sexta-feira, 22 de outubro de 2010



Mr. Serra: violência é isto, bombas de gás lacrimogênio e cassetetes, não bolinha de papel e fita crepe...

MINHA ESTANTE (IV)









Caros, gostaria de recomendar a vocês a leitura do livro Sobre a Crítica Literária Brasileira no Último Meio Século, de Leda Tenório da Motta, que saiu pela editora Imago, em 2002. Leda faz uma avaliação brilhante das duas principais tendências de nossa crítica, a sociológica, de Antonio Candido, e a sincrônica, de Haroldo de Campos, buscando seus antecessores históricos e fazendo uma avaliação de seus pressupostos, escolhas e formas de atuação. In my opinion, é leitura obrigatória para se entender o que ocorre, ainda hoje, na crítica literária e nas discussões teóricas sobre poesia e literatura, dentro e fora do âmbito universitário.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

MINHA ESTANTE (III)





O Cinema Enciclopédico de Peter Greenaway, coletânea de ensaios organizada por Maria Esther Maciel (São Paulo: Unimarco Editora, 2004), traz textos de estudiosos da obra do cineasta inglês, que dirigiu filmes como O Livro de cabeceira, O Bebê Santo de Macon e A Última Tempestade. O livro inclui um ensaio polêmico do próprio Greenaway intitulado Cinema: 105 anos de texto ilustrado. Livro MUITO INTERESSANTE.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

ZUNÁI, URGENTE









Caros, a revista Zunái está fora do ar, momentaneamente, por motivos técnicos, mas até o final da semana estará on line novamente. A edição de outubro terá a bordo Arnaldo Antunes, Leda Catunda, Aurora Bernardini, Horácio Costa, Leda Tenório da Mota, inéditos de Wilson Bueno e muita coisa mais, aguardem...

MINHA ESTANTE (II)




Ideograma: Lógica, Poesia e Linguagem, livro organizado por Haroldo de Campos (São Paulo: Edusp, 2000), reúne ensaios de Ernst Fenollosa (Os caracteres da escrita chinesa como instrumento para a poesia, texto essencial para as formulações teóricas de Ezra Pound), Sergei Eisenstein (O princípio cinematográfico e o ideograma), de Chang Tung-Sun (A teoria do conhecimento de um filósofo chinês) e do próprio Haroldo de Campos. É um livro indispensável para quem deseja estudar a estrutura do ideograma e suas relações com a poesia e o cinema.

MINHA ESTANTE





Artesanatos de Poesia, de Mário Faustino (São Paulo: Companhia das Letras, 2004), traz ensaios preciosos sobre Edgar Allan Poe, Baudelaire, Rimbaud, Yeats, Corbière, Laforgue e outros poetas, além de ótimas traduções desses autores, feitas pelo próprio Faustino. Estes textos foram publicados originalmente no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, na página Poesia-Experiência, entre 1956 e 1959. Faustino foi um de nossos melhores poetas-críticos. Um ensaio fundamental desse volume é o dedicado a Ezra Pound, com quase cem páginas. O melhor trabalho sobre Pound escrito por um autor brasileiro, em minha opinião.

domingo, 17 de outubro de 2010

GALERIA: MORIHEI UESHIBA


PORTAL SIETE

(fragmentos)

* * *

Con la brutalidad
de una calavera cantante.
Con un muerto en cada línea,
y una rosa para cada muerto,
ella pregunta a sus lagartos:
¿qué existe más allá de la piel?

Ningún misterio más allá del verde césped numerable hasta el infinito.

* * *

Números delinean las esquinas de la eternidad.
Muertos beben de los pulsos
de nuestras manos.

* * *

Ninguna lengua es la mía;
éste es el motivo de mi desprecio
a los que simulan sinceridad.

* * *

Serpiente cambia de piel con el pez transmutado en gallo,
en sueño, en sombra, en nada.

(Poema em processo de Claudio Daniel, traduzido ao espanhol por Joan Navarro.)

sábado, 16 de outubro de 2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

GALERIA: IMAGENS DO JAPÃO (III)


QUATRO HAICAIS

Ervas de Verão!
Eis o que resta do sonho
dos guerreiros mortos.

