segunda-feira, 26 de novembro de 2012

sábado, 24 de novembro de 2012

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL PALESTINA LIVRE



 Caros, o Fórum Social Mundial Palestina Livre (FSMPL) acontecerá entre os dias 28 de novembro e 01 de dezembro, na cidade de Porto Alegre (RS). O evento é organizado por movimentos sociais, sindicatos, entidades estudantis e populares como a CUT, UNE, MST, Federação Árabe Palestina (Fepal) e conta com o apoio e participação da revista Zunái. Confiram abaixo algumas atividades do Fórum:


DIA 28 – QUARTA-FEIRA

 A arte de resistência e a solidariedade com o povo palestino

Prof. Claudio Daniel - Revista Zunái; Eugênio Neves, Cartunista; Luciana Garcia, Historiadora e Natália Forcat, Artista Gráfica

Entidade promotora: FEPAL-Federação Árabe Palestina do Brasil

A atividade promoverá análise/debate sobre as formas de resistência e solidariedade ao povo palestino através da charge, poesia e outras artes.

14h às 16 h - Usina do Gasômetro - Casa Palestina

A economia politica da ocupação da Palestina

Prof. Dr. Jabr Omar – Universidade Federal de Pelotas

Entidade promotora: FEPAL-Federação Árabe Palestina do Brasil

Propõe analisar os fatores econômicos e geopolíticos por trás da ocupação da palestina. Desde a descoberta do Petróleo na região do Oriente Médio, as grandes potencias sempre tiver ambições que resultaram em estratégias politicas, econômicas e militares visando o domínio da região. A Palestina, inserida nesse contexto, sofreu as mais graves e conhecidas consequências dessa geopolítica internacional.

16h30 às 18:30 - Usina do Gasômetro - Casa Palestina                                                     

A comunidade palestina na fronteira: afirmação cultural e força econômica
Profa. Liane Chipollino Aseff – Historiadora
Entidade promotora: FEPAL-Federação Árabe Palestina do Brasil

A atividade tem por objetivo refletir sobre a trajetória dos imigrantes palestinos na cidade de Santana do Livramento (RS) a partir da década de 1960. Nesse período a comunidade local passou a conviver com uma cultura diferente, diversa daquela tida como “fronteiriça”, o que inicialmente gerou certo encantamento, dado o “exotismo” de sua cultura e métodos de vendas. 

16:30 às 18:30 - Usina do Gasômetro- Casa Palestina


DIA 29 – QUINTA-FEIRA

A luta de resistência das mulheres palestinas

Entidades promotoras: Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Federação Democrática Internacional das Mulheres (FDIM), União Brasileira de Mulheres (UBM), Confederação de Mulheres Brasileiras (CMB), CUT, MST/Via Campesina, Kairós e outras 
                                                                                                                                             14 às 16 h - UFRGS - Federal - Salão de Festas – Reitoria

Da Muralha de Ferro aos Muros de Separação
Prof. Dr. André  Gattaz  - Historiador    
Entidade promotora: FEPAL-Federação Árabe Palestina do Brasil
  
Conferência com o historiador André Gattaz, abordando aspectos históricos do conflito entre palestinos e colonos sionistas, de maneira a melhor compreender o contexto atual da ocupação israelense da Cisjordânia e a nova configuração do domínio sionista, baseada na guetização da palestina por meio da construção dos muros de separação.      
                                                                                                                                              14 às 16 h - Usina do Gasômetro - Casa Palestina

As esquerdas palestina e latino-americana: diálogos sobre a paz, a soberania e a descolonização

Entidades promotoras: Fundação Perseu Abramo/FPA, Fundação Maurício Grabois/FMG, Foro de São Paulo/FSP

14 às 16 h –  Assembléia Legislativa – Plenarinho/Auditório

DIA 30 – SEXTA-FEIRA

A luta social na Palestina ocupada
Entidades promotoras: Fundação Maurício Grabois - FMG, Fundação Perseu Abramo - FPA e Foro de São Paulo – FSP
12:15 às 13:30 - Assembléia Legislativa - sala Alberto Pasqualini (4º andar)

A Paz no Oriente Médio e a Construção do Estado da Palestina
Entidades promotoras: Cebrapaz, CMP, Capítulo Cubano del Foro Social Mundial, Movimiento Cubano por la Paz, OSPAAL, FEPAL, FEARAB América

