quarta-feira, 26 de setembro de 2012
País atingiu em 2011 a menor desigualdade social da história, diz Ipea
O
salário dos 10% mais pobres da população brasileira cresceu 91,2% entre
2001 e 2011. O movimento engloba cerca de 23,4 milhões de pessoas
saindo da pobreza. Já a renda dos 10% mais ricos aumentou 16,6% no
período, de forma que a renda dos mais pobres cresceu 550% sobre o
rendimento dos mais ricos, segundo dados divulgados nesta terça-feira
pelo Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea).
'Não há, na história brasileira estatisticamente documentada desde 1960, nada similar à redução da desigualdade de renda observada desde 2001', disse Neri. 'Assim como a China está para o crescimento econômico, o Brasil está para o crescimento social.'
A diminuição da desigualdade é medida pelo coeficiente de Gini, que passou de 0,594 em 2001 para 0,527 em 2011. No índice, quanto mais perto de zero menor a desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres do país. 'O Brasil está no ponto mais baixo da desigualdade, embora ela ainda seja muito alta', ressaltou o presidente do Ipea.
O crescimento dos salários é o principal indicador para a melhoria, aponta o estudo. É o que responde por 58% da diminuição da desigualdade. Em segundo lugar vem os rendimentos previdenciários, com 19% de contribuição, seguido pelo Bolsa Família, com 13%. Os 10% restantes são benefícios de prestação continuada e outras rendas.
Neri ressaltou que, dentre todos os vetores para a diminuição da desigualdade, o Bolsa Família é o mais eficaz, do ponto de vista fiscal. 'Se todos os recursos pudessem ser canalizados à mesma taxa para o Bolsa Família, ao invés da previdência, a desigualdade teria caído mais 362,7%', exemplificou Neri no estudo.
A disparidade de renda entre brancos e negros também se alterou. Segundo os dados apurados pelo Ipea, a parcela da população que se declara como negra teve crescimento da renda de 66,3% nos 10 anos. Maior variação foi apurada entre os pardos (85,5%). Entre os brancos, o crescimento foi de 47,6%.
O recorte por regiões mostra que no Nordeste a renda subiu 72,8%, enquanto no Sudeste cresceu 45,8%, sempre no mesmo período de comparação. O estudo conclui que houve queda de 3,2% no coeficiente de Gini entre junho de 2011 e o mesmo mês de 2012, tendo como base dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE.
'A imagem da Belíndia continua exata', disse Neri, referindo-se ao termo cunhado por Edmar Bacha. O neologismo tentava demonstrar que os ricos brasileiros viviam em um país semelhante à Bélgica, enquanto os mais miseráveis estavam em situação semelhante à população pobre da Índia. 'A diferença é que agora os pobres brasileiros crescem a taxas indianas, enquanto os ricos crescem como os países europeus.'
FONTE: Brasília em tempo real, http://www.emtemporeal.com.br/index.asp?area=2&dia=25&mes=09&ano=2012&idnoticia=121425
terça-feira, 25 de setembro de 2012
UM POEMA DE MÁH LUPORINI
ESTANTES
I
A
noite cantava em meus seios
Presos
aos fios dourados
Do
teu corpo violeta
Confissões
blindadas
Á
mesa do bar
Quando
as putas
Com
suas vestes de arcanjo
Driblaram
o crepúsculo
No
estaleiro da manhã
Despindo
os beatos
Nos
bigodes da aurora
II
Pêndulo
dos corpos
Nossos
risos se encontram
Na
cômoda do tempo
Gravetos
de lembranças
Rabiscadas
no peito
Silêncio
de linguagens
Na
noite que me encolhe
III
Ensaio
de outros eu
Na
poltrona do meu ego
Esquentando
as inquietações
Das
horas
IV
Gozo
vibrando
Solto
pela pele
Vestindo
os sinais
Do
teu nome
Em
meus lábios
V
Os
poros calam
Aos
lençóis da insônia
VI
Recolhemos
as palavras
Debaixo
do ventre casto
Da
tua carne
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
O PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA
No
livro Privataria Tucana, Amaury
Ribeiro Jr. apresenta 105 páginas de documentos que provam o desvio de dinheiro
durante as privatizações irregulares realizadas por José Serra e FHC, e apontam
os “paraísos fiscais” onde foram depositadas as milionárias propinas dos figurões
do PSDB. Não houve nenhuma investigação sobre o assunto e nenhum jornal diário,
rede de televisão ou revista semanal do PIG – Partido da Imprensa Golpista – sequer
noticiou a existência do livro, um dos mais vendidos no país nos últimos anos.
