SOBRE FOLHAS DE SEDASobre folhas de seda
Não escrevo já rimas simétricas;
E já não as enlaço
Com ramagens de ouro;
Desenhadas na poeira móvel,
O vento as apaga, mas a força fica
Presa por magia ao solo
Até ao centro da terra.
E o viandante virá,
O Amante. E mal pise
Este sítio, sentirá um arrepio
Por todos os membros.
«Aqui! antes de mim aqui amou o Amante.
Foi Medschnun, o terno?
Ferhad, o poderoso? Dschemil, o imorredouro?
Ou um de entre aqueles mil
Felizes-infelizes?
Ele amou! Como ele eu amo,
Eu adivinho-o!»
- Mas tu, Zuleica, repousas
Sobre o coxim delicado
Que eu pra ti preparei e enfeitei.
Também os teus membros se arrepiam, e acordas.
«É ele que me chama, Hatem!
Também eu te chamo: Ó Hatém! Hatém!»
Tradução: Paulo Quintela.