14 às 16 h – Assembléia Legislativa – Auditório Dante Barone

Plenária "Estado da Palestina Já”
                                                                         
Convocação do COMITÊ PELO ESTADO DA PALESTINA JÁ!   composto por 30 entidades nacionais: CUT, FS, CTB, CGTB, UGT,  NCST, CONTEE, CMP, Cebrapaz FDIM, MMM, UBM, CMB, CMP, MST, CONAM, CNAB, MNU, UNEGRO, UNE, UBES, UJS, Juventude do PT, FEPAL, FEARAB Brasil e América, BibliASPA, IJB, ABIB, IBEI. 
                                                                                                                                                                                                                                                                        
O evento contará com várias personalidades e autoridades nacionais e internacionais. A plenária definirá ações propositivas de solidariedade ao povo palestino e será lido o Manifesto “Estado da Palestina Já”.

16:30 às 18:30 – Usina do Gasômetro – Casa Palestina  


DIA 01 – SÁBADO

30 anos do Massace de Sabra e Chatilla: heranças, cicatrizes e a sobrevivência dos refugiados  

Lúcia Helena Issa – Jornalista e escritora
Emir Mourad – Secretário Geral da FEPAL

Nos dias 16, 17 e 18 de setembro de 1982, o massacre nos campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila, no Líbano, deixou mais de três mil mortos. O ato criminoso foi executado por milícias falangistas libanesas, com proteção e apoio do exército israelense, que ocupava o país. A jornalista Lucia Helena esteve nos campos em 2010 e 2011 e conviveu com crianças, velhos, jovens, mulheres que carregam as cicatrizes da chacina de parentes, amigos e familiares. Lúcia prestará seu testemunho de como a luta por dignidade, sobrevivência e retorno estão presentes no dia-a-dia dos palestinos de Sabra e Chatila. Da miséria e pobreza dos campos, Lucia descobre a força da mulher palestina, sua determinação e coragem.

14 às 16 h - Usina do Gasômetro - Casa Palestina

Sionismo, teoria e prática

Dr. Abdel Latif - Médico, Conselheiro da FEPAL

Entidade promotora: FEPAL– Federação Árabe Palestina do Brasil

O mundo que se autoproclama civilizado adotou novos conceitos em relação a Israel: massacrar crianças árabes é ato de autodefesa; campos de concentração para palestinos em Gaza e Cisjordânia são Estado palestino; negar os direitos básicos dos palestinos a um Estado livre e independente é garantia de segurança para Israel; discriminação  contra os não judeus em Israel é necessário para manter o caráter judaico do Estado; ter lei de retorno de dois mil anos a judeus  e negar o direito dos palestinos expulsos desde 1948  a retornar é essência do Estado judeu; “democracia”  que exclui uma significativa parte da população (os não judeus) é “democracia” etc. Esses conceitos e politicas praticadas por Israel tem sua origem no sionismo, que desde o seu primeiro congresso em 1898, vem criando teorias e as praticando de forma sistêmica e contínua.

16:30 às 18:30 -  Usina do Gasômetro – Casa Palestina
O Sarau Árabe-Palestino – A Resistência da Milenar Cultura Palestina

Entidades promotoras: Instituto Jerusalém do Brasil e
FEPAL – Federação Árabe Palestina do Brasil

Com a participação de Gilberto Abrão, Celso de Menezes, Claude Hajjar e Aída Gamal e Talita Vital e direção de  Ali El-Khatib, Presidente do Instituto Jerusalém do Brasil.

O Sarau Árabe-Palestino tem origens  nas Sahras. Sahra é o encontro noturno das famílias onde se conversa, se declama poesias, se canta, se contam histórias e dançam. É uma atividade lúdica com forte sabor de resistência dos valores familiares. Serão declamados poemas de Mahmud Darwish, Fadwa Tukan e contação de estórias típicas das aldeias palestinas e danças folclóricas.  Será exibido o filme de Marcio Curi, A ÚLTIMA ESTAÇÃO  que fez a abertura do Festival Internacional de Cinema de Brasília e participou do Festival Internacional de Cinema de São Paulo.

