terça-feira, 2 de outubro de 2012

QUE VIVA CHÁVEZ, HOMBRE!


"Verdade que, em 14 anos, Chávez reduziu o índice de pobreza da Venezuela -- de 48% da população em 2002, para 28% em 2010 -- e alcançou a menor desigualdade de renda da América do Sul, medida pelo coeficiente de Gini." (FALHA DE S. Paulo, em editorial de 30/09/2012)

Jornaleco dos Otavinhos faz campanha contra Chávez -- assim como toda a mídia golpista brasileira -- mas foi incapaz de esconder esse fato. Capriles, o queridinho da mídia, dos EUA e de Israel, levará uma surra nas urnas, no dia 07 de outubro.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O NOVO ESCRAVO PRUDÊNCIO


Machado de Assis, no romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, apresenta um personagem peculiar, o negro Prudêncio, que, após conseguir a carta de alforria, torna-se, ele próprio, um senhor de escravos, assumindo a ideologia racista de seus antigos patrões. O juiz Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, é o mais recente avatar desse sinistro personagem: renegando suas raízes, prefere fazer o jogo da classe dominante e julgar sem provas os que lutaram para mudar a história do Brasil. Joaquim Barbosa, o novo Prudêncio, é refém do pensamento burguês, colonialista, excludente, submisso ao capital estrangeiro, que utiliza a mídia para crucificar os que lutaram contra a ditadura militar e o neoliberalismo tucano e proteger a mesma elite reacionária que escravizou seus ancestrais. Joaquim Barbosa é uma vergonha para o Brasil.

Recordar é viver:

Em 1976, José Dirceu vivia na clandestinidade, no interior do Paraná, sendo caçado pelos agentes da ditadura; José Genoíno, nessa mesma época, estava preso e era torturado por sua luta na Guerrilha do Araguaia; já o juiz Joaquim Barbosa, ocupava alto cargo na ditadura, como oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (1976-1979). Desde aquela época, era um serviçal dos poderosos.

MANIFESTO: EM DEFESA DA DEMOCRACIA, DO BRASIL E DA PAZ



A crise mundial, a defesa do Brasil e da paz

Em 2012, o mundo entrou em momento de grave perigo, que ameaça degenerar em guerras e destruições de grande escala. O agravamento da crise do capitalismo em escala mundial coincide, não por acaso, com iniciativas aventureiras de expansão imperialista no Oriente Médio, mas com alastramento possível a outros continentes. 

Das conflagrações daí decorrentes podem resultar danos terríveis inclusive para o nosso país. Aqui, entretanto, se abrem ao mesmo tempo oportunidades de aceleração do desenvolvimento econômico e institucional. Estas reclamam, para se realizar, a mobilização popular na defesa da democracia, dos interesses nacionais e da paz.

I – Nas últimas décadas, especialmente após a extinção da União Soviética, uma potente ofensiva de direita abriu caminho para uma aparente vitória definitiva do sistema capitalista liderado pelo imperialismo estadunidense, que se pretendeu globalizado. Essa ofensiva afetou profundamente intelectuais e ativistas dos antigos movimentos e partidos de esquerda. Em grande medida, eles foram absorvidos por duas vertentes que, por caminhos diversos, incorporavam as ideias de vitória capitalista. Não poucos aderiram diretamente à ideologia neoliberal, que atribui ao mercado o poder exclusivo de decidir sobre questões econômicas, sociais e políticas. Outros, também numerosos, inclinaram-se à ideia de vitória do capital, mas o fizeram em diversas construções ideológicas com retórica de esquerda, que aceitam e difundem ideias básicas do neoliberalismo, tais como as do império global, da prevalência inevitável do mercado, da falência do conceito de Estado e, por consequência, do conceito de soberania nacional, do fim da luta política organizada das massas de trabalhadores, da transformação destas em “multidão”, etc.

Essa ofensiva intensificou-se após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.  O governo deste país enveredou por uma política de ruptura declarada e prepotente com o regime de respeito à soberania dos Estados e passou a encabeçar um processo de volta às trevas nas relações entre povos e países. Comandado pelo complexo industrial militar, depois de por seu próprio povo sob tutela a ponto de privá-lo de direitos civis básicos – entre os quais o direito ao habeas corpus –, adotou uma diretriz de projetar sua soberania sobre o mundo inteiro e intervir em qualquer país onde, a seu critério, seus interesses o reclamem. Proclamou para si o direito de ignorar fronteiras nacionais e instituições internacionais a fim de empreender em qualquer rincão do planeta ações militares de todo tipo, em grande escala, com invasões e bombardeios, ou em pequena escala, com operações abertas ou encobertas de assassinato em série de civis que os desagradem, ou de sequestrá-los e submetê-los a trato de presas de guerra, sem quaisquer direitos legais.

A ofensiva expansionista dos Estados Unidos e seus aliados, principalmente ex-potências colonialistas da Europa, disfarçada sob bandeiras humanitárias, despertou natural indignação e resistência no mundo e, em primeiro lugar, nos povos agredidos. A progressiva inserção da China no papel de potência mundial, o ressurgimento da Rússia nessa categoria, a afirmação da Alemanha como principal liderança europeia e a emergência de novos atores, como Índia e Brasil, todos buscando o estabelecimento de uma ordem mundial multipolar, também se contrapõem à expressão da estratégia de poder sem limites dos Estados Unidos.

Sem perder a arrogância, dispondo ainda de grandes reservas de expressão de poder e com um aumento de agressividade similar ao que ocorre com predadores acuados, o governo de Washington vem gradativamente decaindo para uma situação de dificuldade econômica, política e militar, ao mesmo tempo em que cresce a consciência mundial sobre o caráter de rapina do imperialismo estadunidense e sobre a necessidade de resistir a ele.

II – O repúdio à prepotência dos Estados Unidos e a disposição de opor-se a ela, manifestados com força crescente no mundo inteiro, evidenciaram mais uma vez a importância do fator nacional na luta política. Os Estados nacionais, ao invés de desaparecerem, regressaram com força maior à cena. A defesa do interesse nacional diante da dominação ou da agressão externa, que é motor principal da mobilização popular nos movimentos revolucionários desde a luta pela independência nos próprios Estados Unidos, repontando sempre, sob diversas formas, na Revolução Francesa, na Comuna de Paris, na Revolução Russa, na Revolução Chinesa, na Revolução Cubana, volta a mostrar-se fator-chave para que a cidadania se apresente como força transformadora, a fim de levar adiante movimentos que no início apontam para objetivos patrióticos e parciais, mas tendem a avançar para conquistas democráticas de maior alcance social.

