domingo, 14 de junho de 2009
O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO
Para a minha alegria, estavam na platéia amigos como Armando Freitas Filho, um dos maiores poetas brasileiros, in my opinion, e Charles Perrone, o embaixador de nossa poesia contemporânea nos Estados Unidos. Para quem não sabe, Charles é professor, pesquisador e tradutor, e tem contribuído muito para divulgar as nossas letras no país de Walt Whitman.
Luís Serguilha, nosso embaixador em Portugal, também estava lá, participando das leituras poéticas e dos debates, e ainda o Richard Price, nosso embaixador no Reino Unido, que fez uma leitura de poemas de seu livro Cartas de ontem, organizado e traduzido por Virna Teixeira, que saiu pela Lumme Editor.
Aliás, a barraquinha de livros do Real Gabinete esteve bem movimentada, vendendo livros de poesia lançados recentemente, inclusive os da coleção Caixa Preta: Fronteiras da pele, de Ana Maria Ramiro, Prática do Azul, de Jorge Lúcio de Campos, e Trânsitos, de Virna Teixeira.
Na sexta-feira, além da palestra de Costa Lima, aconteceu um debate sobre as revistas literárias, com a participação de André Vallias (Errática), Sérgio Cohn (Azougue), Claudio Daniel (Zunái) e Márcio-André (Confraria), além de um recital que reuniu Leonardo Gandolfi, Camila Vardarac, Virna Teixeira, Lígia Dabul, Luís Serguilha, Rodrigo de Souza Leão e Izabela Leal.
Depois do recital, fomos comemorar no Amarelinho, onde tive uma interessante conversa com André Vallias, que publicará em breve pela editora Perspectiva uma antologia com poemas de Heinrich Heine. Após algumas cervejas, o grupo foi até outro bar na Lapa (debaixo de chuva), onde ficamos até as duas da manhã.
No sábado, o evento começou com um debate sobre a atual poesia brasileira. Estavam na mesa Paulo Henriques Britto e moi même. A conversa foi bem animada; nós dois temos idéias diferentes sobre poesia, mas expressamos nossas opiniões de modo argumentativo, claro e objetivo, em clima fraternal e descontraído. No final, dei a ele de presente um exemplar de meu livro Fera Bifronte.
Após o debate, houve o lançamento de livros, um recital com os poetas Sylvio Back, Greta Benitez, Diana de Hollanda, Thiago Ponce de Moraes, Ismar Tirelli, Pablo Araújo, Victor Paes e Ronaldo Ferrito, uma apresentação de videopoesia de Gabriela Marcondes e a performance poético-polifônica para voz, violino e processamento eletrônico, de Márcio-André.
O último evento foi a leitura de Richard Price, que também conversou com o público a respeito de temas como a influência do concretismo brasileiro na poesia escocesa, sobretudo em autores como Ian Hamilton Finlay e Edwin Morgan. O encerramento foi emocionante, e depois fomos beber mais algumas cervejas e comer carne de cabrito com arroz e brócolis num restaurante da Lapa.
Quero registrar aqui o apoio firme dado pela Madalena Vaz Pinto, diretora do Real Gabinete, que se entusiasmou pelo projeto desde o início, e também pela colaboração da editora Confraria e de todos os poetas que aceitaram participar do evento.
Em 2010, faremos nova edição do Artimanhas Poéticas, dessa vez em São Paulo e no Rio de Janeiro!
sábado, 13 de junho de 2009
DIÁRIO DE UM VIAJANTE
terça-feira, 9 de junho de 2009
A "DEMOCRACIA" DO PSDB

"Policiais militares que tentam reprimir um protesto na USP (Universidade de São Paulo) lançaram por volta das 17h50 desta terça-feira mais bombas de efeito moral contra os manifestantes, que bloquearam o acesso à universidade. Ainda não há informações sobre feridos ou sobre quantas pessoas participam do protesto.
