propósito, ver a introdução
de Eco à edição brasileira de seu livro, Obra aberta, São Paulo,
Perspectiva, 1968. Quanto à cronologia da noção de “neobarroco”, ver Andrés
Sánchez Robayna Barroco de la levedad (Barroco da leveza), Revista da USP,
São Paulo, jan.-fev. 1990-91, p. 139, nota 23.
9) De Carpentier, a obra mais
extremadamente característica da tendência é, a meu ver, Concierlo barroco,
1974); o autor, que também se manifestou através de ensaios críticos (Tientos
y diferencias), para o fim de definir o espírito latino-americano fundem as
noções de barroco e de “real maravilhoso”, chegando, assim, à tese do creollismo
(entendido como “mestiçagem”); cf. Dill, Hans-Otto. Geschichte der
lateinamerikanischen Literatur im Überblick, Stuttgart, Reclam, 1999.
10) Refira-se que o argentino
Perlongher, praticando uma sorte de barroquismo kitsch, define-se como
“neobarroso”, aludindo ao livro lustral do Rio da Prata.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
FERVOR DE BUENOS AIRES
Caros, em dezembro de 2007 estive em Buenos Aires, participando de uma edição internacional do evento Encontros de Interrogação, promovido pelo Itaú Cultural, ao lado de poetas e escritores como Marcelino Freire, Nelson de Oliveira, Edson Cruz, Márcio-André e Ricardo Aleixo. Segue abaixo uma breve crônica que escrevi na época:
Fiz um passeio pelo bairro da Recoleta junto com Ricardo Aleixo, Márcio-André (editor da Revista Confraria) e sua esposa, Karina Alves Gulias. Um momento engraçado foi quando Ricardo resolveu gravar minha leitura de Versos Íntimos, de Augusto dos Anjos, dentro de um cemitério (“Vês? Ninguém assistiu ao formidável / Enterro de tua última quimera, / Somente a Ingratidão, esta pantera / Foi tua companheira inseparável”). Depois, ele gravou um depoimento meu, e outro de Márcio-André, sobre as relações entre poesia e sonorização (nada a ver com poesia e música, e sim com o trabalho harmônico e rítmico em cada palavra, frase, estrofe ou bloco de texto, bem como o diálogo entre a música natural das palavras e outros recursos sonoros, não necessariamente melódicos, ou sequer instrumentais.)
Ricardo perguntou-me como eu trabalhava os sons em meus poemas; respondi a ele que buscava tornar o idioma português estranho ao próprio português, pela incorporação de neologismos, arcaísmos, palavras de outros idiomas, como o sânscrito, sons abstratos, além de subverter o sentido habitual das unidades semânticas. Também penso a duração de cada linha como um acorde, e a sucessão das linhas como algo descontínuo, sem unidade rítmica, mas explorando a dissonância e a polirritmia, acentuadas pela diagramação do texto na página. Ele me perguntou como seria um CD de poesia feito por mim; disse a ele que não incluiria canções, ou música incidental, mas faria a declamação dos poemas, realçando o timbre e a duração de cada palavra. Ele fez várias observações interessantes (uma pena que não gravamos toda a conversa!), como a inclusão, nesse CD hipotético, de ruídos do ambiente externo, sons produzidos por objetos, entre outros, não como “acompanhamento”, mas sim como ruído e tensão. Se um dia eu produzir esse hipotético livro sonoro (também falamos sobre a necessidade de atualizar o conceito de “livro”, para além do objeto guttemberguiano), com certeza, vou chamá-lo para trabalhar comigo nesse projeto. Aliás, Ricardo, que apresentou uma bela performance poético-sonoro-visual em Buenos Aires, dará uma oficina sobre o tema na Casa das Rosas, em janeiro, aguardem informações sobre isso na Pele de Lontra.
Outro tema que conversei com ele foi sobre a profissionalização do trabalho do escritor, mas voltarei a isso em outra ocasião, pois merece um espaço à parte. Também tive ótimas conversas com o Márcio-André sobre a necessidade de critérios de qualidade para a seleção de autores e textos para publicação numa revista literária (e nesse aspecto a Revista Confraria está de parabéns); com o Claudiney Ferreira, do Itaú Cultural, com o Samuel León, da Iluminuras, com a Camila do Valle, da Funceb, com o Marcelino Freire e a Andréa Del Fuego, entre outros amigos e comparsas, que não irei reproduzir aqui, para não cansar vocês, mas uma coisa é certa: eventos como este são importantes, também para que os criadores possam se reunir e discutir idéias, projetos, parcerias; é desse fermento que surgem muitas realizações. Voltei a São Paulo no dia 07, e desci no aeroporto de Guarulhos já com saudades de tantos bons momentos. Não vou falar dos porres em Los Chilenos, de quem cantou na rua de madrugada, nem de outras questões comprometedoras; o fato é que trabalhamos, sim, e também nos divertimos muito! Besos,
CD
quarta-feira, 4 de julho de 2012
A POLÍCIA DO PENSAMENTO DO JUIZ RÉGIS BONVICINO
Caros, não é segredo para ninguém que eu apóio a
causa da emancipação palestina. É de conhecimento de todos os que acompanham a
minha página no Facebook que eu me filiei ao Partido Comunista do Brasil (PC do
B). Não escondo o meu pensamento, e não preciso invocar o capítulo da
Constituição Federal que garante os direitos e deveres individuais e coletivos,
entre eles o da liberdade de expressão (“é livre a expressão da atividade
intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura
ou licença”).