Esse ressurgimento do fator nacional no centro da ação política é realidade hoje por toda parte no mundo. É entretanto na América do Sul que ele encontra sua manifestação mais saliente e que mais de perto interessa aos brasileiros.

III – A condição isolada e pouco relevante da América do Sul no quadro dos grandes conflitos em que se envolveram os Estados Unidos, afinal, deixou este país, que se empenhava em vultosas ações em outros continentes, tolhido para intervir nessa região que ele tradicionalmente considerou seu “quintal”. Num eco à assertiva clássica de que a revolução escolhe o elo mais fraco da corrente para eclodir, isto parece ter contribuído para que os povos sul-americanos percebessem a oportunidade de responder às humilhações e infortúnios que durante mais de um século lhe impusera a política imperialista de Washington.

Em 1998, elege-se na Venezuela o presidente Hugo Chávez, com uma plataforma anti-imperialista e com a intenção de cumprir o prometido. Em 2002, elege-se no Brasil o presidente Lula, que alterou gradativamente a política econômica neoliberal dos governos anteriores para beneficiar a aceleração do desenvolvimento econômico, e adotou uma política de socorro às camadas mais pobres da população, fortalecendo com isso o mercado interno; adotou também uma política externa de autonomia em relação aos Estados Unidos, que permitiu rejeitar o ominoso projeto da ALCA, livrar o Brasil da subordinação ao FMI, privilegiar a aproximação com a América do Sul, com fortalecimento do Mercosul e da Unasul, assim como permitiu expandir as relações do Brasil com países e povos da África, do Oriente Próximo e da Ásia.

Em 2003, elege-se na Argentina o presidente Néstor Kirchner, que enfrentou a banca internacional a fim de livrar seu país de uma dívida externa abusiva e impagável, conseguindo com isso condições para colocar a nação vizinha numa trilha de desenvolvimento sustentado, que hoje prossegue sob a presidência de Cristina Fernandes de Kirchner. As eleições de Evo Morales na Bolívia, Rafael Correia no Equador, Fernando Lugo no Paraguai, José Mujica, no Uruguai, e Ollanta Humala no Peru, deram maior firmeza à tendência de expansão na América do Sul de governos empenhados em alcançar expressão soberana e desenvolvimento pleno, econômico, cultural e social de suas nações.

Essa tendência não é retilínea, nem imbatível. Em cada país, a ela se opõem fortes correntes internas de direita alinhadas com os Estados Unidos, que atuam orquestradas em escala internacional e dominam a mídia, os bancos, setores importantes do empresariado local e agrupamentos militares. Com apoio financeiro, político e militar dos Estados Unidos e de outros países imperialistas menores, assim como de seus órgãos de espionagem e operações encobertas, de ONGs financiadas por empresas e governos imperialistas, de sociedades secretas tipo Opus Dei etc., tais setores de direita empreendem em seus países e na região uma campanha sem trégua através da maioria dos órgãos da grande mídia mercantil. Esta assume caráter de partido político reacionário, cuja finalidade é impedir que se elejam governantes comprometidos com os interesses nacionais e, quando não consegue isto, tentar acuar e tornar refém o governante eleito para, se julgar possível e oportuno, derrubá-lo. É o que se vê na Venezuela, na Bolívia, no Brasil, na Argentina, no Equador, em toda parte. Os golpes de Estado em Honduras e, mais recente, no Paraguai, são inequívocos sinais de alarme nesse sentido.

IV – Há nesse processo de ascensão nacional e democrática na América do Sul uma singularidade que lhe dá força de sustentação: ele se desenvolve com a rigorosa observância pelos governos das normas do regime de democracia modelo estadunidense, que pressupõe a mídia submetida aos bancos e outros grandes patrocinadores privados e as eleições, sujeitas a campanhas publicitárias de alto custo, subvencionadas por doações de empresas milionárias. A vitória e a permanência de governantes que desagradam à direita, em condições tão adversas, tornou-se possível graças a uma elevação da consciência política das massas populares. Estas aprenderam a descolar-se do discurso das grandes redes midiáticas na hora de escolher candidato e ajuizar governo. Com isso, definhou o poder de empossar e derrubar governos que a mídia dos grandes negócios exibia em décadas passadas.

Criam-se portanto condições novas que favorecem e exigem a recuperação das correntes progressistas e sua intervenção na cena política. No plano internacional, a luta contra a política de guerras sem fim do imperialismo estadunidense e seus associados, que hoje preparam uma agressão de grande escala e consequências imprevisíveis à Síria e ao Irã, é meta que a todos deve unir. Na América do Sul, e no Brasil em particular, impõe-se a luta em defesa dos interesses nacionais, em especial na resistência às tentativas de projeção dos interesses imperialistas de Washington em relação ao petróleo do pré-sal e das Malvinas. Essa projeção já tomou forma concreta com o estabelecimento de novas bases militares estadunidenses na região e com o deslocamento para o Atlântico sul da IV Frota da Marinha dos Estados Unidos. A luta pela preservação e o aprofundamento do regime democrático, da soberania e da coesão dos Estados da região é diretriz que favorecerá a mobilização de forças capaz de vencer as fortes coalizões de direita e assegurar o avanço econômico, político e social de nossos povos e nações.

V – Não há receitas prontas nem caminhos traçados para essa luta. As experiências vividas por outros povos, no passado ou no presente, servem de lição e inspiração, mas não servem de modelo. A originalidade e a variedade das soluções que a vida vai gerando nos países sul-americanos são muito fecundas. Em comum, existe entre elas a circunstância de que são encabeçadas por líderes não egressos das classes dominantes, que souberam perceber e potencializar o desejo de mudança das massas populares e o descrédito entre elas daqueles partidos e instituições que conduziam antes a vida política. Essa origem em lideranças pessoais fortes é ao mesmo tempo positiva, porque facilita a participação das grandes massas no processo político, e negativa, porque põe esse processo na dependência das escolhas e limitações pessoais do líder.