19 às 23 h – Usina do Gasômetro – Casa Palestina


ATIVIDADES  AUTOGESTIONADAS  PERMANENTES

DIAS 29, 30 E 01 - QUINTA, SEXTA E SÁBADO

Mostra de Cinema Palestina Livre

Entidades promotoras:
BibliASPA – Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul-Países Árabes e
FEPAL– Federação Árabe Palestina do Brasil

 A Mostra de Cinema Palestina Livre apresenta filmes ficcionais e documentários que retratam a dura realidade do povo palestino, sua persistente resistência e identidade. As tentativas de apagamento de sua história e identidade, assim como os efeitos da ocupação das terras palestinas, constituem alguns dos temas desta Mostra, que integra um amplo projeto de estudos acerca da Palestina.  Os filmes serão acompanhados de debates.


20 às 22:30 – Usina do Gasômetro – Casa Palestina
Exposição “Charges de Carlos Latuff”

Entidades promotoras:
BibliASPA – Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul-Países Árabes e
FEPAL– Federação Árabe Palestina do Brasil

 As charges realizadas por Carlos Latuff abordam temas sociais e políticos do Brasil e do Mundo. Um dos principais chargistas conhecidos internacionalmente, Latuff iniciou seu trabalho como cartunista desenhando para um boletim sindical e permanece trabalhando na imprensa sindical. Após viajar à Cisjordânia, na Palestina, em 1999, começou a dedicar-se a retratar a dura realidade do povo palestino, buscando chamar a atenção pública para o lado mais desprivilegiado desse embate. Atualmente, as charges de Latuff podem ser encontradas impressas em jornais do mundo afora, nas mais diferentes línguas, ou em exposições como esta.

9 às 22:30 – Usina do Gasômetro – Casa Palestina

Palestina: Paisagem Fragmentada

Entidades promotoras:
BibliASPA – Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul-Países Árabes e
FEPAL– Federação Árabe Palestina do Brasil


 A exposição “Palestina: Paisagem Fragmentada” apresenta fotografias que demonstram violações de direitos humanos cometidas por forças israelenses em diferentes localidades palestinas, a discriminação sofrida por palestinos e as dificuldades que essa população enfrenta no dia-a-dia, de crianças a idosos.
Entre outros temas, a exposição aborda as revistas forçadas, os controles militares e as colônias construídas ilegalmente em território palestino, entre outros efeitos da ocupação israelense.

9 às 22:30 – Usina do Gasômetro – Casa Palestina

Composições gráficas da Palestina a partir de poesia

Entidades promotoras:
BibliASPA – Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul-Países Árabes e
FEPAL– Federação Árabe Palestina do Brasil

 Esta exposição, que demonstra a força da resistência palestina em expressões artísticas como a poesia e a arte visual, apresenta composições gráficas feitas pela artista Janaina Elias a partir de versos do poeta palestino Mahmud Darwich utilizando o gestual da escrita árabe e traduções em língua portuguesa publicadas pelas Edições BibliASPA (Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul-Países Árabes).

9 às 22:30 – Usina do Gasômetro – Casa Palestina

 Exposição interativa Uma terra sem povo para um povo sem terra

BibliASPA – Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul-Países Árabes e
FEPAL – Federação Árabe Palestina do Brasil

A exposição “Uma Terra Sem Povo Para Um Povo Sem Terra” é composta de cartazes gráficos interativos sobre o embate entre Israel e a Palestina. Produz um discurso visual em torno das tensões sociais da vida cotidiana nesta região onde três continentes colidem e propõe uma nova abordagem de pensamento sobre o conflito. O discurso é crítico, mas também irônico e, de forma descontraída, expõe a situação atual, convidando as pessoas a colorir os mapas e desenhos ao longo da exposição.  Por exemplo, mostra-se um mapa do território descontínuo e constantemente interrompido da Palestina, ao lado da pergunta “Que território é este?” e das opções A) ILHAS CARAÍBAS; B) ILHAS MAURÍCIO; C) ILHAS BORA BORA; D) PALESTINA. A resposta vem acompanhada de texto explicativo sobre as restrições à circulação e outra violações de direitos humanos. A exposição visa desconstruir mitos como aquele que a nomeia.