Já o suposto “mensalão”, noticiado diariamente na mídia no período eleitoral (claro, mera coincidência) não apresenta uma única prova concreta contra José Dirceu, José Genoíno e outros acusados, além de acusações verbais e entrevistas apócrifas, realizadas sem o entrevistado presente, como no caso da VEJA.
Já o suposto “mensalão”, noticiado diariamente na mídia no período eleitoral (claro, mera coincidência) não apresenta uma única prova concreta contra José Dirceu, José Genoíno e outros acusados, além de acusações verbais e entrevistas apócrifas, realizadas sem o entrevistado presente, como no caso da VEJA.
O PIG não
esconde que o linchamento político do suposto "mensalão" acontece sem
provas. Conforme diz a FALHA DE S. PAULO de hoje: “Um ministro ouvido sob a
condição de não ser identificado mencionou a possibilidade de os colegas
adotarem a chamada teoria do 'domínio do fato' em relação a Dirceu, que
considera que autor do delito é quem tem o domínio final sobre o fato, as
circunstâncias e os executores. Por ela, o acusado pode ser condenado sem haver
prova cabal de que ordenou ato criminoso, mas sim que tinha o controle sobre
ele.”
O que
estamos vendo não é um simples julgamento de supostos casos de corrupção, nem o
exercício da liberdade de imprensa, mas uma tentativa de golpe de estado por
vias “legais”, como aconteceu em Honduras e no Paraguai, para manter os
privilégios de uma burguesia estúpida, que não aceita nenhum tipo de
favorecimento, por mínimo que seja, às classes populares. É um golpe de estado
organizado pelo PSDB, pela mídia e por grandes empresários, com a subserviência
do STF.
O que
me causa espanto não é o golpismo da direita, mas a passividade da esquerda,
que assiste ao desastre sem esboçar reação.
Já
passou da hora de reagirmos.
sábado, 22 de setembro de 2012
PALESTINA: A FERIDA ABERTA
Claudio Daniel
A Palestina é uma civilização milenar que apresenta uma rica e variada cultura. A mesquita de Al Aqsa, construída entre os séculos VIII e XI, apresenta uma cúpula folheada a ouro e é um dos mais belos exemplos da arquitetura islâmica. A música e a dança palestinas também se destacam no panorama da cultura árabe, sendo famosa a dança conhecida como dabke, mas a poesia palestina é talvez a manifestação artística mais conhecida desse país no Ocidente, graças à obra de autores como Mahmoud Darwish (1941-2008), considerado por alguns críticos como o principal poeta de língua árabe do século XX. Desde o início de sua história, a Palestina sofreu a invasão de outros povos e a ocupação de seu território por romanos, egípcios, persas, otomanos, ingleses e, a partir de 1948, por imigrantes sionistas europeus, que estabeleceram o Estado de Israel. Após a guerra de 1949, todo o antigo território palestino foi ocupado por Israel, o que levou 750 mil palestinos para o exílio, fato histórico conhecido como Nakba (“catástrofe”, em árabe). Hoje, cerca de 5 milhões de palestinos vivem no exílio, proibidos por Israel de retornarem a suas terras e lares, e outros 4,5 milhões vivem nos territórios de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, que a Autoridade Nacional Palestina reivindica para a formação de um Estado Palestino soberano. A presente exposição de fotos e poemas – Palestina: a ferida aberta pretende mostrar um pouco desse país ainda pouco conhecido pelos brasileiros, com imagens de sua arquitetura, vestimentas típicas, cenas do cotidiano e também de sua resistência à ocupação, que já dura mais de seis décadas. A exposição acontece no aniversário de 30 anos do massacre de 3,5 mil civis palestinos nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, no Líbano, realizado por milícias direitistas libanesas, com o apoio logístico de Israel, cujo exército ocupava o país.