Também é do conhecimento dos que acompanham o meu
mural de que há vários anos sou perseguido pelo juiz Régis Bonvicino (cujas
“obras completas” foram publicadas, com dinheiro público, pela Imprensa Oficial
do Estado), que visa atingir minha vida pessoal, familiar e profissional, seja
via ofensas em sua revista publicada na internet, a “Sibila”, seja via
telefonemas e cartinhas ao secretário municipal da cultura, solicitando a minha
demissão do Centro Cultural São Paulo (do mesmo modo que tenta afastar, sem
sucesso, Frederico Barbosa da direção da Casa das Rosas).
Não farei comentários sobre a condição moral ou
psiquiátrica do referido magistrado, que são notórias nos círculos literários,
onde é motivo de chacotas e gracejos. Se ele precisa agir desse modo para se
autoafirmar, talvez tenha sérias dúvidas sobre o valor e permanência de suas
obras poéticas, elogiadas hoje apenas por uns poucos autores iniciantes, desconhecidos
e de talento duvidoso, que se satisfazem em fazer o serviço de “moleques de
recado” na revista Sibila.
O fato que desejo destacar nessa nota é outro.
Graças à sua insistente atividade de “dedo-duro” junto ao secretário municipal
da cultura (atividade muito em voga na década de 1970, no auge da ditadura
militar), fui advertido hoje de que não poderei mais publicar conteúdos de
caráter político em meu mural, devido a uma lei municipal, que restringe a
liberdade de expressão dos funcionários públicos municipais.
Para permanecer na curadoria, acatarei a norma –
o que o juiz Régis Bonvicino menos deseja é a minha continuidade no CCSP.
Porém, como tenho o direito constitucional de exercer a liberdade de
pensamento, seguirei publicando o que bem entender, fora do horário de
trabalho, num grupo fechado no Facebook, chamado Revista de Política. Quem
quiser continuar a acompanhar minhas publicações sobre o tema – inclusive o
fake do juiz e os seus meirinhos – basta solicitar admissão ao grupo. Os amigos,
claro, serão adicionados por mim, ou podem deixar seus nomes aqui.
Há braços,
Claudio Daniel
SENADO APROVA PROJETO DO SENADOR INÁCIO ARRUDA QUE CRIA O "BOLSA ARTISTA"
“Artistas amadores e profissionais poderão receber bolsa de estudo para
aperfeiçoar suas formações. A Comissão de Educação do Senado aprovou
hoje (3), em caráter terminativo, projeto de lei que institui a chamada
Bolsa Artista. A matéria segue para a apreciação dos deputados federais.
A proposta é conceder uma ajuda financeira,
bancada pelo Ministério da Cultura, para a formação profissional em
áreas como artes literárias, musicais, cênicas, visuais e audiovisuais. A
concessão da bolsa será prioritária aos artistas em processo de
formação, “com ênfase ao pluralismo de ideias e à preservação da
diversidade cultural”, ressaltou o senador Inácio Arruda (PC do B-CE),
autor do projeto de lei. O candidato ao benefício deve ser maior de 12
anos. No caso de ser menor de 18 anos, a pessoa tem que estar
matriculada em instituição de ensino pública ou privada, a não ser que
já tenha concluído o ensino médio. O estudante também não poderá ser
beneficiário de qualquer outro programa governamental de formação
profissional nesta área. A Bolsa Artista será concedida por um ano, em
12 parcelas mensais. O autor da proposta não esclarece, entretanto, se o
valor cobrirá integralmente ou de forma parcial o curso a ser
realizado.” (Agência Brasil)
MOVIMENTO LITERATURA PARA TODOS
O vereador Jamil Murad (PC do B) protocolou na Câmara Municipal de São
Paulo projeto de lei que institui o Programa Permanente de Incentivo à
Leitura. A meta é estimular o hábito da leitura, aproximar os autores e
editoras do público leitor, facilitar o acesso às obras literárias,
estimular o surgimento de novos autores, contribuir para a preservação
da língua e da cultura nacional e contribuir para a formação crítica e
cultural da população paulistana.
Segundo a proposta, as ações do programa incluirão o estímulo à realização de visitas dos autores junto à rede de ensine de bibliotecas municipais, de feiras literárias na rede de ensino municipal com participação das editoras e disponibilização de livros a preços módicos; de palestras e debates com escritores e poetas nas bibliotecas municipais; a elaboração de cursos e oficinas de criação literária nas bibliotecas municipais; a realização de festivais, concursos, exposição de textos e poesias na rede municipal de ensino e bibliotecas municipais e a edição e distribuição gratuita na rede municipal de ensino, bibliotecas municipais e veículos coletivos de livretos de poesia e contos de autores que estão em domínio público. Além disso, o Executivo poderá divulgar novos autores em seu sítio ou outras publicações oficiais.