9 às 22:30 – Usina do Gasômetro – Casa Palestina

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

DEPOIMENTO DE NOAM CHOMSKY


ISRAEL É UM ESTADO TERRORISTA E ASSASSINO




ISRAEL NÃO É UMA DEMOCRACIA. É um país sem Constituição, em que o direito de cidadania se confunde com a origem étnica e a crença religiosa. É um estado racista, em que judeus e não-judeus não são iguais perante a lei e não têm os mesmos direitos e deveres. Qualquer cidadão árabe pode ser preso a qualquer momento, sem acusação formal ou direito de defesa, e permanecer meses prisioneiro, submetido a tortura física e psicológica, sem o direito de receber advogado ou familiares.

No campo de concentração de ANSAR III, milhares de prisioneiros palestinos são confinados, sem o respeito às cláusulas internacionais que salvaguardam direitos de prisioneiros de guerra. Israel despreza todas as resoluções da ONU que são contrásrias aos seus interesses, não assinou o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, não permite inspeções da AIEA à usina nuclerar de Dimona e utiliza armas químicas contra populações civis, como as bombas de fósforo branco, usadas no Líbano e na Palestina.

Israel controla os recursos hídricos de Gaza e Cisjordânia, utilizando-os em seu próprio benefício e reservando apenas o mínimo possível de água à população palestina. São comuns os crimes ecológicos de Israel, como a destruição de centenas de oliveiras cultivadas em territórios palestinos.

Em tempo: dizer que em 1948 os judeus "retornaram à Palestina" é uma grande mentira. O reino de Israel descrito na Bíblia existiu há 3 mil anos, e durou apenas seis décadas. A civilização árabe-muçulmana palestina, por sua vez, existe há 1.300 anos. Outra coisa: os judeus askenazis, brancos, loiros e de olhos azuis, descendem dos khazares, povo europeu CONVERTIDO ao judaísmo e que imigrou da Europa Oriental para a Alemanha e outros países europeus. Os sefaraditas descendem de povos do Norte da África e da Espanha, também CONVERTIDOS ao judaísmo. Os palestinos são originários da Palestina e foram expulsos de suas casas e terras em 1948 para a criação artificial do estado nazista de Israel, como base do imperialismo no Oriente Médio, para controlar suas riquezas naturais e rotas de navegação.

DEPOIMENTO DE JOSÉ SARAMAGO


 

 Pergunto-me se esses judeus que morreram nos campos de concentração nazistas, esses que foram perseguidos ao longo da História, esses que foram trucidados nos pogrons, esses que apodreceram nos guetos, pergunto-me se essa imensa multidão de infelizes não sentiria vergonha pelos atos infames que os seus descendentes vêm cometendo. Pergunto-me se o fato de terem sofrido tanto não seria a melhor causa para não fazerem sofrer os outros.

As pedras de Davi mudaram de mãos, agora são os palestinos que as atiram. Golias está do outro lado, armado e equipado como nunca se viu soldado algum na história das guerras, salvo, claro está, o amigo americano. Ah, sim, as horrendas matanças de civis causadas pelos chamados terroristas suicidas... Horrendas, sim, sem dúvida, condenáveis, sim, sem dúvida. Mas Israel ainda terá muito que aprender se não é capaz de compreender as razões que podem levar um ser humano a transformar-se numa bomba.

DEPOIMENTO DE MAHATMA GANDHI





O pedido por um lar nacional para os judeus não me convence.

Por que eles não fazem, como qualquer outro dos povos do planeta, que vivem no país onde nasceram e fizeram dele o seu lar?

A Palestina pertence aos palestinos, da mesma forma que a Inglaterra pertence aos ingleses, ou a França aos franceses.

É errado e desumano impor os judeus aos árabes. O que está acontecendo na Palestina não é justificável por nenhuma moralidade ou código de ética. Os mandatos não têm valor. Certamente, seria um crime contra a humanidade reduzir o orgulho árabe para que a Palestina fosse entregue aos judeus parcialmente ou totalmente como o lar nacional judaico.
O caminho mais nobre seria insistir num tratamento justo para os judeus em qualquer parte do mundo em que eles nascessem ou vivessem. Os judeus nascidos na França são franceses, da mesma forma que os cristãos nascidos na França são franceses.

