quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

URUTAU















ave da noite
olho da noite
em nãos
de nunca mais
olho amarelo
nos fumos da noite
lua amarela
em nuncas
de nada mais
emenda-toco
de unhas curvas
uruvati, urutaguá
canta os pedaços de mim.


dito kuá kuá
dito pássaro-
princesa
canto de arame
e arranha-tripa
se acaso
se entremostrasse
no último infinito
do fim
esfumado
entre agapantos
e alamandras
entre os pedaços de mim.


uruvati
come-morcegos
urutaguá
come-lagartos
onde está
o meu eu
oh mãe-da-lua?
onde está
a minha ela
oh pássaro-
fantasma?
no último
fim de mim?


O que canta
no galho
transforma-se
em galho
o que canta
no tronco
transforma-se
em tronco
canto tonto
nos entornos
do sem fim
repercorre ângulos
no mais rascante de mim.


Poema inédito de Claudio Daniel, 2016

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