Dedicamos esta exposição a todas as vítimas da ocupação dos territórios palestinos, à memória da ativista norte-americana Rachel Corrie (1979-2003) e àqueles que lutam, nos dias de hoje, pela justiça e pela paz.
A exposição Palestina: a ferida aberta é organizada pelo Comitê pelo Estado da Palestina Já, Fepal – Federação Árabe Palestina, Bibliaspa -- Centro de Pesquisa América do Sul - Países Árabes e Zunái, Revista de Poesia e Debates.
ONDE: Biblioteca Alceu Amoroso Lima, localizada na Av. Schaumann, 777, próximo à Praça Benedito Calixto, São Paulo (SP).
HORÁRIOS: de terça a sábado, das 10h às 19h.
Entrada franca.
"O jornal acabou. Não existe mais ("Who killed the newspapers?", se perguntavam os editors do The Economist, em setembro). O que existe é um espectro do que era uma mídia bem resolvida há, talvez, trinta anos. Mas os empresários ainda não sabem o que fazer, já que o modelo de negócio ainda funciona, em parte, porque os leitores de jornais que sobreviveram (e ainda estão vivos) são os que decidem as grandes compras na família (carros, eletrodomésticos), e por isso a publicidade ainda vale alguma coisa nessa mídia. Se isso é bom ou ruim é outra história; mas, de novo, o fato é que a internet, que não é só uma mídia, mas uma esfera de convivência, é o meio que divulga poesia, hoje, em grande escala." (Daniela Oswald Ramos)
O PSDB e a revista VEJA representam a suposta "elite" de Higienópolis, branca, católica, heterossexual, de alta renda e antocomunista. O que incomoda, profundamente, essa prole de senhores de engenho e donatários de capitanias hereditárias é ver negros estudando em universidades, nordestinos viajando de avião, pobres comendo todos os dias e o porteiro do prédio na rua Maranhão trabalhar com carteira assinada e fazer valer os seus direitos trabalhistas.
Dom João VI (nome completo: João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís António Domingos Rafael de Bragança) criou em 1808 a Imprensa Régia. Conforme diz a Wikipédia, "a Gazeta do Rio de Janeiro, o primeiro jornal publicado em território nacional, começa a circular em 10 de setembro de 1808, impressa em máquinas trazidas da Inglaterra". Sob a direção do tucano imperial Dom Otávio Mesquita Frias Marinho, o tabloide publicava notícias favoráveis ao Império, à Casa Real, à aristocracia e aos grandes proprietários de terras, omitindo qualquer informação que contrariasse tais interesses. Dois séculos e quatro anos mais tarde, a régia imprensa tucana não mudou em absolutamente nada.
"O francês Max Leclerc, que foi ao Brasil como correspondente para cobrir o início do regime republicano, assim descreveu o cenário jornalístico de 1889: 'A imprensa no Brasil é um reflexo fiel do estado social nascido do governo paterno e anárquico de D. Pedro II: por um lado, alguns grandes jornais muito prósperos, providos de uma organização material poderosa e aperfeiçoada, vivendo principalmente de publicidade, organizados em suma e antes de tudo como uma emprêsa comercial e visando mais penetrar em todos os meios e estender o círculo de seus leitores para aumentar o valor de sua publicidade, a empregar sua influência na orientação da opinião pública. (...) Em tôrno deles, a multidão multicor de jornais de partidos que, longe de ser bons negócios, vivem de subvenções dêsses partidos, de um grupo ou de um político e só são lidos se o homem que os apoia está em evidência ou é temível'." (Fonte: Wikipédia)
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
ZUNÁI, REVISTA DE POESIA E DEBATES
ZUNÁI, REVISTA DE POESIA E DEBATES
Ano VII, edição XXV, setembro de 2012
O cavaleiro das palavras estranhas, Milton Hatoum
A beleza será
convulsiva ou não será: a rebelião da nudez no Facebook, Célia Musilli
Gullar, Leminski e as
disputas poéticas da literatura brasileira, Wilton Cardoso
Como reverter a lei da gravidade: uma leitura de
adivinhação da leveza, de Duda Machado, Simone Homem de Mello
Entrevista: Uma
conversa com Claudio Willer
Tradução: James Joyce, Chyio-Ni, Hart Crane, Du Fu,
Rafael Toriz, Johann Wolfgang von Goethe, Tenessee Williams, Erich Fried,
Gottfried August Burger
Prosa: contos de Greta Benitez, Hudson Santos,
Ludmila Rodrigues, Susan Blum
Opinião: Cadernos da Palestina (III): os 30 anos do
massacre de Sabra e Chatila
Galeria: Carla Ramos
Poetas brasileiros: Claudio Willer, Ademir Assunção, Adriana Zapparoli, Paula Freitas, Marceli Andresa Becker, Nuno Rau, Raul Macedo, Wesley Peres, Lalo Arias, Homero Gomes, Lara Amaral, Sandrio Cândido, Ian Lucena, Janaína Barão, Guilherme Gontijo Flores, Gabriel Resende Santos
Zunái, Revista de Poesia & Debates:
www.revistazunai.com.