Se os judeus não têm um lar senão a Palestina, eles apreciariam a idéia de serem forçados a deixar as outras partes do mundo onde estão assentados? Ou eles querem um lar duplo onde possam ficar à vontade?

Este pedido por um lar nacional oferece várias justificativas para a expulsão dos judeus da Alemanha. Mas a perseguição dos alemães aos judeus parece não ter paralelo na História. Os antigos tiranos nunca foram tão loucos quanto Hitler parece ser.

E ele está fazendo isso com zelo religioso. Ele está propondo uma nova religião de exclusivo e militante nacionalismo em nome do qual, qualquer atrocidade se transforma em um ato de humanidade a ser recompensado aqui e no futuro. Os crimes de um homem desorientado e intrépido, estão sendo observados sob o olhar da sua raça, com uma ferocidade inacreditável.

E agora uma palavra aos judeus na Palestina:

Não tenho dúvidas de que os judeus estão indo pelo caminho errado. A Palestina, na concepção bíblica, não é um tratado geográfico. Ela está em seus corações. Mas se eles devem olhar a Palestina pela geografia como sua pátria mãe, está errado aceitá-la sob a sombra do belicismo britânico. Um ato religioso não pode acontecer com a ajuda da baioneta ou da bomba. Eles poderiam estabelecer-se na Palestina somente pela boa vontade dos palestinos. Eles deveriam procurar convencer o coração palestino. O mesmo Deus que rege o coração árabe, rege o coração judeu. Só assim eles teriam a opinião mundial favorável às suas aspirações religiosas. Há centenas de caminhos para uma solução com os árabes, se descartarem a ajuda da baioneta britânica.

Como está acontecendo, os judeus são responsáveis e cúmplices com outros países, em arruinar um povo que não fez nada de errado com eles.

Eu não estou defendendo as reações dos palestinos. Eu desejaria que tivessem escolhido o caminho da não-violência a resistir ao que eles, corretamente, consideraram como invasão de seu país por estrangeiros. Porém, de acordo com os cânones aceitos de certo e errado, nada pode ser dito contra a resistência árabe face aos esmagadores acontecimentos.

Eles podiam chamar a atenção e o respeito do mundo por serem a criação escolhida de Deus, em vez de se afundarem naquela brutalidade sem limites

M. K. Gandhi Harijan, 26 de novembro de 1938

DEPOIMENTO DE MALCOLM X


A LÓGICA SIONISTA

Os sionistas tem o direito legal ou moral de invadir a Palestina arábica, expulsar seus cidadãos árabes de suas casas e apoderar-se de todos os bens dos árabes para si, apenas baseados na reivindicação "religiosa" de seus ancestrais que ali viveram há 3.000 anos atrás? Há apenas 1.000 anos atrás, os mouros viveram na Espanha. Isto daria aos mouros de hoje o direito legal e moral de invadir a Península Ibérica, expulsar os cidadãos espanhóis e assentá-los em nações marroquinas ... que fazia parte da Espanha, como os sionistas europeus fizeram como nossos irmãos e irmãs da Palestina?

Em resumo, o argumento sionista para justificar a atual ocupação da Palestina arábica não tem base legal ou intelectual na história e nem em sua própria religião. Onde está o Messias deles?

(Editado e re-impresso no The Egyptian Gazette - 17/09/1964)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A POESIA REBELDE DE MAIAKOVSKI



 
 
Quarta-feira, dia 21/11/12, das 19h30 às 21h 

Debate entre Zoia Prestes e Adalberto Monteiro sobre o livro-poema Lênin, de Maiakovski, publicado pela primeira vez em livro no Brasil pela Editora Anita Garibaldi.  
Entrada Franca.
 Sala de Debates do Centro Cultural São Paulo -- rua Vergueiro, n. 1.000, próximo à estação do metrô.

GALERIA: NICOLLAS RANIERI



Nicollas Ranieri nasceu em 1991, em Uberaba (MG), onde vive. Publicou o livro de poesia Fragmentos (2005) e colaborou em revistas eletrônicas, como Algaravária e Zunái. Participou dos eventos literários Tordesilhas, Festival Ibero-Americano de Poesia Contemporânea (2007) e I Simpoesia (2008).