Antes da confusão, estudantes e funcionários já haviam se reunido em frente à reitoria. Conforme o Sintusp (sindicato dos funcionários), o ato envolveria alunos, funcionários e professores da USP, Unesp e Unicamp, convocados pelo Fórum das Seis --que representa funcionários, professores e estudantes das três universidades paulistas. A reitoria informou que o confronto com a PM envolve apenas estudantes.
Nesta terça, o governador José Serra (PSDB) afirmou que o governo cumpre uma ordem judicial e, por isso, mantém a PM na universidade. "A questão é a seguinte: o governo está cumprindo ordem judicial. A reitora pediu segurança e o governo não tem outra alternativa se não cumprir a ordem judicial dada por um juiz", disse.
Os manifestantes pedem a reabertura das negociações com o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) e a retirada da PM do campus da USP. Desde o dia 1º, policiais militares permanecem na USP para evitar que funcionários, em greve desde 5 de maio, bloqueiem a entrada de prédios, incluindo o da reitoria, impedindo a entrada dos que não apoiam a greve.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
ARTIMANHAS POÉTICAS

UM POEMA DE MARCO VASQUES
(Nietzsche in Além do bem e do mal)
os movimentos dos corpos incineram
sobre a cama as secreções e excrementos
buscados em um anúncio de jornal
onde todos os prazeres são oferecidos
ao lado de uma manchete de estupro
e tudo se mistura no jardim de esqueletos
poluídos
garças brancas têm asas decapitadas pela
tinta das toalhas em que nos secamos
quando senhoras emparedadas costuram
as fraldas dos nenéns com suas cãs
carcomidas
adiante uma flauta em forma de pênis
solta a semente no ouvido de uma cifra
e cria-se voz e movimento entre o acelerar
e o gás carbônico de um escapamento
e mais um estupro nasce com promessa de vingança
e ainda chamam o filho de rebento
não bastasse isso ainda cresce
sob a luz de um poste prostituído
mais uma face cega para o mundo
(Poema do livro Elegias Urbanas, ed. Bem-te-vi, 2005)
sábado, 6 de junho de 2009
FERA BIFRONTE ESTÁ SOLTA NAS RUAS

sexta-feira, 5 de junho de 2009
POESIA, AIKIDÔ E OUTROS BABADOS
Caros, a partir de hoje, sou mestre em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo. A minha dissertação, com o título A estética do labirinto: barroco e modernidade em Ana Hatherly, foi aprovada pela banca, formada pelos professores Mário Lugarinho, Horácio Costa e Ana Maria Domingues, após uma ótima discussão de idéias. No domingo, passarei por outra prova, o exame de faixa amarela na Federação Paulista de Aikidô. E nos dias 12 e 13 de junho estarei no Rio de Janeiro, participando do festival Artimanhas Poéticas, de que sou curador. O evento faz parte das atividades do Laboratório de Criação Poética, e poderá ser realizado em outras cidades, desde que haja instituições interessadas em apoiar a sua organização. Esqueci de alguma coisa? Ah, sim, a Zunái agora tem um blog de notícias (confiram na lista de links ao lado), e acabou de sair da gráfica o meu livro Fera Bifronte, editado pela Lumme Editor, voltarei ao assunto em breve. Ufa, por ora é isto. Lembrem-se de ler Mallarmé antes de dormir!
Besos,
CD
quinta-feira, 4 de junho de 2009
ÚLTIMAS NOTÍCIAS (II)
quarta-feira, 3 de junho de 2009
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Hoje, a partir das 18h30, Claudio Willer lança o livro Geração Beat, publicado pela LP&M Editores, na Livraria Martins Fontes, Avenida Paulista, 509, pertinho do metrô Brigadeiro. E no dia 05 de junho, às 22h, acontecerá o lançamento de Trânsitos, o terceiro livro de poemas de Virna Teixeira, pelo selo Caixa Preta, da Lumme Editor. Será no espaço Jazznosfundos, situado na rua João Moura, 1076, Pinheiros.