Preço: Inefável; inconcebível.
Onde encontrar: no ciberespaço, essa “Gran Cualquierparte” (Vallejo).
Preço: Inefável; inconcebível.
Onde encontrar: no ciberespaço, essa “Gran Cualquierparte” (Vallejo).
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
HENRY MILLER, CENSURADO 50 ANOS DEPOIS
Olá, censor! Agradeço por sua visita ao meu
mural no Facebook! Notei que você não apreciou uma foto do escritor norte-americano Henry
Miller que publiquei aqui, confundindo um documento histórico com pornografia,
e acredito que isso se deva à sua ignorância em relação à arte e literatura
(caso contrário, jamais exerceria o infame ofício da censor, alimentado por
outra atividade não menos desprezível, a do delator). Para evitar que você
passe vergonha censurando outras imagens e textos de valor artístico, sugiro
que, antes de aplicar a pena autoritária do bloqueio a algum usuário, procure
conhecer um pouco mais sobre o que choca a sua finíssima sensibilidade. Em
relação a Henry Miller, que você desconhece (sugiro que leia os romances dele,
como Trópico de Câncer), publico aqui trechos da
Wikipédia, para você tomar conhecimento, por mínimo que seja, desse consagrado
escritor norte-americano. Leia, censor! Não existe pior prisão do que a da
ignorância.
"Henry passou sua infância na Avenida Driggs em Williamsburg, Brooklyn, Nova Iorque. Mais tarde em sua juventude, era
ativo no Partido Socialista (seu ídolo era o socialista negro Hubert
Harrison). Tentou vários tipos de serviços e, por curto período,
frequentava aulas no City
College of New York. Tanto em 1928 quanto em 1929, passou diversos
meses em Paris com sua segunda esposa, June Edith
Smith (June Miller).
Se mudou sozinho para Paris no ano seguinte, onde morou até a eclosão da Segunda Guerra
Mundial. Ele viveu em condições precárias, dependendo da
benevolência de amigos, tais como Anaïs Nin, que tornou-se sua amante e
financiou a primeira impressão do Trópico de
Câncer em 1934.
O livro sofreu dificuldades de distribuição, sendo banido
em alguns países sob a acusação de pornografia. No outono de 1931, Miller
trabalhou na Chicago Tribune (edição parisiense) como revisor, graças a seu amigo Alfred
Perlès que trabalhou
lá. Miller obteve a oportunidade de apresentar alguns dos seus artigos sob o
nome de Perlès, desde que somente a equipe editorial era autorizada a publicar
no jornal em 1934.Seus trabalhos relatos detalhados de experiências sexuais e
seus livros trouxeram muito a discussão livre de assuntos de cunho sexual, na
literatura norte americana, partindo tanto de restrições legais e sociais.