POEMAS DE NICOLLAS RANIERI



CENA

o ar queima
o mar arde
borboletas
cospem larvas
dragões vomitam
infernos
universos
sóis implodem

silêncio

uma mulher
se despe
se masturba
da vulva
às
vísceras

TENTAÇÃO

metais
elípticos
entre pêlos
de tigres
espinhos
venenos
facas afiadas
fio por fio
no rosto
da amada
faces que
falecem
rastros de
urânio em
explosão
rastros de
um crânio
supernovas
na terra
fendas es
feras aves
saindo e
entrando
ilusões de
um lagarto
no oceano
 
PEDRA

é uma pedra
mas maquie-a aborígine
e a vista com tecidos
ósseos musculares epiteliais
e com lã e seda e cetim
deixe que ela ultrapasse
a forma do casulo e do caracol
mais do que um molde ou fantoche
dê a ela uma vida postiça
alfabetize-a andrógina e lasciva
faça disso um exercício físico
contudo ela é seca – frígida – hostil
e se esquiva: sua origem mineral
quer ser definida pelo tempo
ela quer ser terra, areia
e alheia nada revela
ela se recompõe
é uma pedra

APETITE

com uma arraia
tatuada em suas costas
(invadindo talvez
seus órgãos
e suas costelas)
com um olho místico
tatuado em seu púbis
com seus olhos de gato
com sua epiderme
deserto ela me diz
que fabricamos feras
sem saber que abortei
sua gravidez apocalipse
delicadamente usei faca e garfo
que atravessaram o parto
em seu ventre prato
com seus pêlos pubianos
com suas pálpebras
com seus poros
estéril ela me diz
que fabricamos feras
sem saber que abortei
sua gravidez apocalipse
e alimentaria essas feras
com suas cinzas
e lembranças
(mas agora
assexuadas
acéfalas
elas se fabricam
anômalas)
latejante ela me diz
que fabricamos feras
teia que consome
a aranha

 
LONTRA

sem saber ela
inicia seus jogos

(primeiro
no seu andar

dança
enigmas

depois
no seu infinito

dança
enigmas)

me lanço
- náufrago -
no encantamento

fulgor
- fogo -
onírico
que tatua o
pensar

música no
crepúsculo
de tudo

máscaras
esfinge
- efígie -
nô - non
sense

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

GALERIA: ANDRÉA CATRÓPA





Andréa Catrópa (São Paulo, 1974) é doutoranda em Teoria Literária (FFLCH-USP). Dirigiu o programa de rádio sobre poesia contemporânea Ondas Literárias e publicou o livro de poemas Mergulho às avessas (Lumme Editor:2008).

POEMAS DE ANDRÉA CATRÓPA




cicatriz

apendicite cesárea expulsão
do amor do filho
morto
linha a linha
contada
adorno exato
que impede 
de varrer pra baixo 
da pele
a dor transformada em alfabeto
de traço cor e carne



 a queda

basta um martelo
e o gesto torna
o golpe mais vero
otrabalho o tempo
da argila sólida em forma
de meticulosa pilha
basta a palavracom pontas
mal aparadas ou
pouco mais viscosa e todas
as outras, bordadas, acolchoadas
(preservar ouvidos)
agora                                    dilatadas
sufocam ferem como
prenúncio perverso passamanarias
perfeitas de seda cabeça pendente
artérias de mariaantonieta


álbum de retratos 

puxar os fios
do seu cabelo
                alinhar
a desgraça a discórdia
  não tem versos
assim tão claros
são camadas
vê?
os cabelos
de hoje como aqueles
salgados na praia
o desconforto
lembra
era prenúncio
era bala
                no pente
só agora
acho que não
deixar seus dedos
tantos anos
                assim
em um mesmo
gatilho
é acreditar demais
na inevitabilidade
arranjar palavras
obediência boba
puppettheatre
                dos astros
não eu não você
não sabia
e naquele dia
o sol faiscava
o sal todas as
joias falsas
seu olho
bola de gude
globo vazio
boneca
atualque cega
celuloide
desbotada
tarde

geração
a dor se compartilha como
joia de família                   [seu sussurro
                                               ,filho,
soa como o mar
preso à concha]
justamente
nesta hora
sinalizadores falham e eu
apenas
conduzo
o seu acidente

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