Mas a necessidade de recorrer à mobilização popular – uma vez que as forças poderosas que o hostilizam ao mesmo tempo manipulam as grandes empresas de comunicação, as instituições políticas formais e facções militares – induz o líder a estimular a gestação de novas formas de organização de massas do povo trabalhador para o combate político e até para a resistência organizada. Chama a atenção, nesse sentido, especialmente na Venezuela, na Bolívia e no Equador, a ascensão em bairros proletários de associações de moradores que se articulam em torno de conselhos comunitários e, ao mesmo tempo, defendem os interesses imediatos da população local, têm presença ativa na resistência ao golpismo e pressionam em favor do aprofundamento da democracia.

VI – No Brasil, os movimentos sociais organizados são ainda débeis. O governo do presidente Lula refletiu essa debilidade. Manteve uma política econômica em que ainda havia espaço para o neoliberalismo, mas adotou medidas de favorecimento ao poder aquisitivo da população pobre e desenvolveu uma política externa de autonomia em relação ao imperialismo estadunidense e defesa da paz. A presidente Dilma mantém nas linhas gerais essa diretriz.

Por sua política de favorecimento aos pobres e à soberania dos povos sul-americanos, o presidente Lula foi alvo de uma incansável campanha hostil da mídia. Para defender-se, ele se apoiou porém, quase exclusivamente, em sua popularidade pessoal. Isso o deixou vulnerável a pressões e prejudicou suas possibilidades de avanço.

A presidente Dilma, diante do agravamento da crise financeira internacional, avança na política econômica, enfrentando a questão do freio dos altíssimos juros à expansão da economia nacional, corrigindo na política de câmbio a valorização excessiva do real e mantendo e ampliando as políticas de inclusão social. No plano externo, embora com mudança de ênfase, persiste de modo geral a afirmação de política não alinhada aos Estados Unidos. A mídia dos grandes negócios busca abrir um cisma entre Dilma e Lula, para que se fragilize o campo popular.

É portanto urgente a necessidade de expansão de uma consciência pública de defesa do desenvolvimento soberano e democrático do país – na sua economia, na sua organização política e social, na sua cultura. Quanto maior seja essa consciência, mais forte estará o governo para resistir às agressões da direita e, ao mesmo tempo, maior será a pressão dos movimentos de massa para que suas políticas sejam mais coerentes com os interesses do país e da sociedade.

Um elenco de propostas nesse sentido deve incluir:

1) a efetiva aceleração do desenvolvimento econômico do país;

2) a subordinação dos sistemas bancário e cambial aos interesses desse desenvolvimento;

3) a posse dos recursos naturais do país e a recuperação das empresas e recursos públicos estratégicos dilapidados;

4) a efetivação de um programa de reforma agrária que penalize o latifúndio improdutivo e beneficie as propriedades produtivas de pequeno e médio porte;

5) a destinação de maiores verbas às políticas públicas de educação, o fortalecimento do ensino público e a melhor adequação dessas políticas aos interesses do desenvolvimento tecnológico e cultural do país;

6) o reforço aos orçamentos de entidades de saúde pública, a obrigação dos serviços privados de seguridade de ressarcirem gastos dos serviços públicos de saúde com atendimento a segurados dos serviços privados, o fomento à pesquisa de aplicação de novos procedimentos de saúde sanitária básica, preventiva e de tecnologia atual;

7) a mudança da política de repressão policial dirigida contra a população mais pobre, principalmente não branca, por uma política democrática de segurança pública, o fortalecimento da política de não discriminação de gênero;

8) o reforço do controle pelo poder público das concessões de meios de comunicação a grupos privados com vistas ao aprofundamento do regime democrático;

9) o reequipamento das Forças Armadas e a dotação a elas de recursos necessários à eficiente defesa do território nacional, assim como a adequação do conteúdo da formação nas escolas militares à defesa da democracia e dos interesses fundamentais do país;

10) a ampliação e a consolidação da política de unidade com a América do Sul – essencial para a preservação dos governos progressistas na região; e

11) a defesa de uma política externa de respeito à soberania dos Estados, de relações amistosas com todos os povos e de defesa da paz.

Muitas são as metas a nos desafiarem, cujo alcance requer todo o engenho e toda a força que sejam capazes de unir e mobilizar, com sentido estratégico e espírito transformador, as correntes progressistas em nosso país, sem distinção dos partidos e associações a que estejam filiadas. Povo e governo precisam mobilizar suas reservas de sentimento cívico e patriótico, para que o Brasil possa aproveitar a grande oportunidade que tem hoje de consolidar-se como nação soberana, projetada no cenário mundial e consolidada em seu papel de lastro do processo democrático de reconstrução nacional, pacífico e progressista, que se desenvolve na América do Sul.

Assinam: Alfredo Tranjan Filho, físico, RJ; Ana Tereza Pereira, médica, RJ; Carlos Lessa, professor, RJ; César Duarte, engenheiro, RJ; Dimas Macedo, professor, CE; Eny Moreira, advogada, RJ; Epitácio Paes, sociólogo, RJ; Geraldo Sarno, cineasta, RJ; Gisálio Cerqueira Filho, professor, RJ; Gizlene Neder, professora, RJ; Graça Medeiros, astróloga, RJ; Gustavo Senechal de Goffredo, jurista, RJ; Jesus Chediak, teatrólogo, RJ; Leandro Amaral Lopes, economista, BA; João Quartim de Moraes, professor, SP; José Carlos de Assis, professor, PB; Luiz Alberto Moniz Bandeira, historiador, RJ; Luiz Alfredo Salomão, economista, RJ; Luiz Carlos Bresser-Pereira, economista, SP; Luiz Pinguelli Rosa, físico, RJ; Marcio Pochman, economista, SP; Manuel Domingos Neto, sociólogo, CE;  Mauro Santayana, jornalista, MG; Monica Martins, socióloga, CE; Paulo Metri, engenheiro, RJ; Pedro Amaral, escritor, DF; Pedro Celestino, engenheiro, RJ; Reinaldo Guimarães, médico, RJ; Renato Guimarães, editor, RJ; Ricardo Maranhão, engenheiro, RJ; Roberto Amaral, professor, CE; Roberto Saturnino Braga, engenheiro, RJ; Samuel Pinheiro Guimarães, diplomata, DF; Sebastião Soares, engenheiro, SP; Sergio Sérvulo da Cunha, jurista, SP; Susana de Castro, professora, RJ; Theotonio dos Santos, economista, RJ;Ubirajara Brito, físico, BA; Valton Miranda, psicanalista, CE; Willis Santiago Guerra, filho, professor, SP; Yonne Orro, socióloga, MS; Claudio Daniel, poeta, editor da revista Zunái.
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Para  manifestar apoio ao manifesto, enviar mensagem para paesbrunet@yahoo.com.br, explicitando nome, profissão e estado da Federação, endereço eletrônico e endereço residencial.