Ele continuou a escrever romances que foram banidos nos Estados Unidos sob acusação de obscenidade. A maior
parte de sua obra gira em torno de sua segunda esposa June Mansfield. Em
especial a trilogia Crucificação Encarnada. O casal se separou em 1934. Henry
voltaria a se casar outras vezes. Durante a Segunda Guerra
Mundial voltou para os
Estados Unidos. Passou a ser um escritor prolífico e obteve grande sucesso após
a liberação de suas obras na década de 60. Um memorial dedicado a sua obra é
mantido em Big Sur, Califórnia, onde morou de 1944 a 1962. O governo
Brasileiro proibiu a venda da tradução de Trópico de
Câncer na década de
70, porém o livro permanecia sendo vendido no original em inglês. Otto Maria Carpeaux seria um responsável pela divulgação e
reconhecimento literário das obras de Miller no país."
terça-feira, 11 de setembro de 2012
MAIAKOVSKI FAZ HOMENAGEM A LÊNIN EM POEMA TRADUZIDO PELA 1ª VEZ NA ÍNTEGRA
Poema contém imagens grandiosas, que se tornaram marca da poética do
russo
Aurora F. Bernardini
A morte de Lenin, ocorrida em 21
de janeiro de 1924, foi um duro golpe para o extraordinário poeta russo
Vladímir Maiakóvski (1893-1930), então ainda esperançoso quanto ao futuro
glorioso da Revolução Bolchevique e ao papel que nela desempenharia. De fato,
ele havia recém-organizado, com seus amigos futuristas, a famosa Frente
Esquerda das Artes, "que deveria aliar arte revolucionária e luta pela
transformação social (...), contando com nomes como Eisenstein, Pasternak,
Dziga-Viértov, Isaac Babel, Óssip Brik, Assiéiev, Ródtchenko, etc." (cf.
Boris Schnaiderman em Maiakóvski - Poemas, 1967 e 1972); colaborava
intensamente com a imprensa, declamava, compunha poemas, peças, roteiros de
cinema, pintava cartazes - tudo isso com o apoio do Comissário da Instrução
Pública A. V. Lunatchárski, que haveria de lhe faltar no futuro.
O poeta participou dos movimentos artísticos de vanguarda da Rússia e se suicidou em 1930
Infelizmente, como se verificou
mais tarde, o esforço para levar às massas a sua poesia - de repente
considerada "incompreensível" por estudantes que repetiam velhas
acusações - acabou não tendo êxito. Junte-se isso a uma série de fatores
adversos - o desinteresse em relação à sua obra por parte das autoridades, da
imprensa e das agremiações literárias; as polêmicas com a Rapp (a Associação
Russa dos Escritores Proletários); a desilusão com o andamento da revolução e
com Lila Brik, seu grande amor; a depressão; as sucessivas afecções da
garganta, etc. - e é possível compreender um pouco mais por que Maiakóvski
tenha se suicidado, em 14 de abril de 1930.
"Quando eu morrer, vocês vão
ler meus versos com lágrimas de enternecimento", previu o poeta. Foi o que
ocorreu, dentro e fora da extinta União Soviética, incluindo o Brasil - onde
acaba de ser lançado o seu longo poema Vladimir Ilitch Lenin, pela
primeira vez traduzido na íntegra, diretamente do russo, no País.
Maiakóvski terminou esse trabalho
entre abril e outubro de 1924, logo após a morte do homenageado, cuja saúde,
conforme é sabido, já era frágil havia anos, em razão de uma bala alojada em
seu pescoço, resultado de um atentado cometido por Fania Kaplan em 1918 e,
sobretudo, por conta de um derrame, ocorrido em 1922.
Trata-se de um poema para lá de
engajado, no qual o poeta rememora os principais passos do "grande
estrategista" (assim ele o chama, colocando-o à altura da importância de
Marx, o "teórico"), num retrato de sua vida, desde antes do seu
nascimento, no Volga distante. Há, nos versos, toda uma descrição da gênese e
dos "males" do capitalismo: a espoliação, as falsas utopias, as
crises, a impotência. Há, também, a esperança no Partido Comunista, espinha
dorsal da classe operária, Há, ainda, a figura de Stalin, a Nova Política
Econômica, os Kulaks, a 1.ª Guerra Mundial, o Komintern, o tiro, a morte, a
dor, o legado.
Embora didático, é possível
encontrar em Vladimir Ilitch Lenin muitas das imagens grandiosas que
se tornaram a marca da poética de Maiakóvski.
