sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

LOJINHA DO TURCO

Caros, quem tiver interesse em adquirir o meu livro Fera Bifronte, que saiu em 2009 pela Lumme Editor, pode solicitar a obra pelo e-mail vendas@lummeeditor.com

Plim, plim!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011


PRISMA V


lêmures / lavoram / lúnulas, / recrocita / labirinto / (abismo) / (de espectros). / esta porta / que se abre, / prosa / de corvos, / esta porta / que se fecha, / rosa / de répteis, / não há caminho, / tudo é caminho; / flor de abril / escurece / relógios / até dessangrar / a anã / em tropismo / de lacraias. / tudo / é um jogo / amargo / como saltar / os ossos, / piscar / palavras, / traçar / na pedra / sub-reptício / urro / (para ver) / (o mistério) / (que há no mundo) / (e em mim). / entre fetos / e rudimentos / de búfalo, / entre cristais / e um agudo senso / de coágulo, / abolir / o peixe / numa agrimensura / de enigmas. / cristal negro, / seio negro, / lua negra, / restilo / de piçarras: / tudo / o que escrevo / tudo / o que escavo / tudo / o que escuto / tudo / o que escarro / tudo o que esqueço / me deslinda, / desatina, / desafina, / desarvora, / desenflora, / entre amarelos /e lanugens, / entre larvais / e mentais, / entre o que / pensa / e o que / sente, / entre o que / mente / e o que / muda, / entre o que / canta / e o que / encanta, / entre / mundo / e nada.
2008
(Poema do livro Fera Bifronte.)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011


PRISMA IV


cristal negro, / réptil negro, / sub-reptícia / anã negra / (amarga) / entre folhas./ flor de abril / recrocita / olho- / de-búfalo:/ unhas traçam / a agrimensura / do escuro, / acendem lúnulas / de lacraias / até tropismo / de fetos / (para ver) (a beleza) / (que há no mundo) / (e em mim). / nenhuma porta / ou esta / que se abre, / esta / que se fecha, / este caminho, / nenhum caminho / (tudo) / (é labirinto). / entre piçarras / e rudimentos / de papoulas, / entre seios / e um agudo / senso / de alvura, / lavoura / de auroras / alteradas. / (pedra) / (é um jogo) / (como saltar) / (abismos), / (piscar) / (os ossos,) / (remoer) / (a rosa,) / (cinema) / (mental) / (ou séquito) / (de desatinos). / um, dissocia / mariposa; / dois, coagula / lunário; / três, escurecem / larvais, / restilo / de cores / abolidas. / tudo é mistério, / deslinde / de lanugens / até dessangrar / palavras- / peixes.

2008
(Poema do livro Fera Bifronte)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

GALERIA: CRUZEIRO SEIXAS


PRISMA III


até / dessangrar / peixes, / entre unhas. / pilhas / de palavras / rotas, / restos / de canção: / flor / de abril / em amarelo, / para ver / o enigma / no mundo / e em mim. / recrocita / labirinto / lunar, / corvo / de fetos / alterados. / há o gosto / amargo / do relógio, / uma anã / que só anda / para trás / e clotilde / estrangulada / num café / da rua aurora. / tudo é mental, / mariposas / ou seios, / pétalas / ou música, /rudimentos / de mistério / e mistério. / todo labirinto / é uma palavra / do deslinde / ao desatino /(sub-reptício réptil / foge / entre lúnulas). / cristal negro, / praia negra,/ papoula enegrecida / em sons larvais / até lavoura / de fétidos./ havia uma pedra, / havia uma rosa, / havia um abismo. /tudo / é cinema / mental, / praias / e palavras, / pilhas de ossos / podres. / alguma porta / ou nenhuma, / esta / ou aquela, / esse caminho, / qual caminho? / entre um senso / agudo / de extinção / e rudimentos / de lanugem, / entre o restilo / e o séqüito /de lêmures, /todo enigma / é incapaz /de abolir / o silêncio .

2008
(Poema do livro Fera Bifronte)

domingo, 20 de fevereiro de 2011


PRISMA II


olho-de-corvo; / um, crocita; / dois, arranha; / três, escurece; / quatro, engasga, / tropismo / de piçarras. / cristal negro, / búfalo negro, / palavra enegrecida / em urros / de lacraias. / sons vegetais, / sons minerais, / sons fecais, / dissociados / de sentido. / recrocita / réptil/ em folha / lunar, / sub-reptício / acende / música / até lavoura / de restos: / há um relógio / estrangulado / e uma anã / fazendo ponto / numa esquina / da rua aurora. /tudo é um jogo / de ossos / como saltar / à corda, / piscar / os olhos, / remoer / a canção. / tudo é cinema / mental. / entre seios / e rudimentos / de mariposas, /entre o mistério / e um agudo / senso / de extinção, / dessangrar / a beleza / (fuligem) / até um vago / perfume / de papoulas; / ou abrir a porta: / não há caminho, /nenhum / ou este / que se fecha, / tudo é labirinto, / (deslinde) / desatino. /alvura, / lunário / de lúnulas: / unhas, / entre peixes.