A Lumme Editor, aliás, lança nesse mês uma série de novos títulos de poesia:
Campo de ampliação, de Casé Lontra Marques
Máquina final, de Efraín Rodríguez Santana
Prática do azul, de Jorge Lúcio de Campos (selo Caixa Preta)
Fronteiras da pele, de Ana Maria Ramiro (selo Caixa Preta)
Quem tiver interesse em adquirir algum desses livros pode escrever para a editora, pelo e-mail vendas@lummeeditor.com.
terça-feira, 2 de junho de 2009
DO LIVRO POETA EM NOVA YORK (VII)
Homenaje a Vicente Aleixandre por su poema El vals
Cayó una hoja
y dos
y tres.
Por la luna nadaba un pez.
El agua duerme una hora
y el mar blanco duerme cien.
La dama
estaba muerta en la rama.
La monja
cantaba dentro de la toronja.
La niña
iba por el pino a la piña.
Y el pino
buscaba la plumilla del trino.
Pero el ruiseñor
lloraba sus heridas alrededor.
Y yo también
porque cayó una hoja
y dos
y tres.
Y una cabeza de cristal
y un violín de papel
y la nieve podría con el mundo
si la nieve durmiera un mes,
y las ramas luchaban con el mundo
una a una,
dos a dos,
y tres a tres.
¡Oh duro marfil de carnes invisibles!
¡Oh golfo sin hormigas del amanecer!
Con el muuu de las ramas,
con el ay de las damas,
con el croo de las ranas,
y el gloo amarillo de la miel.
Llegará un torso de sombra
coronado de laurel.
Será el cielo para el viento
duro como una pared
y las ramas desgajadas
se irán bailando con él.
Una a una
alrededor de la luna,
dos a dos
alrededor del sol,
y tres a tres
para que los marfiles se duerman bien.
(Poema de Federico Garcia Lorca, do livro Poeta em Nova York)
VALSA NOS RAMOS
Homenagem a Vicente Aleixandre por seu poema O vale
Caiu uma folha
e duas
e três.
Um peixe nadava pela lua.
A água dorme uma hora
e o mar branco dorme cem.
A dama
estava morta no ramo.
A monja
cantava dentro da toronja.
A menina
ia do pinho à pinha.
E o pinho
buscava a pequena pluma do trinado.
Porém, o rouxinol
chorava suas feridas ao redor.
E eu também
porque caiu uma folha
e duas
e três.
E uma cabeça de cristal
e um violino de papel
e a neve apodrecia com o mundo
se a neve dormisse um mês,
e os ramos lutavam com o mundo
um a um
dos a dois
e três a três.
Oh duro marfim de carnes invisíveis!
Oh golfo sem formigas do amanhecer!
Com o muuu dos ramos,
com o ai das damas,
com o croo das rãs,
e o gloo amarelo do mel.
Chegará um torso de sombra
coroado de laurel.
Será o céu para o vento
duro como uma parede
e os ramos desgalhados
irão dançando com ele.
Um a um
ao redor da lua,
dois a dois
ao redor do sol,
e três a três
para que os marfins durmam bem.
Tradução: Claudio Daniel
segunda-feira, 1 de junho de 2009
VIAJANDO COM MALLARMÉ
A Angústia, sol nadir, sustém, lampadifária,
Tais sonhos vesperais queimados pela Fênix
Que não recolhe, ao fim, de ânfora cinerária
Sobre aras, no salão vazio: nenhum ptyx,
Falido bibelô de inanição sonora
(Que o Mestre foi haurir outros prantos no Styx
Com esse único ser de que o Nada se honora).
Mas junto à gelosia, ao norte vaga, um ouro
Agoniza talvez segundo o adorno, faísca
De licornes, coices de fogo ante o tesouro,
Ela, defunta nua num espelho, embora,
Que no olvido cabal do retângulo fixa
De outras cintilações o séptuor sem demora.
Tradução: Augusto de Campos