"As pessoas são
barcos./Apesar de estarem no seco./Viverás/ o teu,/enquanto/ uma variedade/de
conchinhas sujas/gruda/em nossos/cascos. E depois,/ ao superar/a tempestade em
fúria,/sentas/bem junto ao sol,/ e limpas/as barbas verdes/de algas/e o/muco
carmim das medusas." Assim lemos alguns dos versos mais vigorosos do livro
na tradução contida e sóbria de Zoia Prestes (filha de Luiz Carlos Prestes),
que a dedicou ao PC russo. Contida, às vezes, até demais: "Temo por
ele/como menina dos olhos,/para que não/seja/caluniado pela beleza"
("dos confetes", acrescenta o original). É verdade que um dos aspectos
que mais saltam aos olhos no idioma russo vem a ser o seu caráter sintético -
mormente em Maiakóvski. Na hora de traduzir, contudo, é preciso encontrar
soluções que, sem perder de vista o poder de síntese da língua, não levem a
omissões de sentido. Por outro lado, como os fatos históricos mencionados ao
longo do poema estão longe de ser moeda corrente para um público amplo, notas
de rodapé mais extensas seriam bem-vindas.
VLADIMIR ILITCH LENIN: POEMA
Autor: Vladimir Maiakovski
Tradução: Zoia Prestes
Editoras: Anita Garibaldi e Fundação Maurício Grabois
(234 págs., R$ 80)
Autor: Vladimir Maiakovski
Tradução: Zoia Prestes
Editoras: Anita Garibaldi e Fundação Maurício Grabois
(234 págs., R$ 80)
Matéria publicada originalmente no jornal O Estado de S. Paulo
Leiam também o artigo de Adalberto Monteiro publicado no Portal Vermelho, na página http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=192028&id_secao=11
sábado, 8 de setembro de 2012
UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE
O massacre de 3.500 civis
palestinos nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, no Líbano, realizado
por milícias falangistas com o apoio do exército israelense, que ocupava o país,
comemora 30 anos em setembro deste ano. Em homenagem às vítimas dessa
atrocidade, serão realizadas várias atividades culturais em São Paulo. No dia 18, às 20h, haverá
um debate com Emir Mourad, diretor da Fepal –
Federação Árabe Palestina – e o jornalista Nataniel Braia, do jornal Hora do Povo, seguido da exibição do
premiado filme Valsa com Bashir, de
Ariel Forman, no auditório do clube Homs, na Avenida Paulista, n. 735. No dia
21, será inaugurada a exposição fotográfica Palestina:
a ferida aberta, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, com um recital poético
apresentado pelo poeta Claudio Daniel e por Paulo Farah, professor de língua e literatura árabes na
Universidade de São Paulo. A próxima edição da revista Zunái publicará fotos e textos sobre o
massacre nos Cadernos da Palestina, que se encontram no link Opinião.
30 ANOS DE IMPUNIDADE – ISRAEL E O MASSACRE DE SABRA E CHATILA
Luciana Garcia de Oliveira*
“Escute, eu sei que você está
gravando, mas eu pessoalmente gostaria de ver todos eles mortos ... Eu gostaria
de ver todos os palestinos mortos porque são uma doença em qualquer lugar que
vão.”
Tenente do Exército israelense,
Líbano, 16 de junho de 1982.
Três décadas se passaram do
episódio considerado como um dos mais sangrentos nas últimas décadas. Mesmo
diante de um crime de enorme proporção, são muito poucos que conhecem de fato a
história das guerras do Líbano com todos os detalhes. Talvez esse seja o motivo
pelo qual, o cenário do que foram os campos de refugiados palestinos de Sabra e
Chatila, tenha tido poucas mudanças efetivas. De acordo com diversos
correspondentes internacionais que visitam esses locais hoje, os cerca de 13
mil refugiados que vivem em Chatila, além de conviverem com os traumas do
passado, sobrevivem com um presente de miséria e abandono.
A mudança deve-se ao fato de que
Sabra deixou de ser reconhecido como campo de refugiados, convertendo-se em um
dos bairros mais miseráveis de Beirute, sem que haja reconhecimento desses
locais como parte do país. Não há coleta de lixo e nem quaisquer serviços
públicos, o que torna a situação de moradia e saúde muito mais alarmante do que
podemos imaginar.