STF CAMINHA PARA NOVO CASO DREYFUS, COM A AP 470?



 Assim como o julgamento do capitão francês também foi julgado, o mesmo acontecerá um dia com o processo do mensalão. Lá atrás, a corte de Paris dobrou-se aos interesses oligárquicos e decidiu reincidentemente contra provas, mandando às favas conquistas fundamentais da revolução de 1789. Será esse também o caminho da corte suprema brasileira? Leia o texto exclusivo de Breno Altman para o 247, na data que marca 110 anos da morte de Emile Zola, autor do célebre "J´accuse"

29 de Setembro de 2012 às 06:01

Breno Altman

No dia 29 de setembro de 1902, falecia o célebre escritor francês Emile Zola, em circunstâncias até hoje não esclarecidas. Da sua vasta obra literária, um pequeno panfleto foi o que mais causou impacto. Intitulava-se “Eu acuso!”, publicado em 1898, com tiragem inicial de 300 mil exemplares. Abordava rumoroso tema judicial, conhecido como o caso Dreyfus.

Tudo começou nos idos de 1894, quando uma faxineira francesa encontrou, na embaixada alemã em Paris, carta pertencente ao adido militar, tenente-coronel Schwarzkoppen. O texto parecia indicar a existência de um oficial galo espionando a favor de Berlim. Dentre os possíveis autores do documento incriminador, apenas um era judeu, o capitão Alfred Dreyfus.

A possibilidade acusatória caiu como uma luva para as elites francesas, que apostavam em reconstruir sua influência com discurso artificialmente nacionalista. Pairava sobre a burguesia tricolor a pecha de vende-pátria, desde a rendição, em 1871, na guerra franco-prussiana. O primeiro-ministro Louis Adolphe Thiers, depois presidente da III República, chegou a contar com colaboração do invasor alemão para esmagar a Comuna de Paris, poucos dias após o armísticio que colocou fim aos embates entre ambas nações.

Atacar os judeus, portanto, era bom negócio para despertar o ódio racial-chauvinista da classe média e reconquistar sua simpatia. Acovardados diante do império de Bismarck, os magnatas de Paris trataram de buscar apoio social apontando para um inimigo interno. Recorreram à artilharia da imprensa sob seu controle para disseminar imagem de vilania que servisse a seus objetivos.

O julgamento contra Dreyfus incendiou o país. O oficial, além da dispensa por traição, acabou condenado à prisão perpétua na Ilha do Diabo, na costa da Guiana Francesa. Um processo relâmpago, conduzido por tribunal militar, sob pressão dos jornais direitistas, selou seu destino.

Três anos depois de promulgada a sentença, o irmão do réu descobre documentos que inocentavam Dreyfus e comprometiam Charles-Ferdinand Esterhazy, nobre oficial de origem húngara, com o ato de espionagem. Um segundo julgamento é realizado, em 1898, mas os magistrados mantêm a decisão anterior, a despeito das novas provas.

Emile Zola escreve, então, seu famoso livreto. Destemido e respeitado, denuncia o processo como fraude judicial e conspiração política, provocando enorme comoção. Morreria asfixiado, há 110 anos, presumivelmente assassinado, a mando de quem não gostava de suas posições.

Quanto a Dreyfus, anistiado em 1899, a verdade seria reposta por um tribunal apenas em 1906. Mas jamais foi reincorporado ao exército ou compensado pela injustiça sofrida.

Esta história se conecta como uma parábola ao julgamento da ação penal 470, conhecida como “mensalão”, atualmente tramitando pelo Supremo Tribunal Federal, a máxima corte judicial brasileira.
Uma das inúmeras situações de financiamento ilegal de campanhas vem a luz, dessa vez envolvendo o Partido dos Trabalhadores e seus aliados, e a máquina de comunicação a serviço das elites trata de transformá-la no “maior caso de corrupção da história do país”.

Forja-se uma narrativa verossímil, de votos comprados no parlamento, ainda que não haja qualquer evidência concreta de sua existência. Inflama-se as camadas médias contra o principal partido de esquerda e alguns de seus dirigentes históricos. Lança-se campanha incessante de pressão sobre os ministros da corte, oferecendo-lhes a opção entre o céu e o inferno a depender de sua atitude diante do caso.

Jurisprudências novas são criadas para atender o clamor da opinião publicada. Garantias constitucionais, atropeladas, dão lugar a outros paradigmas. Alguns ministros resistem bravamente, mas vai se desenvolvendo roteiro midiático cujo desfecho está antecipadamente escrito, salvo mudanças abruptas.

Disse o ministro Ayres Britto, a propósito, que não deve ser perguntado se o réu sabia de suposto fato criminoso, mas se haveria como não sabê-lo. Ou seja, não é fundamental que haja provas de autoria daquilo que se denuncia. Basta que sua função – ou até papel histórico – torne legítima a afirmação de que o indiciado tem o domínio do fato, elemento que seria suficiente para condenação exemplar, segundo o mais recente parâmetro judicial.  

Há um Dreyfus escolhido, nessa alegoria. Dessa feita não é um judeu, que outros são os tempos, mas a principal figura do PT depois do ex-presidente Lula. José Dirceu, ex-presidente do partido e ex-chefe da Casa Civil, foi sendo transformado, nos últimos anos , em um grande vilão nacional. A campanha orquestrada contra si parece ser o caminho dos conservadores para ajustar contas com a esquerda na barra dos tribunais.

A virulência dos ataques, aliás, é reveladora do pano de fundo que percorre o processo, além de incentivar o raciocínio de algumas das vozes e veículos que mais fortemente combatem os réus. Dirceu e José Genoino, goste-se ou não deles, são representantes ilustres da geração que se dispôs a resistir, com a vida ou a morte, contra a ditadura que muitos de seus detratores apoiaram com galhardia ou diante da qual se acovardaram.