2008
(Poema do livro Fera Bifronte)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011


PRISMA I

toda palavra / é um labirinto / (recrocita / corvo lunar), / (sub-reptício réptil / foge / entre folhas). / cristal negro, / búfalo negro,/ palavra enegrecida / em sons guturais, / espectros / de si mesmos. / flor de abril / acende música, / amarelo, / amarelo, / até lavoura / de fetos. / há uma anã / estrangulada / na rua aurora; /há um relógio de ponto / que só anda / para trás; / a dentadura / de clotilde; / o gosto amargo / do café. / tudo é / um cinema / mental, /pilhas de ossos- / palavras, /extintas praias, / labirinto / de cores / alteradas. / poema: / forma de ver / o escuro / que há no mundo / e em mim. / palavras caem / (fuligem),/ restos de canção: / ou abrir a porta: / entre seios / e rudimentos / de agrimensura, / entre o mistério / e um agudo / senso de beleza, / vago perfume / de papoulas, / até dessangrar / as pétalas / do canto. / nenhuma porta / (deslinde) / desatino;/ nenhuma / ou essa / que se fecha. / ou aquela, / qual,/ ou esta porta,/ este caminho,/ não há caminho./ restilo / de alvura / ou lanugem, / lúnula:/ peixes, / entre unhas.

2008
(Do livro Fera Bifronte)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011


DESVIO

Farto já de tanta ambigüidade, flor excessiva, alfabeto cego

que se desdobra em vogais.

Peixe branco, gris ou amarelo

desgarrado de sua guelra,

no desvio das águas,

entre suposições, eufórico,

justaposto à inevitável precariedade.

À meia-noite,

desmanchar esqueletos

de anões,

é sempre a mesma música proliferante,

pautada nas ranhuras

da cervical.

Até dilatar os debruns coaxiais

da caixa craniana; sublime

é a arte do esquecimento.

2005

(Poema do livro Fera Bifronte)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

GALERIA: CLAUDE B. TENOT


PARTITURA

Perplexidade, raios de um sol

que redesenha seu centro;

essa matéria tão delicada,

ferozes epitélios da flor;

deslizando das pupilas,

revoluta, para outro mar,

após tingir o flanco da noite.

Fosse apenas o perambular

em outra relva, seria tema

de chanson; dissociada de mim,

reclinada em lua minguante,

seria musa de retrato fauvista,

excedendo o rubro tigrino.

De todo modo, um dia vou

felinizá-la em partitura.

2006

(Poema do livro Fera Bifronte)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011


RAPTO

Para iniciar uma lua pelos filamentos, em articulações

de répteis.

Obliterar os arredores

ao esquadrinhar a pele.

Descrever

joelhos como náutilos,

seios como escabelos,

esse é o meu hibridismo,

minha fome vertebrada.

Acontece que

a expansão do branco

bifurca-se, espraia-se

esqualidamente

do lábio ao umbigo,

em simulado rapto.

Ame o mapa de meu rosto,

sua caligrafia de incinerações.


2005

(Poema do livro Fera Bifronte)

domingo, 13 de fevereiro de 2011




CARANGUEJO


Aquática paisagem, faixas de areia e uma seqüência de morros, horizonte simulando música. Quiosques vendem camarões e mariscos. Meninos magros e morenos jogam bola com uma cabeça decepada. A velha senhora inglesa lê o Herald Tribune com lentes bifocais. O sorveteiro anuncia profecias apocalípticas. Há um furacão nas ilhas Fidji. Esferas planas surgem no céu de Okinawa, como pegadas de urso. Um sargento aposentado em Kansas conversa com os peixes. Não há nada que seja realmente absurdo. Tudo está escrito em algum lugar, nas Tábuas de Esmeralda, no Popol Vuh, no Livro Tibetano dos Mortos. Há quem diga que a espuma no oceano é uma linguagem. Há uma lógica irrefutável no movimento dos astros. O destino foi escrito nas palmas de nossas mãos. Tudo isso ignoro, não me diz respeito; palavras são detritos como algas, conchas ou brincos oferecidos à deusa das águas. Eu só deslizo as pinças entre possibilidades. Invisto minha carapaça vermelho-marrom, que você tanto ama, até o centro da dúvida, para encontrar minha fábula. Eu sou a imagem deste enigma, a contradição de um crustáceo.

2007
(Do livro Fera Bifronte)