O pouco conhecimento se deve
principalmente ao fato de haver poucos vestígios das lembranças do massacre de
Sabra e Chatila. Mesmo diante do boicote israelense na época, as imagens ainda
existentes em vídeos e fotografias, podem traduzir com fidelidade o desespero
dos sobreviventes diante de centenas de corpos empilhados e ou enfileirados nas
ruas estreitas de terra, cercada por casas simples e muitos barracos.
Lembranças traumáticas vividas à
partir da noite do dia 16 de setembro de 1982, no instante em que os refugiados
palestinos foram surpreendidos com a iluminação de sinalizadores de fogo
disparados no céu, clareando a noite. Nessa altura, a população dos campos não
pode imaginar o que seriam as primeiras movimentações israelenses para proteger
e garantir a entrada das forças falangistas (milícias da extrema direita cristã
libanesa) nos campos de refugiados.
O medo e o terror foram
imediatamente instalados, quando muitos tanques cercaram a entrada e a saída
dos campos. A partir daí Israel e as milícias falangistas deram início à 62
horas de pura violência contra a população civil palestina. Estima-se que esse
episódio tenha tido no mínimo, um saldo de 3 mil mortes, entre idosos, mulheres
e crianças, em sua maioria.
Israel teria invadido o Líbano em
represália ao assassinato de um embaixador de Israel em Londres por um
palestino que supostamente vivia no campo de Chatila. Dentro desse mesmo
contexto de guerra civil libanesa, o Exército israelense entra em acordo com os
chefes das milícias cristãs para viabilizar a invasão dos dois campos de
refugiados. O agravante estaria na constatação de que pouco dias antes do
atentado, Israel e Palestina haviam assinado um cessar fogo, intermediado por
um enviado norte-americano, Philip Habib, que resultou no consentimento
palestino pela saída de todos os integrantes da Organização de Libertação da
Palestina (OLP) da capital libanesa. Fato que reafirma o massacre civil de uma
população absolutamente indefesa.
Naquele instante, o então
Ministro da Defesa de Israel não cumpriu com o acordo e permitiu que a Falange
entrasse nos campos e realizasse o massacre. Ao mesmo tempo, o Exército de
Israel detinha o controle da entrada e saída dos campos. Testemunhas relataram
que muitas mulheres grávidas e com crianças de colo foram sumariamente
impedidas de saírem dos campos. Alguns dias após o massacre e ainda durante o
cerco em Beirute, a OLP acusou Israel de empregar táticas semelhantes às
utilizadas por Adolf Hitler contra os judeus, durante a Segunda Guerra Mundial.
Os responsáveis pelo massacre
nunca foram punidos. Ariel Sharon, chegou a ser condenado pelas Nações Unidas,
porém nunca foi penalizado de fato. Ao contrário, continuou exercendo
impunemente sua carreira política em diversos cargos dentro do Ministério de
Israel.
A impunidade e a injustiça estão
absolutamente divulgados no chamado relatório da comissão Kahan, datado de
1983, documento pelo qual o jornalista Robert Fisk não se furtou em classificar
o massacre como o resultado “da obsessão selvagem de Israel com o terrorismo”.
Em sua obra Pobre Nação ressaltou: “Os israelenses retrataram o documento como
uma poderosa evidência de que sua democracia ainda brilhava como um farol sobre
as ditaduras dos outros Estados do Oriente Médio” (FISK, 2001, p. 518). Mesmo
diante dessa constatação, ao analisar o texto desse documento oficial, é
possível concluir que trata-se, acima de tudo, de um documento extremamente
falho e tendencioso em seu conteúdo. A começar com o título: sobre “os eventos
nos campos de refugiados”, ao invés de qualifica-lo como massacre, sem ao menos
mencionar a palavra palestino.
E por falar em terrorismo tão
repetidas vezes, os autores do relatório Kahan demostravam que haviam esquecido
a regra básica que todos os invasores do Líbano deveriam aprender: “que, ao se
tornar amigo de um grupo terrorista, você também se torna terrorista” (FISK,
2001, p. 523). A informação é a arma mais eficaz para que a impunidade não
prevaleça e a história jamais seja esquecida.