Líderes de um campo político considerado morto no final do século passado, ambos têm que ir ao cadafalso para que a direita possa ter chance de marcar com lama e fel os dez anos de governo progressista, golpeando o partido que encarna esse projeto. Suas biografias devem ser rasgadas ou suprimidas, no curso dessa empreitada, pelo trivial motivo de apresentarem mais serviços prestados à nação e à democracia  que as de quem hoje os agride. Inclusive, ironicamente, as de quem tem o dever legal de julgá-los.

Junto com Dirceu e Genoino, sobe ao banco dos réus também Delúbio Soares. Dos três dirigentes, é quem efetivamente assumiu responsabilidade por acordos e financiamentos irregulares para disputas eleitorais e partidos aliados. Sua versão dos fatos, pelos quais jamais culpou quem fosse, foi preterida e desprezada, à revelia das provas, para que vingasse a narrativa de Roberto Jefferson, o candidato a Esterhazy nessa chanchada.

O ex-deputado petebista, contudo, é recebido como anjo vingador na seara do conservadorismo e até por ministros da corte. Sem a tese do “mensalão”, parece evidente, o espetáculo inquisitorial possivelmente estaria esvaziado. A chacina judicial do ex-tesoureiro do PT fez-se indispensável.

Mais cedo ou mais tarde, porém, este julgamento também será julgado, como ocorreu no caso Dreyfus. O preço desse processo de exceção, afinal, não é apenas o risco da injustiça, mas o desrespeito à Constituição e à democracia. A corte francesa dobrou-se aos interesses oligárquicos e decidiu reincidentemente contra provas, mandando às favas conquistas fundamentais da revolução de 1789. Será esse também o caminho do STF? Mesmo sabendo que a história acontece como tragédia e se repete como farsa?

* Diretor do site Opera Mundi e da revista Samuel.


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

PROGRAMAÇÃO DE OUTUBRO DA CURADORIA DE LITERATURA E POESIA DO CENTRO CULTURAL SÃO PAULO



 

Poetas de Cabeceira: Bertolt Brecht

Claudio Daniel fará uma palestra sobre o poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht, comentando a biografia do autor, sua época, características estéticas e, sobretudo, a sua experiência pessoal como leitor da poesia de Brecht, um dos autores mais importantes da literatura alemã do século XX.

Quarta-feira, dia 03/10/12, das 19h30 às 21h 

Sala de Debates


Menu de Poesia: Hilda Hilst

Sarau poético dedicado à obra da poeta brasileira Hilda Hilst, com organização de Maria Alice Vasconcelos e a participação dos poetas Claudio Willer (palestrante), Alberto Gattoni, Chiu Yi Chih, Ingrid Morandian,  Jonas Santos, Silvia Nogueira e Victor Del Franco.

Sexta-feira, dia 05/10/12, das 20h30 às 22h 

Praça Mário Chamie (Bibliotecas)


Recital-Cabaré Bertolt Brecht

Recital dedicado ao poeta alemão Bertolt Brecht, com a leitura de seus poemas por Claudio Daniel e Isabela Penov e a interpretação de canções de Brecht em parceria com Kurt Weill pela cantora Suzana Salles e o pianista Lincoln Antonio.

Quarta-feira, dia 17/10/12, das 20h30 às 22h 

Praça Mário Chamie (Bibliotecas)


Poemas à Flor da Pele

Sarau poético realizado pelo grupo Poemas à Flor da Pele, com a participação de músicos e atores. Haverá também o lançamento de livros de poesia de novos autores.


Sexta-feira, dia 26/10/12, das 20h30 às 22h 

Praça Mário Chamie (Bibliotecas) 


Centro Cultural São Paulo -- rua Vergueiro, n. 1.000, próximo à estação do metrô.

Todas as atividades são gratuitas, sem a necessidade de retirada de ingressos.


País atingiu em 2011 a menor desigualdade social da história, diz Ipea

O salário dos 10% mais pobres da população brasileira cresceu 91,2% entre 2001 e 2011. O movimento engloba cerca de 23,4 milhões de pessoas saindo da pobreza. Já a renda dos 10% mais ricos aumentou 16,6% no período, de forma que a renda dos mais pobres cresceu 550% sobre o rendimento dos mais ricos, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea).
 
O estudo 'A década inclusiva', apresentado pelo presidente do Ipea, Marcelo Neri, usou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

'Não há, na história brasileira estatisticamente documentada desde 1960, nada similar à redução da desigualdade de renda observada desde 2001', disse Neri. 'Assim como a China está para o crescimento econômico, o Brasil está para o crescimento social.'

A diminuição da desigualdade é medida pelo coeficiente de Gini, que passou de 0,594 em 2001 para 0,527 em 2011. No índice, quanto mais perto de zero menor a desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres do país. 'O Brasil está no ponto mais baixo da desigualdade, embora ela ainda seja muito alta', ressaltou o presidente do Ipea.

O crescimento dos salários é o principal indicador para a melhoria, aponta o estudo. É o que responde por 58% da diminuição da desigualdade. Em segundo lugar vem os rendimentos previdenciários, com 19% de contribuição, seguido pelo Bolsa Família, com 13%. Os 10% restantes são benefícios de prestação continuada e outras rendas.

Neri ressaltou que, dentre todos os vetores para a diminuição da desigualdade, o Bolsa Família é o mais eficaz, do ponto de vista fiscal. 'Se todos os recursos pudessem ser canalizados à mesma taxa para o Bolsa Família, ao invés da previdência, a desigualdade teria caído mais 362,7%', exemplificou Neri no estudo.

A disparidade de renda entre brancos e negros também se alterou. Segundo os dados apurados pelo Ipea, a parcela da população que se declara como negra teve crescimento da renda de 66,3% nos 10 anos. Maior variação foi apurada entre os pardos (85,5%). Entre os brancos, o crescimento foi de 47,6%.

O recorte por regiões mostra que no Nordeste a renda subiu 72,8%, enquanto no Sudeste cresceu 45,8%, sempre no mesmo período de comparação. O estudo conclui que houve queda de 3,2% no coeficiente de Gini entre junho de 2011 e o mesmo mês de 2012, tendo como base dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE.

'A imagem da Belíndia continua exata', disse Neri, referindo-se ao termo cunhado por Edmar Bacha. O neologismo tentava demonstrar que os ricos brasileiros viviam em um país semelhante à Bélgica, enquanto os mais miseráveis estavam em situação semelhante à população pobre da Índia. 'A diferença é que agora os pobres brasileiros crescem a taxas indianas, enquanto os ricos crescem como os países europeus.'