(Bashô)

As folhas da ameixeira
sob a chuva de verão
têm a cor do vento

(Saimaro)

A fêmea do grilo
comido pelo gato
canta o seu lamento.

(Kikaku)

A sombra das árvores!
Também a minha se move
sob o luar de inverno.

(Shiki)

Traduções: Casimiro de Brito.

GALERIA: IMAGENS DO JAPÃO (II)


DOIS TANKAS

Na minha terra natal
As flores ainda cheiram
Como antigamente

Nada porém sabemos
Do coração dos homens.

(Anônimo)

Na palma da minha mão
Um pouco de água onde a lua,
Breve, se refletiu.

Terá sido mesmo a lua?
Assim passei por este mundo.

(Ki No Tsurayuki)

Traduções: Casimiro de Brito

terça-feira, 12 de outubro de 2010

GALERIA: IMAGENS DO JAPÃO (I)


BUSHIDO, O CÓDIGO DE HONRA DOS SAMURAIS

Eu não tenho pais,
Faço do céu e da terra meus pais.

Eu não tenho casa,
Faço do mundo minha casa.

Eu não tenho poder divino,
Faço da honestidade meu poder divino.

Eu não tenho pretensões,
Faço da minha disciplina minha pretensão.

Eu não tenho poder mágico,
Faço da personalidade meu poder mágico.

Eu não tenho vida ou morte,
Faço das duas uma, tenho vida e morte.

Eu não tenho visão,
Faço da luz do relâmpago a minha visão.

Eu não tenho ouvidos,
Faço da sensibilidade meus ouvidos.

Eu não tenho língua,
Faço da prontidão minha língua.

Eu não tenho leis,
Faço da autodefesa minha lei.

Eu não tenho estratégia,
Faço da liberdade de matar e ressucitar minha estratégia.

Eu não tenho projetos,
Faço do apego às oportunidades meus projetos.

Eu não tenho princípios,
Faço da adaptação a todas as circunstâncias meu princípio.

Eu não tenho táticas,
Faço da escassez e da abundância minha tática.

Eu não tenho talento,
Faço da minha imaginação meu talento.

Eu não tenho amigos,
Faço da minha mente minha única amiga.

Eu não tenho inimigos,
Faço da distração meu inimigo.

Eu não tenho armadura,
Faço da benevolência minha armadura.

Eu não tenho castelo,
Faço do caráter meu castelo.

Eu não tenho espada,
Faço da perseverança minha espada.

domingo, 10 de outubro de 2010

O bastão curto, ou , faz parte das técnicas de armas do Aikidô, assim como a espada de madeira (bokken), a espada de metal (kataná) e a faca de madeira (tanto). O treino com armas ajuda a entender melhor os movimentos a mãos nuas (taijutsu), além de trabalhar muito com a concentração, a percepção, a intuição, a sensibilidade, as noções de espaço e tempo e o fluxo de energia a nossa volta. São armas para o autoconhecimento, para a busca da harmonia interna e do equilíbrio, apesar de sua origem nas artes da guerra (bujutsu).

GALERIA: MORIHEI UESHIBA


O QUE ESTOU LENDO...

Um livro muito interessante que estou lendo é A Filosofia do Aikidô, de John Stevens (São Paulo: Cultrix, 2001). Não se trata de um trabalho sobre o treino da arte marcial ou de suas técnicas, mas de sua sabedoria, que descende da tradição cultural, religiosa e filosófica japonesa (xintoísmo, zen-budismo, bujutsu etc.). Morihei Ueshiba, o criador do Aikidô, tinha um pensamento pacifista, ecológico e holístico, opunha-se à política nacionalista e militarista, à destruição do meio ambiente, à exploração dos trabalhadores pelo capitalismo e tinha uma visão ao mesmo tempo mística, social e política. Ele mudou a concepção tradicional do bushidô: o importante, agora, para o guerreiro, não deveria ser o ideal da morte gloriosa, mas a afirmação da vida e a proteção da comunidade. O Sensei acreditava que o Aikidô é uma arte para todos os povos e países, sem distinção de sexo, raça ou religião. Morihei Ueshiba foi também poeta, e muitos de seus ensinamentos foram transmitidos na forma de poemas.