(*) Integrante do Grupo de
Trabalho sobre o Oriente Médio e o Mundo Muçulmano do Laboratório de Estudos
sobre a Ásia da Universidade de São Paulo (LEA-USP).
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
A ROCHA REFLETIDA NOS OLHOS DO ROUXINOL
Caros, confiram um caderno especial sobre o haicai publicado há algum tempo na Zunái, Revista de Poesia e Debates, na página http://www.revistazunai.com/materias_especiais/haicais/index.htm
terça-feira, 4 de setembro de 2012
O HAICAI: SUA CRIAÇÃO
Orientador: Claudio Daniel
Objetivo: apresentar a história, conceitos, filosofia estética e construção formal do haicai, poema breve japonês surgido no século XVII. Além das aulas teóricas, haverá discussão dos poemas produzidos pelos alunos.
De 04 de setembro a 25 de outubro
Terças e quintas
Das 19h às22h
Local: Escola de Teatro – Praça Roosevelt, 210 – Centro, São Paulo (SP)
BIBLIOGRAFIA DO CURSO:
BASHÔ, Mstsuo. Sendas de Oku. São Paulo: Roswitha Kempf Editores, 1983.
BASHÔ, Matsuo. Trilha estreita ao confim. Trad.: Alberto Marsicano. São Paulo: Iluminuras, 1997.
CAMPOS, Haroldo de. A operação do texto. São Paulo: Perspectiva, 1976.
CAMPOS, Haroldo de. A arte no horizonte do provável. São Paulo: Perspectiva, 1977.
CAMPOS, Haroldo de. Ideograma. São Paulo, Edusp, 2000.
CAMPOS, Haroldo de. Hagoromo de Zeami. São Paulo: Estação Liberdade, 1993.
FRANCHETTI, Paulo, DOI, Elza Taeko e DANTAS, Luiz. Haikai. Antologia e história. Campinas: Editora da Universidade Estadual de Campinas, 1990.
GOGA, H. Masuda. O Haicai no Brasil. São Paulo: Massao Ohno, 1988.
HAMMITZSCH, Horst. O zen na arte da cerimônia do chá. São Paulo: Pensamento, 1993.
HERRIGEL, Eugen. A arte cavalheiresca do arqueiro zen. São Paulo: Pensamento, 1989.
HERRIGEL, Eugen. O caminho zen. São Paulo: Pensamento, 1990.
HERRIGEL, Gusty L. O zen na arte da cerimônia das flores. São Paulo: Brasiliense, 1995.
LEMINSKI, Paulo. Bashô, A lágrima do peixe. São Paulo: ed. Brasiliense, 1983.
MARSICANO, Alberto. Haikai. São Paulo: Editora Oriento, 1988.
MENDONÇA, Maurício Arruda. Trilha forrada de folhas. Nenpuku Sato, um mestre de haikai no Brasil. São Paulo: Ciência do Acidente, 1999.
PAZ, Octavio. Signos em rotação. São Paulo: Perspectiva, 1996.
PEIXOTO, Afrânio: Missangas. Poesia e folclore. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1931.
PEIXOTO, Afrânio: Trovas populares brasileiras. 1919.
RUIZ, Alice. Dez hai kais. Florianópolis: Editora Noa Noa, 1981.
SAITO, Roberto, GOGA, H. Masuda e HANDA, Francisco. Cem haicaístas brasileiros. São Paulo: Massao Ohno Editor, 1990.
VERÇOSA, Carlos. Oku: viajando com Bashô. Salvador: Secretaria de Cultura e Turismo do Estado da Bahia, 1996.
WATTS, Alan. O espírito do zen. São Paulo: L&PM, 2008.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
O GAROTO DE RECADOS VIRTUAL
Olá, hacker! Agradeço pela gentileza da visita
que você fez à minha página no Facebook hoje, às 07h30, de São Paulo.
Espero que tenha gostado de minhas postagens, comentários e mensagens
privadas. Por favor, diga ao juiz da Vara de Pinheiros, que mora na Praça Villaboim, que se ele quiser saber mais sobre a minha
vida particular, profissional, política ou literária ele pode me
perguntar pessoalmente! Sei coisas terríveis a meu respeito e terei o
maior prazer em informá-lo a respeito de tudo sobre mim.
Há braços,
CD
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