FONTE: Brasília em tempo real, http://www.emtemporeal.com.br/index.asp?area=2&dia=25&mes=09&ano=2012&idnoticia=121425

terça-feira, 25 de setembro de 2012


UM POEMA DE MÁH LUPORINI



ESTANTES

I

A noite cantava em meus seios
Presos aos fios dourados
Do teu corpo violeta
Confissões blindadas
Á mesa do bar
Quando as putas
Com suas vestes de arcanjo
Driblaram o crepúsculo
No estaleiro da manhã
Despindo os beatos
Nos bigodes da aurora

II
Pêndulo dos corpos
Nossos risos se encontram
Na cômoda do tempo
Gravetos de lembranças
Rabiscadas no peito
Silêncio de linguagens
Na noite que me encolhe

III
Ensaio de outros eu
Na poltrona do meu ego
Esquentando as inquietações
Das horas


IV
Gozo vibrando
Solto pela pele
Vestindo os sinais
Do teu nome
Em meus lábios

V
Os poros calam
Aos lençóis da insônia

VI
Recolhemos as palavras
Debaixo do ventre casto
Da tua carne

 Máh Luporini é poeta  e editora do jornal "O Grito Cultural"

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA




No livro Privataria Tucana, Amaury Ribeiro Jr. apresenta 105 páginas de documentos que provam o desvio de dinheiro durante as privatizações irregulares realizadas por José Serra e FHC, e apontam os “paraísos fiscais” onde foram depositadas as milionárias propinas dos figurões do PSDB. Não houve nenhuma investigação sobre o assunto e nenhum jornal diário, rede de televisão ou revista semanal do PIG – Partido da Imprensa Golpista – sequer noticiou a existência do livro, um dos mais vendidos no país nos últimos anos.

Já o suposto “mensalão”, noticiado diariamente na mídia no período eleitoral (claro, mera coincidência) não apresenta uma única prova concreta contra José Dirceu, José Genoíno e outros acusados, além de acusações verbais e entrevistas apócrifas, realizadas sem o entrevistado presente, como no caso da VEJA.

O PIG não esconde que o linchamento político do suposto "mensalão" acontece sem provas. Conforme diz a FALHA DE S. PAULO de hoje: “Um ministro ouvido sob a condição de não ser identificado mencionou a possibilidade de os colegas adotarem a chamada teoria do 'domínio do fato' em relação a Dirceu, que considera que autor do delito é quem tem o domínio final sobre o fato, as circunstâncias e os executores. Por ela, o acusado pode ser condenado sem haver prova cabal de que ordenou ato criminoso, mas sim que tinha o controle sobre ele.”

O que estamos vendo não é um simples julgamento de supostos casos de corrupção, nem o exercício da liberdade de imprensa, mas uma tentativa de golpe de estado por vias “legais”, como aconteceu em Honduras e no Paraguai, para manter os privilégios de uma burguesia estúpida, que não aceita nenhum tipo de favorecimento, por mínimo que seja, às classes populares. É um golpe de estado organizado pelo PSDB, pela mídia e por grandes empresários, com a subserviência do STF. 

O que me causa espanto não é o golpismo da direita, mas a passividade da esquerda, que assiste ao desastre sem esboçar reação.

Já passou da hora de reagirmos.

sábado, 22 de setembro de 2012

PALESTINA: A FERIDA ABERTA



Claudio Daniel

A Palestina é uma civilização milenar que apresenta uma rica e variada cultura. A mesquita de Al Aqsa, construída entre os séculos VIII e XI, apresenta uma cúpula folheada a ouro e é um dos mais belos exemplos da arquitetura islâmica. A música e a dança palestinas também se destacam no panorama da cultura árabe, sendo famosa a dança conhecida como dabke, mas a poesia palestina é talvez a manifestação artística mais conhecida desse país no Ocidente, graças à obra de autores como Mahmoud Darwish (1941-2008), considerado por alguns críticos como o principal poeta de língua árabe do século XX. Desde o início de sua história, a Palestina sofreu a invasão de outros povos e a ocupação de seu território por romanos, egípcios, persas, otomanos, ingleses e, a partir de 1948, por imigrantes sionistas europeus, que estabeleceram o Estado de Israel. Após a guerra de 1949, todo o antigo território palestino foi ocupado por Israel, o que levou 750 mil palestinos para o exílio, fato histórico conhecido como Nakba (“catástrofe”, em árabe). Hoje, cerca de 5 milhões de palestinos vivem no exílio, proibidos por Israel de retornarem a suas terras e lares, e outros 4,5 milhões vivem nos territórios de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, que a Autoridade Nacional Palestina reivindica para a formação de um Estado Palestino soberano. A presente exposição de fotos e poemas – Palestina: a ferida aberta pretende mostrar um pouco desse país ainda pouco conhecido pelos brasileiros, com imagens de sua arquitetura, vestimentas típicas, cenas do cotidiano e também de sua resistência à ocupação, que já dura mais de seis décadas. A exposição acontece no aniversário de 30 anos do massacre de 3,5 mil civis palestinos nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, no Líbano, realizado por milícias direitistas libanesas, com o apoio logístico de Israel, cujo exército ocupava o país.

Dedicamos esta exposição a todas as vítimas da ocupação dos territórios palestinos, à memória da ativista norte-americana Rachel Corrie (1979-2003) e àqueles que lutam, nos dias de hoje, pela justiça e pela paz.

A exposição Palestina: a ferida aberta é organizada pelo Comitê pelo Estado da Palestina Já, Fepal – Federação Árabe Palestina, Bibliaspa -- Centro de Pesquisa América do Sul - Países Árabes e Zunái, Revista de Poesia e Debates.

ONDE: Biblioteca Alceu Amoroso Lima, localizada na Av. Schaumann, 777, próximo à Praça Benedito Calixto, São Paulo (SP).

HORÁRIOS: de terça a sábado, das 10h às 19h.

Entrada franca.