Ao justificar seu projeto, Jamil colocou que a literatura é essencial para a formação da cultura de um país. “Ela colabora para o desenvolvimento das capacidades de imaginação, percepção, reflexão e criatividade; mantém vivos o idioma pátrio e os processos comunicativos e promove a formação crítica e histórica do cidadão”.
Para ele, “a literatura de um país é patrimônio valioso de todos os cidadãos. Facilitar o acesso à produção literária é fortalecer um direito da comunidade e contribuir para o desenvolvimento da sociedade”.
O projeto será votado na Câmara Municipal de São Paulo em novembro deste ano, após ser analisado em várias comissões. É muito importante que os poetas, escritores, intelectuais e professores se mobilizem em apoio a este projeto, para que os vereadores saibam que ele atende aos interesses de uma parcela significativa da sociedade.
Segundo a proposta, as ações do programa incluirão o estímulo à realização de visitas dos autores junto à rede de ensine de bibliotecas municipais, de feiras literárias na rede de ensino municipal com participação das editoras e disponibilização de livros a preços módicos; de palestras e debates com escritores e poetas nas bibliotecas municipais; a elaboração de cursos e oficinas de criação literária nas bibliotecas municipais; a realização de festivais, concursos, exposição de textos e poesias na rede municipal de ensino e bibliotecas municipais e a edição e distribuição gratuita na rede municipal de ensino, bibliotecas municipais e veículos coletivos de livretos de poesia e contos de autores que estão em domínio público. Além disso, o Executivo poderá divulgar novos autores em seu sítio ou outras publicações oficiais.
Ao justificar seu projeto, Jamil colocou que a literatura é essencial para a formação da cultura de um país. “Ela colabora para o desenvolvimento das capacidades de imaginação, percepção, reflexão e criatividade; mantém vivos o idioma pátrio e os processos comunicativos e promove a formação crítica e histórica do cidadão”.
Para ele, “a literatura de um país é patrimônio valioso de todos os cidadãos. Facilitar o acesso à produção literária é fortalecer um direito da comunidade e contribuir para o desenvolvimento da sociedade”.
O projeto será votado na Câmara Municipal de São Paulo em novembro deste ano, após ser analisado em várias comissões. É muito importante que os poetas, escritores, intelectuais e professores se mobilizem em apoio a este projeto, para que os vereadores saibam que ele atende aos interesses de uma parcela significativa da sociedade.
Quem apóia o projeto de Jamil Murad pode assinar uma petição on line na página http://www.peticaopublica.com.br/?pi=PCDOB12
terça-feira, 3 de julho de 2012
POESIA DOS 4 CANTOS: NOITE CUBANA
Poesia
dos 4 Cantos (Noite Cubana) é um recital de música e poesia que acontecerá no
dia 06 de julho (sexta-feira), às 20h30, na Praça Mário Chamie (Bibliotecas) do
Centro Cultural São Paulo, rua Vergueiro, n. 1.000, com a poeta Lélia Maria
Romero, que lerá poemas de Lezama Lima, Severo Sarduy, José Kozer e outros
poetas cubanos, e os músicos Sidnei Ishara (Sidão), Jica, Jayme Lessa e a
cantora Miriam Miràh. Entrada grátis, sem a necessidade de retirada de
ingressos.
domingo, 1 de julho de 2012
UM POEMA DE MARIA ALICE VASCONCELOS
POEMAS ENSIMESMADOS
olho por olho
negrume do meio dia
ensimesmado
não detém o tempo
pavimento incrustado de
crânios sisudos
olho por olho
passante pensante e desatento
pisoteia a paisagem
que se renova
verso e reverso
de várias moedas
estampadas no cosmo
corpo em rotação
quartel de pensamentos
ensimesmado
não se atém ao tempo
articula ideias:
-palavras-pétala
prenhes de lirismo
vida e matiz
nas alamedas do ego
-palavras-pedra
embalam ventre mamute
lavram dentes na escritura
abstração – matéria –
abstração
eixo do universo rotatório
das ideias
painel circular de espelhos
ensimesmado
não paralisa o tempo
projeta imagens múltiplas
carro alegórico das ideias
ovulando fractais de oroboro
ovo a ovo
mantém o giro reflexo
fluxo contínuo de corpo e
mente
alimentando o cosmo
ficção – ciência – ficção
UM POEMA DE CELSO VEGRO
SINISTRA DE OCUPAÇÕES
Comedores de caranguejos
tatuam
com memória da lama.
Encantadores de víboras,
toleram
oculto senso de horror.
Adestradores de elefantes,
rivalizam
pela potência das trombas.
Ensaiadores de golfinhos,
induzem
derruídas precipitações.
Mineradores da autenticidade,
ossificam
ressonâncias de vidas passadas.
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