"O jornal acabou. Não existe mais ("Who killed the newspapers?", se perguntavam os editors do The Economist, em setembro). O que existe é um espectro do que era uma mídia bem resolvida há, talvez, trinta anos. Mas os empresários ainda não sabem o que fazer, já que o modelo de negócio ainda funciona, em parte, porque os leitores de jornais que sobreviveram (e ainda estão vivos) são os que decidem as grandes compras na família (carros, eletrodomésticos), e por isso a publicidade ainda vale alguma coisa nessa mídia. Se isso é bom ou ruim é outra história; mas, de novo, o fato é que a internet, que não é só uma mídia, mas uma esfera de convivência, é o meio que divulga poesia, hoje, em grande escala." (Daniela Oswald Ramos) 




O PSDB e a revista VEJA representam a suposta "elite" de Higienópolis, branca, católica, heterossexual, de alta renda e antocomunista. O que incomoda, profundamente, essa prole de senhores de engenho e donatários de capitanias hereditárias é ver negros estudando em universidades, nordestinos viajando de avião, pobres comendo todos os dias e o porteiro do prédio na rua Maranhão trabalhar com carteira assinada e fazer valer os seus direitos trabalhistas.



Os primeiros tucanos desembarcaram no Brasil no século XVI, como donatários das capitanias hereditárias. O primeiro diretório regional do PSDB -- e também a primeira sucursal da VEJA -- surgiram na capitania de São Vicente, administrada por Martim Afonso de Souza.

Dom João VI (nome completo: João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís António Domingos Rafael de Bragança) criou em 1808 a Imprensa Régia. Conforme diz a Wikipédia, "a Gazeta do Rio de Janeiro, o primeiro jornal publicado em território nacional, começa a circular em 10 de setembro de 1808, impressa em máquinas trazidas da Inglaterra". Sob a direção do tucano imperial Dom Otávio Mesquita Frias Marinho, o tabloide publicava notícias favoráveis ao Império, à Casa Real, à aristocracia e aos grandes proprietários de terras, omitindo qualquer informação que contrariasse tais interesses. Dois séculos e quatro anos mais tarde, a régia imprensa tucana não mudou em absolutamente nada.




"O francês Max Leclerc, que foi ao Brasil como correspondente para cobrir o início do regime republicano, assim descreveu o cenário jornalístico de 1889: 'A imprensa no Brasil é um reflexo fiel do estado social nascido do governo paterno e anárquico de D. Pedro II: por um lado, alguns grandes jornais muito prósperos, providos de uma organização material poderosa e aperfeiçoada, vivendo principalmente de publicidade, organizados em suma e antes de tudo como uma emprêsa comercial e visando mais penetrar em todos os meios e estender o círculo de seus leitores para aumentar o valor de sua publicidade, a empregar sua influência na orientação da opinião pública. (...) Em tôrno deles, a multidão multicor de jornais de partidos que, longe de ser bons negócios, vivem de subvenções dêsses partidos, de um grupo ou de um político e só são lidos se o homem que os apoia está em evidência ou é temível'." (Fonte: Wikipédia)



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

ZUNÁI, REVISTA DE POESIA E DEBATES




ZUNÁI, REVISTA DE POESIA E DEBATES

Ano VII, edição XXV, setembro de 2012


O cavaleiro das palavras estranhas, Milton Hatoum

A beleza será convulsiva ou não será: a rebelião da nudez no Facebook, Célia Musilli

Gullar, Leminski e as disputas poéticas da literatura brasileira, Wilton Cardoso

Como reverter a lei da gravidade: uma leitura de adivinhação da leveza, de Duda Machado, Simone Homem de Mello 

Entrevista: Uma conversa com Claudio Willer

Tradução: James Joyce, Chyio-Ni, Hart Crane, Du Fu, Rafael Toriz, Johann Wolfgang von Goethe, Tenessee Williams, Erich Fried, Gottfried August Burger

Prosa: contos de Greta Benitez, Hudson Santos, Ludmila Rodrigues, Susan Blum

Opinião: Cadernos da Palestina (III): os 30 anos do massacre de Sabra e Chatila

Galeria: Carla Ramos

Poetas brasileiros: Claudio Willer, Ademir Assunção, Adriana Zapparoli, Paula Freitas, Marceli Andresa Becker, Nuno Rau, Raul Macedo, Wesley Peres, Lalo Arias, Homero Gomes, Lara Amaral, Sandrio Cândido, Ian Lucena, Janaína Barão, Guilherme Gontijo Flores, Gabriel Resende Santos

Zunái, Revista de Poesia & Debates: www.revistazunai.com.

Preço: Inefável; inconcebível.

Onde encontrar: no ciberespaço, essa “Gran Cualquierparte” (Vallejo).

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

HENRY MILLER, CENSURADO 50 ANOS DEPOIS


Olá, censor! Agradeço por sua visita ao meu mural no Facebook! Notei que você não apreciou uma foto do escritor norte-americano Henry Miller que publiquei aqui, confundindo um documento histórico com pornografia, e acredito que isso se deva à sua ignorância em relação à arte e literatura (caso contrário, jamais exerceria o infame ofício da censor, alimentado por outra atividade não menos desprezível, a do delator). Para evitar que você passe vergonha censurando outras imagens e textos de valor artístico, sugiro que, antes de aplicar a pena autoritária do bloqueio a algum usuário, procure conhecer um pouco mais sobre o que choca a sua finíssima sensibilidade. Em relação a Henry Miller, que você desconhece (sugiro que leia os romances dele, como Trópico de Câncer), publico aqui trechos da Wikipédia, para você tomar conhecimento, por mínimo que seja, desse consagrado escritor norte-americano. Leia, censor! Não existe pior prisão do que a da ignorância.  

"Henry passou sua infância na Avenida Driggs em Williamsburg, Brooklyn, Nova Iorque. Mais tarde em sua juventude, era ativo no Partido Socialista (seu ídolo era o socialista negro Hubert Harrison). Tentou vários tipos de serviços e, por curto período, frequentava aulas no City College of New York. Tanto em 1928 quanto em 1929, passou diversos meses em Paris com sua segunda esposa, June Edith Smith (June Miller). Se mudou sozinho para Paris no ano seguinte, onde morou até a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Ele viveu em condições precárias, dependendo da benevolência de amigos, tais como Anaïs Nin, que tornou-se sua amante e financiou a primeira impressão do Trópico de Câncer em 1934.

O livro sofreu dificuldades de distribuição, sendo banido em alguns países sob a acusação de pornografia. No outono de 1931, Miller trabalhou na Chicago Tribune (edição parisiense) como revisor, graças a seu amigo Alfred Perlès que trabalhou lá. Miller obteve a oportunidade de apresentar alguns dos seus artigos sob o nome de Perlès, desde que somente a equipe editorial era autorizada a publicar no jornal em 1934.Seus trabalhos relatos detalhados de experiências sexuais e seus livros trouxeram muito a discussão livre de assuntos de cunho sexual, na literatura norte americana, partindo tanto de restrições legais e sociais.

Ele continuou a escrever romances que foram banidos nos Estados Unidos sob acusação de obscenidade. A maior parte de sua obra gira em torno de sua segunda esposa June Mansfield. Em especial a trilogia Crucificação Encarnada. O casal se separou em 1934. Henry voltaria a se casar outras vezes. Durante a Segunda Guerra Mundial voltou para os Estados Unidos. Passou a ser um escritor prolífico e obteve grande sucesso após a liberação de suas obras na década de 60. Um memorial dedicado a sua obra é mantido em Big Sur, Califórnia, onde morou de 1944 a 1962. O governo Brasileiro proibiu a venda da tradução de Trópico de Câncer na década de 70, porém o livro permanecia sendo vendido no original em inglês. Otto Maria Carpeaux seria um responsável pela divulgação e reconhecimento literário das obras de Miller no país."

terça-feira, 11 de setembro de 2012

MAIAKOVSKI FAZ HOMENAGEM A LÊNIN EM POEMA TRADUZIDO PELA 1ª VEZ NA ÍNTEGRA


Poema contém imagens grandiosas, que se tornaram marca da poética do russo

Aurora F. Bernardini

A morte de Lenin, ocorrida em 21 de janeiro de 1924, foi um duro golpe para o extraordinário poeta russo Vladímir Maiakóvski (1893-1930), então ainda esperançoso quanto ao futuro glorioso da Revolução Bolchevique e ao papel que nela desempenharia. De fato, ele havia recém-organizado, com seus amigos futuristas, a famosa Frente Esquerda das Artes, "que deveria aliar arte revolucionária e luta pela transformação social (...), contando com nomes como Eisenstein, Pasternak, Dziga-Viértov, Isaac Babel, Óssip Brik, Assiéiev, Ródtchenko, etc." (cf. Boris Schnaiderman em Maiakóvski - Poemas, 1967 e 1972); colaborava intensamente com a imprensa, declamava, compunha poemas, peças, roteiros de cinema, pintava cartazes - tudo isso com o apoio do Comissário da Instrução Pública A. V. Lunatchárski, que haveria de lhe faltar no futuro.
 
O poeta participou dos movimentos artísticos de vanguarda da Rússia e se suicidou em 1930

Infelizmente, como se verificou mais tarde, o esforço para levar às massas a sua poesia - de repente considerada "incompreensível" por estudantes que repetiam velhas acusações - acabou não tendo êxito. Junte-se isso a uma série de fatores adversos - o desinteresse em relação à sua obra por parte das autoridades, da imprensa e das agremiações literárias; as polêmicas com a Rapp (a Associação Russa dos Escritores Proletários); a desilusão com o andamento da revolução e com Lila Brik, seu grande amor; a depressão; as sucessivas afecções da garganta, etc. - e é possível compreender um pouco mais por que Maiakóvski tenha se suicidado, em 14 de abril de 1930.

"Quando eu morrer, vocês vão ler meus versos com lágrimas de enternecimento", previu o poeta. Foi o que ocorreu, dentro e fora da extinta União Soviética, incluindo o Brasil - onde acaba de ser lançado o seu longo poema Vladimir Ilitch Lenin, pela primeira vez traduzido na íntegra, diretamente do russo, no País.
Maiakóvski terminou esse trabalho entre abril e outubro de 1924, logo após a morte do homenageado, cuja saúde, conforme é sabido, já era frágil havia anos, em razão de uma bala alojada em seu pescoço, resultado de um atentado cometido por Fania Kaplan em 1918 e, sobretudo, por conta de um derrame, ocorrido em 1922.

Trata-se de um poema para lá de engajado, no qual o poeta rememora os principais passos do "grande estrategista" (assim ele o chama, colocando-o à altura da importância de Marx, o "teórico"), num retrato de sua vida, desde antes do seu nascimento, no Volga distante. Há, nos versos, toda uma descrição da gênese e dos "males" do capitalismo: a espoliação, as falsas utopias, as crises, a impotência. Há, também, a esperança no Partido Comunista, espinha dorsal da classe operária, Há, ainda, a figura de Stalin, a Nova Política Econômica, os Kulaks, a 1.ª Guerra Mundial, o Komintern, o tiro, a morte, a dor, o legado.

Embora didático, é possível encontrar em Vladimir Ilitch Lenin muitas das imagens grandiosas que se tornaram a marca da poética de Maiakóvski.

"As pessoas são barcos./Apesar de estarem no seco./Viverás/ o teu,/enquanto/ uma variedade/de conchinhas sujas/gruda/em nossos/cascos. E depois,/ ao superar/a tempestade em fúria,/sentas/bem junto ao sol,/ e limpas/as barbas verdes/de algas/e o/muco carmim das medusas." Assim lemos alguns dos versos mais vigorosos do livro na tradução contida e sóbria de Zoia Prestes (filha de Luiz Carlos Prestes), que a dedicou ao PC russo. Contida, às vezes, até demais: "Temo por ele/como menina dos olhos,/para que não/seja/caluniado pela beleza" ("dos confetes", acrescenta o original). É verdade que um dos aspectos que mais saltam aos olhos no idioma russo vem a ser o seu caráter sintético - mormente em Maiakóvski. Na hora de traduzir, contudo, é preciso encontrar soluções que, sem perder de vista o poder de síntese da língua, não levem a omissões de sentido. Por outro lado, como os fatos históricos mencionados ao longo do poema estão longe de ser moeda corrente para um público amplo, notas de rodapé mais extensas seriam bem-vindas.


VLADIMIR ILITCH LENIN: POEMA
Autor: Vladimir Maiakovski
Tradução: Zoia Prestes
Editoras: Anita Garibaldi e Fundação Maurício Grabois
(234 págs., R$ 80)


Matéria publicada originalmente no jornal O Estado de S. Paulo


Leiam também o artigo de Adalberto Monteiro publicado no Portal Vermelho, na página http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=192028&id_secao=11